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Campina Grande - PB

Amor por Belém

25/07/2017 às 7:49

Fonte: Da Redação

Por Ailton Elisiário (*)

Neste último final de semana estivemos visitando Belém do Pará. Fomos participar das comemorações dos 90 anos de fundação da Grande Loja do Pará e do Congresso Nacional da Ordem DeMolay. Foram três dias de muitas atividades, mas conseguimos algum tempo para um “tour” acelerado pela cidade. Os pontos que conseguimos nos encaminhar foram o tradicional Mercado Ver-o-Peso, o Forte do Castelo, a Casa das 11 Janelas, o Mangal das Garças e as Igrejas de Santa Maria da Graça de Belém do Grão-Pará e de Nossa Senhora de Nazaré.

Minha última vinda a Belém já decorreu uns 30 anos, época em que na presidência da CELB – Companhia de Eletricidade da Borborema, a então empresa pública municipal de energia elétrica de Campina Grande, compareci a uma das reuniões da AEDENNE – Associação das Empresas de Energia Elétrica do Norte e Nordeste. Socorro tinha um tempo assemelhado ao meu, que ali também havia estado. De sorte que, por tão longo espaço temporal decorrido, para nós parecia que estávamos indo a Belém  pela primeira vez.

Visitamos a Casa das 11 Janelas, construída no Século XVIII às margens do rio por Domingos da Costa Bacelar, um dos Barões da Borracha, hoje transformada em museu de arte moderna e contemporânea com obras de artistas como Tarsila do Amaral, Rubens Gerchman, Ismael Nery, Lasar Segal e outros. O Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo ou Forte do Presépio, uma pequena fortificação construída  pelos portugueses no Século XVII sob o comando do Capitão Francisco Caldeira Castelo Branco, também hoje um museu da cultura indígena marajoara, com suas canhoneiras voltadas para a baía do Guajará.

A Catedral da Sé, de estilo neoclássico e barroco, com seus 400 anos de construída, integra esse complexo histórico, estando à frente do Forte e ao lado da Casa. Parte de sua arquitetura foi do italiano Antonio Landi, o altar principal trazido por inteiro de Roma sendo obra de Luca Carimini, as telas nos seus 10 altares pintadas por Domenico de Angelis e Giusepe Capranesi e o órgão que é o maior da América Latina, feito pelo francês Aristide Cavaillé-Coll em 1882, ainda fazendo ecoar seus acordes e sua harmonia.

Dessa Catedral sai a procissão do Círio de Nazaré para a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, de arquitetura neoclássica e eclética, a única basílica santuário da Amazônia brasileira. São centenas de milhares de pessoas que saem em procissão conduzindo de uma para a outra igreja, a imagem peregrina de Nossa Senhora esculpida pelo italiano Giacomo Muzner. A imagem original encontrada no  igarapé Murututu por Plácido José de Souza permanece na basílica.

O Mercado Ver-o-Peso, uma área aonde uma imensa movimentação de pessoas faz circular um bom volume de moeda com as operações comerciais nas centenas de barracas de peixes, frutas, ervas medicinais, temperos, essências, doces e outras especiarias. E o Mangal das Garças, um parque naturalístico às margens do rio Guamá, com fauna e flora magníficas, com a predominância de aves aquáticas como as garças e guarás, e plantas como aninga, açaí e buriti. Todos os fins de tarde a revoada das garças dá um toque de imensa beleza ao parque encantando os visitantes.

Pena que o tempo de lazer foi pouco diante dos nossos compromissos. Mas, mesmo assim, Socorro ainda fez um bom passeio com as amigas pelo rio se refrescando com o sorvete de cupuaçu, enquanto eu me deliciava com a tacacachaça servida na cuia degustando um bom peixe filhote. Como não pude provar de tudo o que eu tinha vontade, a exemplo de um pato no tucupi no almoço e um tacacá no fim da tarde, a viagem foi um aperitivo para lá voltar outro dia e poder declarar o meu amor por Belém, tal qual fez o escritor Mário de Andrade há 90 anos passados, quando em junho de 1927 escreveu ao amigo Manuel Bandeira dizendo: “quero Belém como se quer um amor”.

(*) Advogado, professor, membro da ALCG

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