Alexandre Moura: Segurança de dados pessoais em cheque

Alexandre Moura. Publicado em 29 de janeiro de 2021 às 8:52

O “vazamento” de dados e informações pessoais de brasileiros, parece até que virou rotina. Praticamente todo mês, se tem notícia deste tipo de crime. O mais recente é a “falha gigante na proteção de dados” que deixou “visível” cerca de 40 milhões de CNPJs e 223 milhões de CPFs (incluindo informações de pessoas já falecidas).

O caso de tamanha irresponsabilidade, está sendo investigado pelo PROCON de São Paulo e pela SENACON – Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça.

As duas entidades notificaram a empresa “Serasa Experian”, sobre o ocorrido, para que à mesma dê explicações.

O MPF – Ministério Público Federal está analisando o caso, devendo se posicionar nos próximos dias.

Caso seja comprovado que o vazamento tenha origem na empresa, as penalidades constantes na LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados e no CDC – Código de Defesa do Consumidor, devem ser aplicadas de forma exemplar! Não dá para se conviver com esse tipo de desrespeito a privacidade das pessoas!

Segurança de Dados Pessoais em Cheque (II)

Os dados disponibilizados criminosamente, constitui risco inclusive para a segurança das pessoas (criminosos podem fazer uso deles) pois inclui além do número do CPF, RG (Número da Identidade e órgão emissor), nome, gênero, data de nascimento, endereço (com até georreferenciamento), telefone, e-mail, renda, estado civil, fotos, lista de parentes, escolaridade e score de crédito (que nada mais é que, o “resultado dos hábitos de pagamento e relacionamento do cidadão com o mercado de crédito”). Ou seja, todas as informações possíveis, de um cidadão brasileiro.

No caso das empresas (CNPJs) as informações vasadas vão na mesma linha, com dados completos da companhia e de seus dirigentes. Ao todo são 37 bases de dados com milhões de informações sensíveis.

Uma dessas bases, segundo o site “tecnoblog.net”, tem “dados do Mosaic, serviço da “Serasa Experian” que classifica os consumidores em 11 grupos e 40 segmentos”, informações que são usadas para “fazer anúncios segmentados e prospecção de clientes”.

Esse vazamento tem que ser investigado e os responsáveis punidos, cível e criminalmente!

Segurança Cibernética e a Coreia do Norte

Ainda no tema “Segurança de Dados e Informações”, o Google fez uma revelação a poucos dias, que é bastante grave. Segundo técnicos, que fazem parte do TAG – Threat Analysis Group (Grupo de Análise de Ameaças) da empresa, a “Coreia do Norte (CN) tem feito uma campanha sistemática para atacar pesquisadores da área de segurança cibernética (segurança da Internet), sobretudo aqueles que tenham encontrado falhas de segurança em sistemas utilizados por empresas”.

Pelo que foi informado pelos componentes do TAG, foram criados pela CN blogs “de pesquisa” sobre o tema segurança cibernética, com “análises de vulnerabilidades divulgadas publicamente, para parecerem legítimas”, e depois contactar pesquisadores legítimos pedindo contribuições e assim, obter “informações valiosas” sobre a proteção dos sistemas.

Para atrair os pesquisadores, foram usadas mensagens de e-mail e as redes sociais, Twitter, LinkedIn, Telegram, Discord e Keybase.

O assunto ainda está sendo investigado e caso realmente seja comprovado, é uma nova e inusitada, forma de espionagem. Complicado!

E-commerce

 Agora vamos tratar de um tema mais ameno. Não é necessário repetir que, durante a pandemia, o e-commerce (comércio eletrônico) cresceu ainda mais rápido, amealhando cada vez mais consumidores. Vamos tratar aqui, de dois componentes do comércio eletrônico e que muitas vezes, não são observados – sob alguns ângulos – pelas empresas, como fatores importantes. O primeiro é o Marketplace (Shopping Center virtual ou Plataforma online que reúne vários vendedores ou prestadores de serviços em um só “endereço”, na Internet). Diversas pesquisas ao longo dos últimos anos (e no difícil 2020, não foi diferente), mostram que, cerca de ”50% de todas as vendas, em nível mundial, do comércio eletrônico ocorrem em Marketplaces. Mas (sempre tem um “mas”), o consumidor que visita este tipo de espaço, “procura produtos/soluções em vez de marcas”. Ou seja, no caso de seu negócio está incluído em um Marketplace, “construir e fazer conhecida (caso ela não seja) sua marca” é muito difícil e precisa ser, devidamente, trabalhada (nesse ambiente) por quem entende. O segundo componente, é a “Retenção do Cliente” que utiliza o comércio eletrônico, que por natureza é mais volátil que o cliente de uma “loja física”. Por este motivo, é importante ter um bom plano de marketing que “vise recompensar e incentivar (com programas de fidelidade e/ou de assinaturas) os clientes”. Atender, com ações e atitudes, os dois itens mencionados acima, não é fácil e nem barato, mas precisam estar na preocupação dos empresários. Fica a dica.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Alexandre Moura
Alexandre Moura

Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP - Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube