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Arlindo Almeida: A mulher hoje e na hitória

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 10 de março de 2021 às 18:44

O ápice da luta pela igualdade de gêneros, no mundo, deu-se há 164 anos, no dia 8 de março de 1857, nos Estados Unidos. Foi quando operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque se sublevaram.

Elas recebiam, por igual tarefa, 1/3 do salário dos homens e cumpriam uma jornada diária de 16 horas, que desejavam reduzir para 10. Como castigo, foram trancafiadas em uma das fábricas e houve um grande incêndio que matou aproximadamente 130 operárias.

Como homenagem a essas heroínas, em 1910 foi escolhido o 8 de março como DIA INTERNACIONAL DA MULHER, ponto de partida para uma longa jornada de busca de reconhecimento do papel fundamental da mulher na construção do mundo e o seu direito insofismável de igualdade.

De fato, forçoso reconhecer que muitos progressos foram alcançados nesse mais de um século e meio, mas ainda estamos longe de atingir a justa organização social em que todos os indivíduos tenham os mesmos direitos. Segundo a Organização Internacional do trabalho, “ao longo de sua vida profissional, as mulheres continuam a enfrentar obstáculos os mais variados no acesso a empregos dignos”. 

As mulheres evoluíram mais que os homens na educação, mas, nem por isso, as oportunidades de emprego aumentaram de forma significativa. No Brasil, a taxa de escolaridade das mulheres no ensino superior é de 23,5%, ante 20,7% dos homens; no ensino médio 73,5% ante 63,2%. 

Entretanto, os níveis de desemprego são maiores para as mulheres e os salários são mais baixos na média.  No mundo, as oportunidades de trabalho dos homens são de aproximadamente 20 pontos acima das chances das mulheres.

No Brasil somos 51,8% de mulheres e 48,2% de homens, diferença de mais de sete milhões e meio de pessoas, quase duas vezes a população da Paraíba. Mas a taxa de desocupação das mulheres é 17,6% maior que a dos homens. 

o Nordeste as taxas de desocupação são de 10,5%% para os homens e de 13,6% para as mulheres. O salário médio no Brasil é de R$ 2.323,00, sendo para os homens R$ 2.574,00 e para as mulheres R$ 1.995,00. Em elação à média dos homens mulher recebe menos 24,92%.

Ademais, as mulheres são sobrecarregadas como trabalhadoras sem remuneração ao cuidar dos afazeres domésticos, ou em alguma modalidade de trabalho informal. Com menos tempo disponível, as mulheres ficam impossibilitadas de acessar a uma atividade remunerada plena, sujeitas, portanto, a fazer “bicos”.

Mas isso não se restringe unicamente a nós no Brasil ou a outros países periféricos. Tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, o trabalho não remunerado é proporcionalmente maior entre as mulheres. 

A OIT calcula que mantidas as tendências atuais, será necessário mais de meio século para eliminar as disparidades salariais de gênero, que são hoje de 17,5%. O homem tem um salário de 100 e a mulher de 83, isso considerando funções iguais.

A injustiça, a diferença, não é de hoje, começou a milênios, ainda nos 6.000 anos que durou a Era Paleolítica, também chamada de Revolução Agrícola. 

Nas primeiras comunidades humanas, a mulher ocupava, em certos casos, uma posição de superioridade em relação ao homem, ou no mínimo de igualdade.  A importância da mulher residia na circunstância de que criou e difundiu comportamentos culturais e de conhecimentos acumulados pelo grupo, transferindo-os às novas gerações. 

Até certo ponto, não é exagero afirmar, que a transformação do homem caçador-nômade, em agricultor-sedentário, foi obra das mulheres, assim como a domesticação dos animais (origem da pecuária), a fabricação da cerâmica, a fiação e a tecelagem (linho e algodão), a medicina caseira etc. Em outras palavras, a ação da mulher foi primordial para o desenho do que conhecemos hoje como agronegócio, indústria e medicina.  

Gradativamente as mulheres tiveram diminuída essa ascendência, passando a exercer um papel secundário na sociedade que, infelizmente, persiste até hoje, apesar dos inegáveis progressos.

Seria de todo conveniente não perder de vista o que conclui a OIT, ao dizer que “para alcançar uma efetiva igualdade entre homens e mulheres no trabalho, é essencial que as sociedades reconheçam que ambos, homens e mulheres, têm o direito e a responsabilidade de trabalhar e prestar cuidados”.

Ouso dizer, sem medo de errar, que esse conceito deve se estendido a todas as atividades humanas, e não apenas ao trabalho. Os desafios da humanidade são tão grandes que, na solução dos problemas, não poderemos, jamais, prescindir da maior parte da população, que é constituída de mulheres, mesmo porque elas são tão competentes quanto os homens e dotadas de um excepcional feeling, superior percepção de coisas geralmente ocultas aos olhos masculinos –  perspicácia, discernimento, intuição, instinto.

É preciso mudar essa triste realidade brasileira e mundial. Fica  minha admiração pela mulher.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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