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Arlindo Almeida: Arrumando as malas

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 19 de agosto de 2020 às 12:30

Este ano teremos eleições para as chefias locais de governo. No ocaso de muitas das administrações municipais do Brasil, os Prefeitos que não concorrem à reeleição devem estar preparando suas malas (que esperamos não contenham algo estranho). É hora de arrumarem a casa para os novos mandatários, deixando tudo limpo e imaculado sem grandes problemas para os futuros dirigentes.

O momento é único para que seja mostrado com total transparência tudo o que foi realizado no seu período de governo. As obras, as contas públicas, o quadro funcional, a conquista de novos empreendimentos e empregos no município, as melhorias na educação e na saúde, as parcerias estabelecidas com outras entidades governamentais e da sociedade civil e as reformas estruturantes empreendidas na própria máquina administrativa.

Fundamental é indicar a continuidade, se houve, de ações das gestões anteriores e quais foram elas, os problemas encontrados e solucionados, indicando, ainda, as dificuldades encontradas para o bom desempenho de suas tarefas institucionais.

Tudo o que foi dito traz algo subjacente. Nem sempre o que foi feito é de conhecimento público.

Isso se aplica, obviamente, a Campina Grande. Será possível alguma resposta mesmo antes da eleição de novembro?

Gostaríamos de lembrar alguns gargalos enfrentados por nossa população objeto de comentários anteriores e que passamos a enumerar – não todos.

1º Mobilidade Urbana – A mobilidade urbana tem estado cada vez mais presente no debate sobre o futuro do Brasil, notadamente em razão de seus efeitos sobre a vida de quem mora nas cidades, não mais como uma simples técnica da engenharia, do mero transportar, mas também por sua função social. A tecnologia deve ser um instrumento alinhado às necessidades do cidadão. Isso sim, torna as cidades espaços inteligentes. Os espaços reduzidos no centro de Campina ainda são mal aproveitados ou não oferecem as condições mínimas de mobilidade humana. São ruas com piso precário e calçadas malconservadas ou inexistentes. E o sistema de transportes públicos ainda apresenta muitos problemas irresolvidos. (Falamos disso em 08 de agosto de 2018 e enfatizamos em 08 de maio de 2019). Sem falar nos estacionamentos.

2º A Feira Central – Ali são mantidos cerca de 12 mil empregos e sete mil pontos comerciais de todos os tipos atendendo a uma população que inclui dezoito municípios. Uma abordagem das estruturas, a avaliação de suas condições físicas e sanitárias, mostra o inexplicável estado de abandono a que relegada. Não existem estudos/projetos (ou estão dormindo nos escaninhos da burocracia) de lay out e adequação dos espaços, padrões para coberturas, boxes, bancas e manipuladores de produtos vendidos, não existem sanitários e banheiros, pias, esgotos, água encanada. Não se sabe o estado das instalações elétricas, não se conhecem áreas para descarga e armazenamento, coleta de lixo e sua destinação. Existe posto de primeiros socorros e um processo de educação das pessoas para enfrentamento da crise da saúde? Existe brigada de combate a incêndio? A Guarda Municipal e a Polícia Militar estão presentes? (Falamos nisso em 17 de abril de 2019).

3º – A economia do município – Apresentávamos um dos maiores PIB’s da região até a década de 1960, com posição de destaque em todo o Brasil. No presente, ocupamos a posição 110ª. no PIB nacional; Recife a 13ª. e João Pessoa a 44ª. Em termos populacionais somos o 59º.

Nosso PIB per capita é inferior a 2/3 do nacional. Estudo divulgado pelo IBGE no início do ano evidencia que Campina Grande deixou de ter a importância de outrora no comércio atacadista, no suprimento de bens como vestuário, calçados, móveis e eletroeletrônicos para comerciantes de municípios de nossa antiga zona de influência.

Foram escolhidos os municípios de melhor performance. Em vestuário e calçados, registramos: Caruaru (2º na pesquisa), Santa Cruz do Capibaribe e Toritama (9º e 10º).

Já tratando de móveis e eletroeletrônicos, se encontram Caruaru (6º) e Patos (22º). Campina Grande também de fora.

Quantas empresas aqui se instalaram nos últimos anos e qual o seu impacto na geração de empregos?

4º Quadro de pessoal – No final de 2012, a Prefeitura dispunha de um quadro de 6.785 servidores, sendo 6.475 efetivos e 310 comissionados. Hoje são 8.838, dos quais 4.157 contratados por excepcional interesse público. São dados do Sistema Sagres do Tribunal de Contas da Paraíba. Qual a razão desse crescimento?

5º Contas Públicas – Como andam as finanças da Prefeitura? Existirão contas não pagas no final do ano. Ficarão quitadas as transferências para instituições beneméritas que executam importantes trabalhos nas áreas da saúde e da assistência social como Casa da Criança Dr. João Moura e Hospital da FAP, por exemplo?

Refletir sobre o que administradores anteriores fizeram bem e, se possível, tomá-los como exemplo.

Será possível à administração que sai publicar uma convocação de credores da PMCG, como fez o Prefeito Williams Arruda no fim de seu mandato nos jornais da Paraíba e Pernambuco? Williams Arruda foi o dirigente que implantou a CELB (energia), a TELINGRA (telefonia) e a hoje Universidade Estadual da Paraíba, dentre outras importantes obras.

Eis o teor da nota.
“A Secretaria da Fazenda Municipal de Campina Grande, considerando que estamos no fim de nossa administração, e que há, ainda, alguns credores de administrações anteriores, com créditos pendentes, convida os mesmos a comparecerem à tesouraria da Prefeitura, a partir de 1º de dezembro vindouro, a fim de receberem o valor de seus créditos. A convocação é dirigida a credores de administrações anteriores visto que da atual não há nenhuma conta a pagar, Campina Grande, 18 de novembro de 1968.” Isso foi transparência.

Confiamos que a administração que nos deixa após oito anos, possa dar resposta ao que expusemos hoje.

O que não foi feito ficará para ser resolvido pelo futuro Prefeito. Se os candidatos acharem que os pontos hoje abordados merecem ser levados em conta, qual a possibilidade de os incluir no seu plano de governo?

É tempo de cobrança pelos cidadãos e prestação de contas pelos que deixam a administração.

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