Alexandre Moura: Sebrae e “SCD”

Alexandre Moura. Publicado em 11 de junho de 2021 às 9:46

Nos próximos meses, o SEBRAE Nacional vai lançar uma SCD – Sociedade de Crédito Direto voltada para apoiar as MPEs (Micro e Pequenas Empresas). A SCD é “um tipo de instituição financeira que tem por objetivo a realização de operações de empréstimo, de financiamento e de aquisição de direitos creditórios, exclusivamente por meios digitais”. Ou seja, a “SCD do SEBRAE” será uma FINTECH, um modelo de empresa financeira que utiliza inovação e tecnologia, para realizar seus negócios.

Os serviços disponibilizados pela FINTECH (do modelo a ser adotado pelo SEBRAE) “são realizados em plataformas online ou aplicativos para smartphones, o que reduz os custos com agências físicas e que consequentemente, não são repassados aos clientes por meio de taxas e outros encargos”.

A ideia é ter um capital inicial, de R$ 600 milhões, que poderá ser substancialmente aumentado, através de parcerias (para aporte de novos recursos) com outras entidades. Excelente e oportuna, iniciativa!

“Dinheiro Digital”

 Um documento, recentemente divulgado pelo Citibank (www.citibank.com) – banco americano com sede na cidade de Nova York – apresenta algumas questões interessantes sobre a “digitalização do dinheiro”, em nível mundial.

Denominado de “Future of Money – Crypto, CBDCs and 21st Century Cash” (numa tradução livre: O Futuro do Dinheiro – Criptomoedas, CBDCs e a Moeda do Século 21), o texto com a análise dos especialistas do banco, é bem vasta.

Destaco aqui, dois itens da análise: “As moedas digitais sendo criadas por diversos bancos centrais” (vide a última coluna, onde escrevi sobre o “Real Digital”) e a “necessidade dessas moedas digitais, serem amplamente acessíveis, transferíveis em tempo real para qualquer lugar do planeta e sempre disponível” (24h por dia 365 dias do ano).

“Dinheiro Digital” (II)

Vale destacar que, para cerca de um terço dos Bancos Centrais, no máximo em três anos, as moedas digitais oficiais (como o Real Digital) vão ser usadas no comércio varejista, como usamos hoje dinheiro “em papel” e cartões de crédito.

As questões, levantadas pelo documento do Citibank, tem origem também, na criação no passado recente, das criptomoedas (como a Bitcoin), no avanço exponencial do e-commerce (comércio eletrônico) em nível global e da velocidade de divulgação e troca de informações, que a Internet propiciou a todas as atividades econômicas da humanidade. Ou seja, na minha opinião, o avanço da tecnologia e a consequente digitalização da economia mundial (sistema financeiro incluído), está “forçando” os governos (via os Bancos Centrais de cada país) a agir!

E o somatório de tudo isso vai desaguar numa modificação profunda, do sistema financeiro mundial e no fim do papel moeda como conhecemos hoje, mais rápido do que o previsto.

Falta de Semicondutores e a Industria Automobilística

 Várias fábricas de automóveis no Brasil (e em outros países também) estão com dificuldades para retomar a produção de vários tipos de carros. É fato que a pandemia “bagunçou” a cadeia produtiva de vários segmentos industriais, sendo um dos mais afetados (se não o mais afetado) em nível mundial, a fabricação de veículos automotores.

Dentre os insumos que literalmente sumiram do mercado, estão os semicondutores (matéria prima para fabricação de chips de computadores), “ingrediente” primordial dos equipamentos eletrônicos presentes nos carros do século 21.

Diferentemente dos chips utilizados em computadores pessoais e smartphones, “os chips utilizados nos carros são os mais simples do mercado (e por conseguinte, mais baratos e com menor retorno financeiro) e por este motivo estão “no final da fila” de prioridade, para fabricação pela indústria mundial de chips.

Outro fator que impacta na produção é o número muito pequeno de fabricantes deste tipo de equipamento, basicamente concentrados na Coreia do Sul, China e em Taiwan.

Para se ter uma ideia do “tamanho do problema”, um carro utiliza em média 1.100 itens que demandam semicondutores em sua fabricação.

Segundo os fornecedores, ainda vai levar alguns meses para o mercado de semicondutores, voltar ao mesmo patamar de fins de 2019. Ou seja, o problema vai continuar.

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Alexandre Moura

Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP - Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

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