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Campina Grande - PB

A viagem de Henry Koster

14/11/2017 às 8:57

Fonte: Da Redação

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

Por Benedito Antonio Luciano (*)

Em outubro de 2016, recebi uma mensagem do amigo Pablo Javier Alsina, o argentino mais nordestino que conheço, dando conta da produção de um cordel de sua autoria intitulado “A inaudita e insólita história das peripécias e andanças do intrépido inglês de Portugal Henry Koster pelas agrestes paragens nordestinas”.

Segundo o autor, esse cordel foi produzido no âmbito de um projeto de extensão, denominado K200, coordenado por Flávio Hildemberg da Silva Gameleira, secretário do Departamento de Engenharia de Computação e Automação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A letra “K” e o numeral “200”, presentes no título do projeto, podem ser interpretados como homenagem ao nome Koster e uma alusão ao bicentenário da primeira publicação do livro “Travels in Brazil”, ocorrida em Londres, em 2016.

O Projeto K200 teve por objetivo refazer as trilhas percorridas pelo inglês Henry Koster, em lombo de cavalo, partindo de Recife, em 19 de outubro de 1810, rumo a Fortaleza, com passagens por Goiana, João Pessoa, Cunhaú, Nísia Floresta, Natal, Ceará-Mirim, Poço Branco, Açu, Lagoa do Piató, Mossoró e Tibau.

Além do cordel, outras produções foram trazidas a público pelo coordenador do Projeto K200 e seus colaboradores, dentre as quais: um blog, uma página no Facebook, exposições fotográficas, banners, um documentário, e um livro intitulado “200 anos da viagem de Henry Koster pelo Rio Grande do Norte: aspectos ambientais, históricos e culturais”, lançado em Natal pela Editora Caravela Selo Cultural, em 2017.

Segundo Flávio Gameleira, em seu livro “200 anos da viagem de Henry Koster pelo RN: aspectos ambientais, históricos e culturais”, a motivação para realizar o Projeto K200 teve origem ao tomar conhecimento da obra “Viagens ao Nordeste do Brasil”, lançada em 1942, pelo escritor potiguar Luís da Câmara Cascudo, como uma tradução do livro “Travels in Brazil”.

O livro de Gameleira chegou às minhas mãos graças à generosa atenção de Pablo Alsina que me presenteou com um exemplar, quando estive na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 15 de outubro de 2017, para participar de uma banca de avaliação de candidatos ao cargo de Professor Titular.

A leitura da saga de Henry Koster, saindo de Recife com destino a Fortaleza, foi feita com interesse crescente, talvez pelo fato de eu ser paraibano, minha mãe norte-rio-grandense e meu pai cearense. Mas, certamente, não apenas por este motivo, pois o que torna a leitura agradável é a fluidez do texto, a articulação textual e a qualidade literária, elementos presentes nas 193 páginas de “200 anos da viagem de Henry Koster pelo RN: aspectos ambientais, históricos e culturais”.

Diferentemente de certos autores, que se deixam enredar nas malhas de uma suposta erudição, a narrativa de Gameleira é leve, agradável. Nela, as referências são introduzidas de forma parcimoniosa, na medida certa, com destaque para alguns comentários do escritor Câmara Cascudo e textos do próprio Henry Koster.

Ao terminar a leitura do livro de Flávio Gameleira fiquei com sensação de ter assistido a apresentação de um bom concerto conduzido por um maestro competente. Assim, que venham outras publicações desse autor!

(*) Professor Titular do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG

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