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Ailton Elisiário: Insanidade Social

Ailton Elisiário. Publicado em 13 de outubro de 2019 às 20:47

A sociedade está doente, fruto das doenças das pessoas. Pior, não temos quem a cure, pois também doentes estão os seus curas. A sociedade não tem esperança, fruto da falta de visão das pessoas.

Pior, a desesperança se agiganta, pois não há mais nada em que se possa sustentar. A sociedade está enlouquecida, fruto da insanidade das pessoas. Pior, não existe bom senso, pois só vale a vontade de cada um.

A prevalência do indivíduo sobre o coletivo, do desperdício sobre o comedimento, do desejo carnal sobre o do espírito, do ter sobre o ser, do insulto sobre o respeito, enfim, do eu sobre todos, tornou-se a regra central da vida, pela qual as pessoas hoje se guiam.

A liberdade, a vontade, o desejo, o prazer, tudo em nível individual, são os deuses glutões a serem incessantemente servidos.

A ignorância oprime a sabedoria, a força supera o direito, a feiura enterra a beleza, a violência alavanca o terror, o demônio vence a deus. Por todos os lados ouvem-se gritos dos que ordenam e lamentos dos que obedecem, por todos os lugares as maldades eclodem satisfazendo os injustos, por todos os momentos os honestos e inocentes se apequenam pela impotência de reagirem.

A cada instante a criança é desviada, o jovem é desvirtuado, o adulto é enganado, a família é desconstituída, a personalidade é maculada, o patrimônio é dilapidado, a moral é carcomida, os usos e costumes são deteriorados, os contratos são viciados, os negócios são burlados. O pensamento é violado, a crença é desrespeitada, a fé é questionada, a amizade é ultrajada, o amor é traído.

O passado é apagado, o presente é esquecido, o futuro é descartado. A história é desaprendida, a vida é jogada, o amanhã é incerto. O descompromisso é permanente, o trabalho é temporário, o resultado é indiferente. A riqueza é exaltada, a pobreza é condenada. O rico é bajulado, o pobre é espezinhado. O jovem é enaltecido, o velho é desprezado.

O mérito é desconhecido. As virtudes são desconsideradas, os vícios são alimentados. O ser humano está insano, sua espiritualidade é indefinida, sua moralidade é controvertida, seus sentimentos são confusos, sua sexualidade é genérica. O homem é feminino, a mulher é masculina, o que não é nenhum nem outro é não se sabe o que.

A sociedade pós-moderna é líquida, já diz a sociologia. Era ontem e não é hoje, é hoje e não será amanhã. O modelo da sociedade é pastoso, movediço, sem forma, em constante movimento. Nada a orienta, nada a prende, nada a solta.

Está sem rumo, como um barco à deriva num mar de tempestade. Aí, fico aqui a pensar com meus botões: o que será das futuras gerações?

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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