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Campina Grande - PB

Aniversário da Câmara e da Vila de Campina

20/03/2017 às 18:31

Fonte: Da Redação

Por Josemir Camilo

O 20 de abril traz para Campina um momento de celebração que está gradativamente caindo no esquecimento: agora se comemoram 227 anos de emancipação.

Eis um ponto de confusão na memória histórica local, a emancipação de Campina Grande, geralmente, é atribuída à data de 1864, o que não é correto; emancipação é quando um lugar se separa de outro que o administrava. Em 1864, Campina passou de Vila à Cidade. Ela já era autônoma, porque era município, com Câmara e Pelourinho, desde que passara à Vila. A sua emancipação verdadeira se deu quando foi elevada à categoria de Vila Nova da Rainha, em 1790.

Era povoado e, em alguma coisa, dependia de São João do Cariri, pois, por esta ser freguesia desde 1750, e Julgado de Paz, a partir de 1776, estas duas jurisdições obrigavam o ‘freguês’ (termo religioso, originário de Freguesia, o mesmo que Paróquia), como escreve Elpídio de Almeida, a sair do povoado Campina Grande e ir resolver suas coisas no Cariri.

A polêmica para criar uma vila nos sertões do Cariri de Fora durou desde a decisão das autoridades portuguesas instaladas, com seu super comando, em Pernambuco (a capitania da Paraíba, por economia da Metrópole, fora anexada à vizinha) e para a vizinha do sul, mandou um General que mandava nos outros governadores e que eram, ao mesmo tempo, capitães-mores.

A ideia de criar vila não nasceu de dentro para fora, malgrado o choque que isto possa causar na identidade municipal. Era uma estratégia da metrópole, que ordenara àquele general, plantado (de plantão) em Pernambuco, pela Real Ordem de 22 de julho de 1766, que criasse vilas, na povoação dos Cariris, e que se denominará Vila Nova da Rainha; na povoação do Seridó, Vila Nova do Príncipe; e na povoação do Açu, Vila Nova da Princesa.

No entanto, o governador-general, Dom Tomás José de Melo, só em 28 de abril de 1788, é que deu a autorização ao Ouvidor para consultar as populações sobre onde deveria fundar essas vilas. Depois de andanças, o ouvidor, indo a cada um daqueles povoados, passou por Campina e, sem ir até o Cariri (na época chamado também de Travessia), decidiu ser em Campina que se deveria fundar a Vila Nova da Rainha, em homenagem a Dona Maria I. (Contradições da História: enquanto os campinenses davam vivas à Rainha, por esta ascensão social e política, gemia nos cárceres, o Tiradentes, que dois anos depois de nossa vila criada, foi enforcado e esquartejado).

Mas voltemos ao narrador, o Dr. Elpídio de Almeida, que relata a chegada do Ouvidor ao povoado de Campina Grande e mandou publicar, provavelmente, nas portas da igreja a seguinte certidão: “Certifico que com minha presença se fixou o edital pelo qual se fez público o levantamento do pelourinho nesta nova Vila da Rainha e de se proceder à eleição das Justiças que hão de servir na mesma no dia vinte do presente mês, o qual edital foi publicado no lugar mais público desta povoação pelo Porteiro na forma do estilo. Povoação de Campina Grande, 18 de abril de 1790.

Dois dias depois, nascia a Câmara de Vereadores de Campina Grande, com o seu pelourinho, no Largo da Matriz: “Aos vinte dias do mês de abril de mil setecentos e noventa anos, nesta Povoação de Campina Grande da comarca da Paraíba do Norte, no terreno do meio dela, onde veio o Desembargador Antônio Felipe Soares de Andrada Brederodes, Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca, comigo escrivão do seu cargo ao adiante declarado e a maior parte das pessoas mais capazes deste termo, e sendo no lugar do Pelourinho que o dito Ministro mandou fazer, aí por mandado do mesmo Ministro, foi por mim escrivão lido a todas as pessoas presentes o transunto da carta do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor General de Pernambuco.

Dom Tomás José de Melo, edital e ordem de Sua Magestade Fidelíssima, registrados neste livro; depois do que, por mandado do dito Ministro, o Meirinho Geral da Correição, Leandro de Sousa Vinani (?), em voz alta e inteligível foi dito três vezes – Real – Real – Real, viva a Nossa Rainha Fidelíssima, a Senhora Dona Maria I de Portugal, cujas palavras repetiu todo o povo em sinal de reconhecimento da mercê que recebia da mesma Soberana Senhora, pela criação desta Vila Nova da Rainha, e de tudo para constar mandou o dito Ministro fazer este termo em que assinou com todas as pessoas que presentes estavam. Eu, Luís Vicente de Melo, Escrivão da Correição, o escrevi. Antônio Felipe Soares de A. Brederodes”.

Estava, assim, emancipado, de São João do Cariri, o povoado de Campina Grande que, em troca de sua independência, teria, oficialmente, que usar outro nome: Vila Nova da Rainha. O povo deu foi muxoxo pra rainha: ficou sempre Campina Grande.

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