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Alberto Ramos: Todos devem se vacinar?

Alberto Ramos. Publicado em 7 de setembro de 2020 às 9:23

Paraíba Online • Alberto Ramos: Todos devem se vacinar?

Do nada, o contumaz presidente, provocou mais uma polêmica ao afirmar que não vai tornar a vacina contra o SARS COV 2 obrigatória.

Quase que imediatamente várias associações de sociedades de especialidades se posicionaram contra essa infeliz diretiva pelas razões que explicarei abaixo.

Por outro lado, algumas associações e conselhos não se posicionaram. Vale a pena anotar o silencio ensurdecedor do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira que até o momento que escrevo (14 horas de 06/09) ainda não se manifestaram.

Omissão criminosa.

O que não é nenhuma novidade vindo dessas duas entidades.

A pergunta então é: Por que a vacina deve ser obrigatória?

Para que ninguém seja mais acometido por uma doença infecciosa transmissível, se faz necessário que a população tenha o que se chama de imunidade de rebanho que é um percentual tal que impeça a doença de se disseminar sem controle. Para que essa imunidade seja alcançada, se faz necessário que um percentual que varia entre 50 e 80% fique imunizado contra a doença.

Um aviso. Estou citando número aproximados.

Essa taxa de imunização vai ser alcançada pela soma dos que já tiveram a doença e ficaram imunes + os que foram vacinados.

Nenhuma vacina conhecida imuniza 100% das pessoas. Se pegarmos um exemplo de uma vacina semelhante a da COVID que é a da gripe, a taxa de imunização fica entre 60 e 70%.

Se metade da população não tomar a vacina por recusa ou porque são pessoas que não podem ser vacinadas (transplantados, uso de drogas imunossupressoras, algumas doenças, etc.) que corresponde a algo entre 5 e 10% da população podemos fazer o seguinte cálculo supondo uma população de 100 pessoas:

Tomaram a vacina – 45.
Ficaram imunizados – 30 (66% dos que tomaram)
Não podem tomar a vacina – 5
Não tomaram a vacina por opção – 50
Então, nessa população de 100 pessoas, vão ficar imunizados 30.

Ora, 30% é um número muito baixo para se alcançar a imunidade de rebanho. Desta forma, a doença vai continuar a acometer as pessoas não imunizadas. Para alcançar a imunidade de rebanho vai ser necessário que outras centenas de milhares de pessoas adoeçam e muitas morram.

Quem serão essas pessoas de maior risco?

Não serão os 30 que tomaram a vacina e ficaram imunizados.

Serão:
1. Os que não quiseram tomar (acho justo que adoeçam);
2. Os que tomaram mas não desenvolveram imunidade (injusto);
3. Os que não puderam tomar porque tinham alguma doença que contraindicava. Os que adoecerem terão uma doença muito mais grave (tremendamente injusto).

Concluindo – quem se recusa a tomar a vacina não está prejudicando apenas a si mesmo. Está condenando a morte uma porção de pessoas acometidas de doenças muitas vezes graves.

São tão assassinos quanto o presidente fomentou essa trágica ideia.

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Alberto Ramos

Médico endocrinologista, professor do curso de medicina da UFCG, preceptor da pós-graduação do HUAC/UFCG e chefe da Unidade de Endocrinologia e Diabetes Professor Bezerra de Carvalho do HUAC.

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