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Afonso Campos e Assis Chateaubriand

Josemir Camilo. Publicado em 6 de abril de 2018.

Na primeira semana de abril, a Academia de Letras de Campina Grande comemora duas grandes datas de partidas: a de Afonso Campos e a de Assis Chateaubriand. E uma quase estranha coincidência, o dia do falecimento. Coincidência, só se levarmos em conta a curta amizade que existiu entre os dois, estudantes de Direito, na Faculdade do Recife.

Affonso Rodrigues de Souza Campos nasceu em Campina Grande em 18/12/1881 e faleceu na capital, então chamada de Cidade da Paraíba [João Pessoa], em 05/04/1916 (há mais de um ano já está pronta uma biografia que elaborei, mas não tenho recursos para levar a uma editora – alguma entidade se candidata?). Utilizo-me, aqui, de verbetes que estou a elaborar (lusitanismo) para um futuro dicionário de literatos e patronos da Academia.

Afonso Campos, formou-se em Direito, pela Faculdade do Recife, em 1902; foi político, deputado estadual, grande orador, e concorreu à cátedra de Economia Política naquela Faculdade. Sua produção se deu através de conferências, discursos e artigos na imprensa, bem como de ações jurídicas, como o célebre Habeas Corpus em favor do Conselho Municipal de Campina Grande, junto ao Tribunal Federal de Justiça. Também ficou famosa sua conferência denominada A Moeda (ver publicação Coletânea de Autores Campinenses, 1964, p. 23-27). Patrono da Cadeira nº 01, teve como sócio fundador e ocupante, seu filho, Aluízio Afonso Campos. Este foi sucedido por Antônio Vital do Rego e, atualmente, a Cadeira é ocupada pelo jurista, o confrade Ricardo Vital de Almeida.

Já o umbuzeirense, Assis Chateaubriand, se tornou amigo do campinense Afonso Campos, quando os dois eram hóspedes do tio de ‘Chatô’, no Recife, o médico, Dr. Chateaubriand, que morou e morreu em Campina. Mas pouco tempo tiveram de amigos, já que eram patentes os problemas cardíacos de Afonso Campos, como em nota, no entorno da morte do campinense, que ‘Chatô” divulgara, que já acompanhava os dilemas do, então, bravo deputado estadual.

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello nasceu em Umbuzeiro, em 05/10/1892 e faleceu em 05/04/1968. Passou parte da infância e adolescência em Campina Grande. Estudou no Ginásio Pernambucano e formou-se em Direito no Recife, tornando-se, até, professor da Casa. Tornou-se jornalista e, mais tarde, fundou a cadeia de jornais e rádios, depois, televisão; fundou, em Campina Grande, um jornal e uma emissora de rádio e outra de tevê, além de doar um riquíssimo acervo de artes ao povo de Campina Grande, o que constitui, hoje, o Museu de Artes Assis Chateaubriand, gerido pela FURNE (Fundação de Apoio à Pesquisa, Extensão e ao Ensino). Na Academia, foi escolhido como Patrono da Cadeira nº 8, cujo sócio fundador foi Epitácio Soares, sucedido por José Nêumanne Pinto. Ambos jornalistas, seus seguidores. No caso de Afonso Campos, ambos foram juristas e o atual também o é.

O momento do contato dos dois grandes paraibanos é narrado em discurso de Manuel Tavares Cavalcanti, que conta que Afonso Campos, em 1898, chegou, aos 17 anos, para cursar a Faculdade de Direito, ficando hóspede da família do médico Dr. Francisco Chateaubriand Bandeira de Melo. O pai dos Chateaubriand era do Cariri e também se formou por aquela faculdade. O médico, Chateaubriand Bandeira de Melo, não só se radicara em Campina Grande, mas, até, fora eleito deputado em 1892, junto com outros liberais, partido do pai de Afonso Campos.

Mas Afonso Campos, nem sempre morou com a família Bandeira de Melo, já que o jovem Assis Chateaubriand, narra em carta a Manuel Tavares Cavalcanti, publicada em A União, de 16/04/16, após a notícia da morte do campinense, que, certa noite, foi levá-lo à casa dele.

Dois grandes nomes, pois, para que não percamos a memória campinense e até nacional, uma vez que Afonso Campos, ao defender seu Habeas Corpus para o Conselho de Campina (a Câmara, de então), foi, não só ao Rio de Janeiro, como teve o apoio do eminente Rui Barbosa.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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