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Apaixone-se por cérebros

Ribamildo Bezerra. Publicado em 8 de julho de 2016 às 20:01

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Apaixone-se da forma mais arbitrária possível. Porque a paixão por si só já é um sentimento arbitrário, uma patologia benéfica que nos faz cegar para o lado negro que fatalmente um dia descobriremos em nosso objeto de desejo.

Vamos lá. Apaixone-se sem medo, até por que não haverá nada de ilegal em se deixar  extasiar pelo segundo órgão mais metafórico do corpo humano.

Apaixone-se por cérebros e não por corações. Consiga ver beleza na racionalidade, nas ‘sinapses neurais clássicas’ que produzem vida elegante, com dose de requinte e educação.

Prefira cérebros bem humorados, cientes do seu papel e importância, com criticidade suficientemente apurada, e um timing de sagacidade invejável.

Fuja de cérebros onde o instinto se sobreponha à inteligência, de autoestima duvidosa, que se julgam originais demais para serem aceitos por qualquer tipo de pessoa, ou que estampam certa tranquilidade ou alegria, conquistada à base de química farmacêutica.

Apaixone-se deliberadamente por muitos cérebros, de vários estilos, de formas diferentes, de características singulares. Se entregue por inteiro sem medo da promiscuidade, já que neste tipo de relação você não encontrará nenhum vínculo ligado à idiotia do ciúme ou da desconfiança, ou mesmo nunca saberá de alguém que foi para a cama com outra pessoa exclusivamente pela qualidade do cérebro.

Liberte-se de qualquer tipo de miopia sentimental. Você logo perceberá que apaixonar-se por um cérebro é acima de tudo uma forma de respeito, uma veneração a um projeto único da natureza o qual jamais se repetirá. Um exemplo clássico da individualidade da Criação traduzida em gestos, ideias e atitudes.

Apaixone-se por cérebros, conquiste-os passe a amá-los. Só assim quando todas as suas ambições desejos e utopias estiverem niveladas pelo desgaste do tempo, poderá se surpreender ao perceber que amando cérebros se aproximará muito do verdadeiro sentimento outrora idealizado e que enfim se mostrou tão real e presente durante toda uma existência.

Ribamildo Bezerra – Jornalista

 

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