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Arlindo Almeida: A Campina que queremos

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 19 de fevereiro de 2020 às 11:48

A realização, este ano, de eleições para Prefeito de Campina Grande, é momento de reflexões sobre o que deveria ter sido feito e não o foi, por falta de uma visão estratégica do desenvolvimento do município, tornando-nos reféns de incertezas.

Com efeito, vai longe o tempo em que Campina Grande representava cerca de 40% do Produto Interno Bruto da Paraíba, sendo responsável por 50% da arrecadação tributária do estado. Isso mudou, e muito: Hoje temos metade do PIB da capital.

Campina Grande, que já foi o 23º município do Brasil em importância econômica, líder no Nordeste, ocupa hoje pálida posição dentro mesmo da nossa Região. O crescimento percentual do nosso PIB entre 2002 e 2016 foi o menor entre dez cidades importantes – não capitais – corroborando o que aqui se diz. Enquanto, no período, Petrolina cresceu 733%, Campina Grande ficou na última posição com 369%, a metade da taxa daquele município pernambucano. Acima de Campina Grande ficaram, em ordem crescente, Cabedelo (483%), Guarabira (487%), Nova Cruz – RN (489%), Feira de Santana (504%), Caruaru (525%), Arapiraca (525%), Juazeiro – CE (555%), Picos – PI (603%) e Santa Cruz do Capibaribe (613%).

Como exemplo da falta de compromisso podemos citar um fato: em 2016, foi elaborado pela empresa MACROPLAN, dirigida pelo brilhante economista campinense Cláudio Porto, um Plano Estratégico de Desenvolvimento, bancado pela Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, que custou cerca de R$ 1,5 milhão. Esse belo trabalho, com profundas raízes na experiência de muitas outras cidades, elegeu como parâmetros: pesquisa qualitativa, benchmarking e estudo de tendências. A metodologia consistia em:  DIAGNÓSTICO (onde estamos), PROGNÓSTICO (onde podemos chegar), e VISÃO DE FUTURO (onde queremos chegar).

O importante documento, que usando uma linguagem metafórica, era uma espécie de carta de navegação a que sujeitos todos os comandantes de uma aeronave, foi deixada de lado e o destino do avião se tornou incerto. 

Mas os problemas de Campina Grande não se esgotam no desprezo pelo planejamento estratégico das ações de Governo. Muita coisa do dia a dia, o trivial simples, atrapalha a vida do cidadão.

Vejamos alguns, que têm sido foco de muitos comentários, nossos e de pessoas bem mais qualificadas, que dão força aos argumentos:

1º – Degradação das áreas centrais da cidade. Quem vê alguns belos álbuns com fotografias de Campina Grande, fica entristecido com a beleza perdida. São construções malconservadas, como o antigo Fórum Afonso Campos, os antigos Correios e Telégrafos, a Praça Clementino Procópio (hoje antro de marginais), as Secretarias de Finanças/Administração com pichações que também existem na Recebedoria de Renda, na Associação Comercial, nos Correios. A Praça da Bandeira está se tornando um local inóspito, e o Calçadão da Cardoso Vieira cortado por um esgoto a céu aberto que exala odores nada agradáveis, fruto do uso de pessoas que pernoitam no local sem um sanitário público que possam usar.

Sem falar como estado das calçadas e meios-fios, ruas esburacadas um perigo para os carros e transeuntes, em qualquer das vias do centro. Exemplo da Rua Padre Ibiapina, em que a passagem de pedestres tornou-se proibitiva tal o estado das calçadas (sic), 

2º – O trânsito de autos é caótico em certas horas do dia e não se vê um só funcionário da STTP para orientar motoristas e pedestres. Mas a indústria de multas continua de vento em popa, enchendo-se a cidade de faixas e câmeras que não resolvem o problema – dar fluidez na movimentação.

3º – A Guarda Municipal, se ainda existe, está desaparecida. Não se vê um só componente da entidade nos pontos em que a simples presença já inibiria a ocorrência de delitos menores.

4º – A Feira Central, que durante muitas décadas foi um símbolo de Campina Grande, está completamente abandonada, com passagens cada vez mais estreitas, dificultando o vai e vem de pessoas e de carrinhos de mão com mercadorias, sem um sistema de segurança (policiamento) para o frequentador da feira, sem uma unidade do Corpo de Bombeiros que possa evitar (ou minimizar) a ocorrência de um incêndio como já aconteceu em muitos lugares no Brasil e no mundo. Mas, mesmo assim, é palco de shows artísticos como se estivéssemos no melhor dos mundos possíveis. 

5º – São conhecidos os pontos de alagamento, quando ocorre uma chuva de médias proporções. São os mesmos, atrapalhando/impedindo a passagem de veículos e do cidadão. São exemplos clássicos: Rua Severino Cruz, girador no início da Vigário Calixto e, na mesma Avenida, em frente ao Shopping Sebrae, Rua Almeida Barreto, Avenidas Assis Chateaubriand, Juscelino Kubistchek e Vigolvino Wanderley.

6º – Não poderíamos terminar sem fazer uma breve observação sobre o Complexo Aluizio Campos, afastado do centro de Campina Grande e trazendo complicações de mobilidade urbana. As boas técnicas de planejamento, aqui e no mundo inteiro, indicam a necessidade de adensamento das cidades dentro de parâmetros razoáveis, evitando-se o desperdício de recursos públicos já aplicados em infraestrutura de áreas tradicionais, em que as economias de aglomeração e uma rede de serviços e de geração de empregos estejam próximas. A população do Aluizio Campos se aproxima do total de habitantes da zona urbana de Esperança. Para não chorarmos futuramente sobre o leite derramado, é indispensável que os futuros dirigentes pensem o Aluizio Campos de uma forma holística, uma junção de partes importantes – emprego/renda, qualidade de vida, bons serviços, segurança, etc. –  que busca entender os fenômenos por completo, inteiramente, e não apenas um lugar para habitação de pessoas. 

Meditemos sobre isso, e coisas mais, ao fazer a escolha do futuro governante de Campina Grande.

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