Fechar

Fechar

Adeus às ilusões

Ailton Elisiário. Publicado em 22 de maio de 2017.

Por Ailton Elisiário (*)

O povo brasileiro ainda não percebeu que é o único que está sendo vilipendiado com toda essa embrulhada político-empresarial corruptiva. Mortadelas e coxinhas ainda se debatem por seus líderes, quando esses comem no mesmo prato o pão que eles próprios amassaram. Não  é mais possível permanecer nesse antagonismo idiota, na ilusão de que cada um dos lados é do bem enquanto cada outro é do mal.

A derrocada é dos esquemas políticos e das pseudo empresas montados para desviarem os recursos públicos, penalizando cruelmente os contribuintes. Não  se tem que amenizar a barra dos corruptos com a argumentação de que os cidadãos brasileiros têm também atitudes reprováveis. Tem sim, que meter detrás das grades aqueles políticos e empresários corruptos, de tal modo que sem lenço e sem documento, desapareçam da  vida pública para sempre.

Enquanto mortadelas se antepunham aos coxinhas em defesa da manutenção de um governo corrupto, os coxinhas agora se antepõem aos mortadelas em defesa da manutenção de outro governo tão corrupto quanto o anterior. Aqueles corruptos digladiam entre si, armam arapucas para eles mesmos, denunciam uns aos outros, num verdadeiro salve-se quem puder, sem perceberem que todos se desnudam perante a plateia dos iludidos.

A rede de interligações é tão vasta e tão complexa, que o ainda desconhecido mundo da corrupção se apresenta, de certa forma, impenetrável. Faltam tantas instituições serem fiscalizadas, tanta gente ser investigada, que parece ser esse universo insondável, não obstante a perspectiva de que também esteja contaminado.

Como diz Hamlet, “se há algo podre no reino da Dinamarca”, no Brasil a podridão tomou conta de tudo. Os sepulcros caiados não exalam mais respeito  e veneração, somente fétido odor. A virtude pública não existe, as virtudes privadas estão manchadas. Não há mais por quem esperar. Não há mais em quem confiar. Não há mais  por quem se por a mão no fogo. Todos são “esposas” de Cesar, que não somente aparentam ser honestas, mas precisam provar que são.

Enquanto isso os iludidos continuam roubados e maltratados. Todos, os mortadelas e os coxinhas. Porque todos são marionetes nas mãos mágicas daqueles corruptos. Mesmo que estes tenham melhorado de vida, os benefícios pessoais não superam os malefícios coletivos por eles cometidos. Até falsas democracias que não passam de regimes ditatoriais fracassados receberam doações de dinheiro público brasileiro, em detrimento dos verdadeiros interesses nacionais.

Agora as ilusões se evaporaram. Melhor assim. Antes uma grave crise que depura, que uma vida ilusória que engana. Que se unam mortadelas e coxinhas contra o inimigo comum, que vão às ruas para a depuração dos poderes públicos e que reconstruam a nação com cidadãos realmente honestos e comprometidos com o país.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube