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Alexandre Moura: Embraer e os hackers

Alexandre Moura. Publicado em 11 de dezembro de 2020 às 8:26

Os ataques de hackers aos sistemas de computadores que vem acontecendo nas últimas semanas, em órgãos públicos (incluindo o Judiciário) e empresas, atingiu a EMBRAER, terceira maior fabricante mundial de aeronaves e a empresa brasileira de alta tecnologia, mais importante do hemisfério sul.

Fazia alguns dias, que a empresa tinha admitido a invasão sem dar mais detalhes do ocorrido. Entretanto, essa semana, os invasores “vazaram alguns dos arquivos privados da empresa, devido a recusa de sua diretoria (com razão, na minha opinião) em negociar o pagamento de um determinado valor para os criminosos”.

Os arquivos roubados foram disponibilizados em “um endereço da dark web” (a Internet, digamos “ilegal”, utilizada por criminosos de todo o mundo) e tinha dados relacionados a “contratos de vendas de aeronaves, recursos humanos e tecnologias” desenvolvidas pela EMBRAER.

No mínimo, é um assunto preocupante para qualquer empresa.

Em breve o CDCAER

Preocupado com estas invasões o Governo Federal e as Forças Armadas têm procurado investir na defesa cibernética de nossa infraestrutura (que inclui também, indústrias estratégicas para o Brasil, como a EMBRAER).

O mais recente investimento nessa área está sendo feito pela FAB – Força Aérea Brasileira através do início da implantação do CDCAER – Centro de Defesa Cibernética da Aeronáutica.

O CDCAER terá a responsabilidade de proteger e dar segurança ao Sistema de Controle do Espaço Aéreo, às Atividades Espaciais e dos equipamentos e setores da FAB responsáveis pela Defesa do Espaço Aéreo brasileiro.

Inicialmente, o Centro ficará ligado ao Centro de Computação da Aeronáutica de Brasília e posteriormente, terá estrutura e pessoal qualificado próprio.

O CDCAER vai “planejar, executar, controlar e supervisionar as atividades relacionadas à proteção e a capacidade de ataque cibernético, em nível mundial, da FAB”. Ótima e necessária, iniciativa.

Brasil entre os dez

Os últimos ataques hackers mencionados acima, confirmam os dados constantes de um relatório da empresa multinacional Trend Micro, especializada em cyber segurança e segurança na nuvem, que coloca o Brasil entre “os dez países com mais ameaças cibernéticas detectadas no mês de outubro passado”.

Denominado de “Fast Facts”, o documento faz um levantamento, em nível mundial, “das ameaças cibernéticas a cada mês do ano” e colocou o Brasil como um dos principais alvos de ataques em mensagens disseminadas por e-mail no mês de outubro”.

Segundo a Trend Micro foram mais de 71 milhões de detecções de tentativas de ataque no mês, ficando o país atrás apenas, dos Estados Unidos, Rússia e Japão. Ou seja, o risco é real e enorme, tanto para as pessoas físicas, empresas e órgãos públicos.

A necessidade de defesa para este tipo de crime fica clara e precisa ser levada a sério, por todos os envolvidos. Caso contrário, os prejuízos podem ser imensos.

Três Internets

Pouca gente tem percebido que temos hoje, três Internets em funcionamento (pelo menos no modus operandi) no mundo. A primeira, que podemos chamar de “tradicional ou original” é a americana que é “bem comercial” e tem as grandes empresas de TI (Tecnologia da Informação) “dominando o ambiente” sendo por isso mesmo, “sem controle, dinâmica e inovadora”.

A “segunda Internet” é a europeia, que já tem um certo nível de controle (e por isso mesmo tenta enfrentar o monopólio das grandes empresas de TI americanas) através de legislação que protege melhor os usuários (seus dados e privacidade são considerados direitos fundamentais das pessoas), através do AGPD – Acordo Geral de Proteção de Dados, da União Europeia, legislação na qual a nossa LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados foi baseada.

A terceira Internet é a chinesa, que por motivos óbvios é restrita ao território chinês, sofre censura e controle do governo, que não permite acesso livre aos sites de outros países (particularmente aos de notícias e empresariais) e dificulta também, a entrada de “empresas digitais” de origem ocidental, no mercado da China.

De uma forma simplista, esse é o “mundo da Internet” no qual estamos vivendo, que não é 100% global e muito menos 100% livre, como imaginamos ou que nos fazem acreditar.

A introdução das tecnologias de 5G na rede “mundial” de computadores, infelizmente, deve acirrar ainda mais, essa “divisão”.

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Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Alexandre Moura

Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP - Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

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