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Ailton Elisiário: Alianças com filetes

Ailton Elisiário. Publicado em 27 de janeiro de 2020 às 10:35

Li a crônica do confrade Jurani Clementino sob o título “As duas alianças”, versando sobre o antigo costume do cônjuge sobrevivente usar duas alianças no dedo anelar da mão esquerda, para demonstrar seu estado de viuvez. Como se sabe, aliança na mão direita indica que o portador é noivo, na mão esquerda que é casado e duas nessa mesma mão que é viúvo. 

A teoria mais difundida é a de que a aliança deve ser colocada no dedo anelar, porque esse dedo recebe a aliança que é sinal de um compromisso que jamais deverá ser desfeito. A representação dessa teoria é a seguinte: ao se unirem os dedos das duas mãos e se dobrando os dedos médios de ambas, nesta posição todos os dedos podem se soltar com um movimento, exceto os dois dedos anelares. Isto significa que o compromisso, assim como a união entre os anelares, não pode ser desfeito. 

A escolha do dedo anelar para a aliança provém da Grécia antiga e recepcionada pelos romanos. Acreditava-se que existia nesse dedo esquerdo uma veia que se ligava diretamente ao coração, denominada de “vena amoris” ou veia do amor. Mesmo tendo sido desmistificado isto pelos estudos de anatomia, a tradição permaneceu. Mas, há países em que a aliança para o casado é o dedo anelar da mão direita e até mesmo outro dedo.

Os chineses dizem que os dedos têm significados familiares: o polegar, representa os pais; o indicador, os irmãos; o médio, a própria pessoa; o anelar, o cônjuge; o mínimo, os filhos. Desse modo, polegares, indicadores e mínimos se separam, pois que essas pessoas deixam o convívio familiar, à exceção do cônjuge que não pode se separar, tais como os dedos anelares. Porém, as uniões hoje em dia se desfazem tão facilmente, que o costume do uso das duas alianças já não está sendo mais observado, a não ser pelas pessoas mais idosas, a exemplo da avó do nosso confrade.

É o caso também do sinal de luto, em que o cônjuge remanescente passava um ano vestindo roupas pretas. Os parentes masculinos mais próximos ficavam usando uma pequena tarja de tecido preto, chamada fumo, colocada na lapela do paletó ou presa ao bolso da camisa. Já não se pratica mais tal costume.

Outro costume também que se encontra em desuso é o das alianças com fios de ouro ou prata. O casal ao celebrar bodas de prata fazia introduzir na aliança de ouro um filete de prata, ou outro filete de ouro se fossem as bodas de ouro. O que se vê agora são alianças com tais filetes que não representam bodas, senão apenas meros detalhes para o embelezamento da joia. 

Também a chamada aliança de compromisso, uma aliança em geral de ouro branco ou prata, oferecida pelo namorado antes do noivado, para exprimir a seriedade do compromisso que está por assumir, está caindo em desuso. Afinal, até os casamentos propriamente ditos, estão deixando de ser realizados, tanto os de natureza civil quanto religiosa, ganhando espaço cada vez mais as chamadas uniões estáveis. E assim, os tempos mudam e com eles os costumes.

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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