Arlindo Almeida: 2017 – PIB e desigualdades regionais

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 18 de dezembro de 2019 às 9:07

Neste dia 13 de dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, referentes ao ano de 2017.

O resultado é desalentador, mostrando que sete municípios, com 13,6% da população, responderam por quase 25% do PIB do Brasil; “os 69 municípios de maiores PIBs representavam, aproximadamente, ½ do total e um pouco mais de 1/3 da população do País”. Em contraste com esses números, os 1 324 municípios de menores PIBs (24% do total), que tinham 3,1% da população, responderam, em 2017, por apenas 1,0% do PIB nacional. 

No que diz respeito à Paraíba, os números são ainda piores. Desses pequenos municípios, a Paraíba apresentou 133 de menor PIB (10% do total nacional), que são cerca de 60% dos municípios do estado.

O que há de pior nos resultados, é a evidência de desigualdades na distribuição da riqueza nacional, com o aprofundamento da concentração de renda, não apenas no caráter geográfico, mas, principalmente, em relação às pessoas. 

Mas, continuemos falando de desigualdades:

1º – O PIB per capita de Paulínia, em São Paulo, atingiu R$ 344 mil, ou 10,85 vezes maior que o PIB per capita nacional;

2º As três cidades de maior PIB na Paraíba, atingiram o seguinte resultado: a) João Pessoa 🡪 PIB per capita de R$ 24 mil, ou 75% da média nacional que foi de R$ 31.700,00; b) Campina Grande 🡪 PIB per capita de R$ 21 mil, ou 66,6% da média; c) Cabedelo, R$ 42 mil per capita, 133% da média nacional – nosso melhor resultado.

Mas esse quadro não se esgota e tem relevantes desdobramentos quando se penetra um pouco no universo dos 223 municípios da Paraíba. 

Entre nós, as desigualdades podem ser melhor compreendidas se ampliarmos a análise para as mesorregiões em que se divide o Estado, a saber: a) Mata Paraibana, cujo polo é João Pessoa; b) Agreste Paraibano, cujo polo é Campina Grande c); Sertão Paraibano, cujo município mais populoso e importante polo regional é Patos; b) e d) Borborema, cujo polo é Monteiro.  

A mesorregião é uma Unidade territorial com características físicas, econômicas e sociais homogêneas e que resulta do agrupamento de microrregiões.

Pelos dados do IBGE, a situação é a que segue, evidenciando o número de municípios por mesorregião, o PIB de cada uma e a participação no PIB do Estado.

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A região da Mata, com aproximadamente 40% da população, detém 51% do PIB do Estado e isso tende a crescer ano a ano. Essa distribuição não é benéfica para a Paraíba, carecendo de uma atenção especial de nossos governantes.

Tudo o que foi feito até hoje não foi capaz de reverter esses números. A Paraíba deve mudar a direção até agora seguida, centrando seus esforços em torno de metas ambiciosas de eixos estratégicos, tais como:

  1. a) retorno ao 4º lugar no ranking das economias regionais (hoje caímos para o 6º lugar e o Piauí (7º) está crescendo a taxas muito superiores às nossas); 
  2. b) perseguir um PIB per capita igual ou maior que o PIB per capita do Nordeste (hoje de aproximadamente 50% da média nacional);  
  3. c) corrigir as desigualdades entre as regiões do Estado.
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