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Arlindo Almeida: Alguns reflexos da pandemia

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 31 de março de 2021 às 10:32

Em todos os momentos da vida das pessoas e das sociedades, principalmente em tempos de extrema dificuldade, como agora, é necessária uma postura de equilíbrio buscando exercitar as melhores soluções e as suas repercussões no prazo mais longo.

Na expressão popular, “um olho no peixe e outro no gato”. Tratar dos problemas presentes sem descurar do futuro, sempre sabedores de que o que fizermos hoje terá sua cobrança. Os melhores resultados serão, obviamente, consequência dos acertos.

Os problemas do Brasil hoje, são, sem dúvida a gravíssima crise na saúde e o preocupante reflexo na esfera econômica.

Por conta da pandemia, o número de mortes registradas até esta semana, é superior ao de habitantes de uma cidade como Mossoró (RN). Coisa antes inimaginável, parecendo mais o episódio bíblico de Sodoma e Gomorra, ou as previsões catastróficas do Apocalipse. É preciso estancar essa sangria.

Particularizando no campo da economia, as grandes metas nacionais, agora, são apagar os incêndios representados pela queda no PIB, o aumento da inflação, dólar em alta, taxas de desemprego elevadas, elevação do número de pessoas em estado de miséria, passando fome mesmo.

Após as quedas no PIB em 2015 (-3,5%) e 2016 (-3,3%), o Brasil vinha experimentando uma ligeira recuperação; 2017 (+1,3%), 2018 (1,8%) 2019 (+1,4%); mas em 2020 registrou nova queda (-4,1%), a maior em 25 anos. A inflação, sob controle apresentava taxas abaixo das metas do Banco Central, mas tem previsão de alta de 4,9% este ano. A taxa básica de juros da economia já subiu de 2% para 2,75%. O dólar oficial teve elevação de 54% entre abril de 2016 (R$ 3,58) e a cotação atual (R$ 5,50)). A taxa de desemprego em janeiro de 2021 foi de 14,1%. O IBGE divulgou no último trimestre do ano passado que aumentou o número de pessoas em extrema pobreza, atingindo 10,3 milhões, ou seja, sem condições de se alimentar, que teria sido muito maior sem o auxílio emergencial de R$ 600,00.

“A abertura do Auxilio Emergencial mostrou que entre os domicílios particulares permanentes brasileiros 44,1% receberam o benefício”. A cobertura foi maior no Norte (60,6%) e no Nordeste (59,6%). Foi menor no Sul (30,9%), Sudeste (37,2%) e Centro-Oeste (41,9%).

O fato não se repetirá na mesma intensidade com a nova ajuda do Governo, em números bem inferiores, tanto na quantidade de beneficiários como do valor (menos da metade).

O que foi exposto representa o quadro geral do Brasil. Mas os impactos não ocorrerão uniformemente sobre o conjunto do país, composto de regiões de maior ou menor desenvolvimento, envolvendo estados e municípios com PIB’s per capita díspares, com pessoas com diferentes níveis de renda. Entre 2012 e 2020 experimentou-se uma relativa redução das desigualdades de renda, como no quadro abaixo com dados da Fundação Getúlio Vargas.

Entre 2012 e 2020, o número de pessoas com renda abaixo de ½ salário mínimo baixou de 65,8 milhões de pessoas para 50,2 milhões. Entre ½ SM até 2 SM subiu de 103,2 milhões para 133,4 milhões. Indica esse número a ascensão de mais de 30 milhões de pessoas para outra faixa de renda. Para faixas superiores a 2 SM, a quantidade de pessoas se manteve estável. Registre-se uma migração positiva das pessoas de renda menor que ½ salário para o grupo de até 2 salários, passando de 52,31% para 63,01% dos totais.

Cabe aqui uma importante observação. A mobilidade social entre os mais pobres variou segundo a região. Em 2012, na Paraíba, tínhamos a seguinte distribuição, considerando as respectivas faixas de renda e a porcentagem da população:

Essa mudança significativa, certamente deve-se, no primeiro instante à modesta recuperação econômica e, no último ano, ao auxílio emergencial, mas os impactos só poderão ser melhor avaliados quando forem conhecidos dados sobre o comportamento da economia durante 2021, principalmente pelo agravamento da situação, hoje, que poderá reverter significativos ganhos no passado.

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