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Academia de Letras e o PEN Clube

Josemir Camilo. Publicado em 28 de setembro de 2017 às 22:31

Por Josemir Camilo

Graças à articulação de Elizabeth Marinheiro, presidente do Clube Pensamento/Estudo/Nacionalidade (PEN Clube), bem como de seu vice-presidente, José Mário Silva, membros da Academia Paraibana de Letras, sendo ela, ainda, confreira da Academia de Letras de Campina Grande e ele, futuro empossado nesta, é que se reuniram as duas entidades, no auditório da FIEP, para uma mesa redonda sobre academicismo, memória e criação literária. No final do evento, a plateia proporcionou uma discussão importante, o fato de não haver uma política literária na cidade, a ponto de os presentes defenderem, como protagonizou a escritora, Maria da Conceição Araújo, uma Feira Literária, tomando como bom exemplo, a FLIBO, que Boqueirão vem mantendo há oito edições, sob a direção de Mirtes Waleska Sulpino.

A mim me coube discorrer sobre “A Academia de Letras de Campina Grande: natureza, desafios e possibilidades”; enquanto que a vice-presidente da ALCG, a escritora Mabel Amorim, abordou o tema “O ato/processo da criação literária”. Já o diretor-secretário, Bruno Gaudêncio apresentou a palestra “Escritores Campinenses, entre a memória e o esquecimento”. A coordenação do referido evento ficou por conta do professor e crítico literário José Mário da Silva.

O que se segue é um recorte da comunicação, ali, apresentada, sob o título “ A Academia de Letras de Campina, entre história e desafios”. Gostaria, de antemão, me congratular com a comunidade campinense com o reconhecimento feito pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do IPHAN, sobre o Registro da Feira de Campina Grande, como Patrimônio Cultural Imaterial. Um aditivo capital cultural para nossa cidade.

Neste ano, portanto, em que se comemoram dez anos da partida de seu fundador Amaury Vasconcelos e o centenário de um dos maiores críticos de artes, no Brasil, o campinense, Ruben Navarra, patrono da ALCG, esta se encontra diante de fortes desafios.

A Academia foi fundada em 9 de abril de 1981, por Amaury Vasconcelos e Aluízio Campos, entre tantos. Inicialmente, a Academia se intitulava Casa de Afonso Campos (como o próprio fundador havia registrado, em artigo na Revista da Academia), mas, com a reforma do estatuto, em 2002, passou a ser denominada Casa de Amaury Vasconcelos.

A cartografia original da Academia envolvia abarcar o planalto da Borborema, do que resulta alguns patronos e confrades de Areia, Esperança e Alagoa Nova. Agora, penso que deveria se restringir ao Compartimento da Borborema, seguindo os passos do Dicionário Biobibliográfico do NELL, organizado nos anos 80, por Elizabeth Marinheiro, naquilo que corresponder à antiga cartografia do Termo de Campina Grande colonial.

Sobre este aspecto, os fundadores da ALCG escolheram alguns nomes diferentes da eminência intelectual da cidade, preferindo políticos de pouca repercussão na cidade, em detrimento de um Euclydes Villar, poeta, charadista culto, premiado fora do Estado e editor do Almanack de Campina Grande. No entanto, qualquer escritora ou leitora, da cidade, pode perceber a lacuna imensa para com o gênero: das 40 cadeiras, não há uma só patronesse. Quando se compara com a Coletânea de Autores Campinenses, esta, então, uma virtual Academia de Letras, elaborada pela Comissão do Centenário de Campina Grande, sob a liderança de Elpídio de Almeida, vê-se que, no patronato da ALCG, salta à vista, a ausência feminina, e na Coletânea, pontificam algumas mulheres que já produziam literatura na cidade, como Heloisa Bezerra, Iracema Marinho, Maria do Carmo de Araújo Lima, Nair de Gusmão, e Selma Vilar.

Outro detalhe de sua história é que a ALCG começou com apenas 30 cadeiras, tendo, na reforma de 1987, passado a 37. Como já advogava seu fundador, Amaury Vasconcellos, o ideal seria de 4º cadeiras, o que veio a acontecer.
Esta plêiade de intelectuais, de acordo com um levantamento feito por meus antecessores e organizado pelo ex-presidente, Aílton Elisiário, já publicou cerca de 150 livros, até 2014, o que dá uma média de cinco livros por ano. Os mais produtivos, até aquele ano, foram, em quantidade de livros, Ailton e Josué Sylvestre (6), Lourdes Ramalho (7), Evaldo Gonçalves e Ronaldo Cunha Lima (8), Elizabeth Marinheiro (11) e Nêumanne Pinto (13). No entanto, considerando o número de patronos e acadêmicos, a proporção é de um livro para cada acadêmico. Mas, a maior produção da Academia está em sua revista, que, infelizmente não conseguiu mais patrocinador para sair o número 7, já que o último está para fazer 10 anos

Dois fatos estamos a lamentar: a situação de nove candidatos eleitos e que não assumiram (alguns com mais de 10 anos de eleitos), além dos seis últimos desenlaces de carreira existencial, que faz com que, hoje, seu quadro esteja reduzido a 25 membros, sendo nove residentes fora da cidade. A outra situação, o que lamentamos, é que, a cada partida de confrades e confreiras, sua memória livresca se perca, se desmembre, sem que nenhum exemplar retorne à Academia, para um testemunho memorial da passagem do(a) acadêmico(a). Daí, termos uma biblioteca magra, em torno, apenas, de 5 estantes, com algumas prateleiras vazias. Solicitamos às famílias de acadêmicos que já se imortalizaram, que façam doação de parte do acervo do(a) imortal, para que a ALCG tome conta, divulgue e preserve a memória dos que partiram para a imortalidade.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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