A realidade dos jogos da Caixa

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 12 de dezembro de 2018 às 8:42

Existe uma realidade por trás dos jogos administrados pela Caixa Econômica Federal nem sempre percebida pelas pessoas. Qual o destino do dinheiro arrecadado nos dez sorteios que regularmente são divulgados? Qual a máquina mobilizada para esse trabalho? Quais os valores envolvidos?

Hoje, são disponibilizadas apostas em dez tipos de premiação: Mega-sena, Lotofácil, Quina, Lotomania, Timemania, Dupla Sena, Federal (a mais antiga), Loteca, Lotogol e Dia da Sorte.

Em 2017, as loterias faturaram R$ 13,9 bilhões, ou R$ 273 milhões a cada semana, com aumento de 8,1% em relação a 2016. No primeiro semestre de 2018, foi estabelecido novo recorde de arrecadação, com a Mega-sena sendo responsável por 42% das apostas.

Para movimentar essa máquina que são os jogos, a Caixa Econômica utiliza uma rede popularmente conhecida como lotéricas, de mais de 13 mil empresas, geralmente de pequeno porte, a prestar esses e outros serviços à comunidade. Essas lotéricas estão presentes em 92% das cidades do país, gerando muitos empregos e renda pessoal.

Para se estabelecer uma comparação, a rede bancária nacional é composta por 22 mil agências, 95% delas concentradas em cinco instituições de crédito: Bradesco 22%, Banco do Brasil 21%, Caixa 16%, Itaú 15% e Santander 12%. O número de lotéricas corresponde ao total de agências do Bradesco, Banco do Brasil e Itaú reunidas.

Mas as lotéricas não cuidam apenas de loterias, sendo importantes coadjuvantes do sistema bancário convencional ao prestar um leque de muitos outros serviços como: 1º Pagamentos:  contas de água, luz, telefone, boletos da Caixa e de outros bancos, tributos, faturas de cartão de crédito, INSS, Guia da Previdência Social, FGTS, etc.; 2º Saques: saques com cartão de contas da Caixa, benefícios sociais, benefícios previdenciários, saques do FGTS, etc. 3º Outros Serviços: consulta de saldos na própria Caixa e extratos do FGTS, depósitos em conta corrente, abertura de conta, propostas de cartão de crédito, cheque especial, etc.

Em certos períodos do mês, assistimos o caos em que se transformam as cidades pelo afluxo de pessoas em busca dos serviços na rede de 22 mil agências de banco e das mais 13 mil lotéricas. Imaginemos um Brasil sem casas lotéricas (na prática verdadeiros bancos para certos tipos de operações).

Mas vamos ao objetivo principal de nosso comentário de hoje: a questão das loterias federais administradas pela Caixa Econômica. Para onde vai o dinheiro arrecadado?

O desdobramento de um prêmio de 100, nos oferece o seguinte quadro.

São retirados do valor arrecadado:

1º – Seguridade social 18,1%; Fies-Crédito Educativo 7,76% e Fundo Penitenciário Nacional 3,14 = TOTAL DE 29%.

2º – Despesas com Custeio e Manutenção de Serviços: Taxa de Administração 10%; Comissão de lotéricas 9% e FDL – Fundo de Desenvolvimento das Loterias 1% = TOTAL DE 20%.

3º – PRÊMIO BRUTO = 51%

4º – Fundo Nacional de Cultura 3%; Comité Olímpico Brasileiro 1,7% e Comité Paraolímpico Brasileiro 0,3% = TOTAL DE 5%

5º – PRÊMIO LÍQUIDO (100% – 29% – 20% – 5%) = 46%

6º – Imposto de Renda Federal =13,8%.

7º – PRÊMIO PARA O GANHADOR – 31,2%

 

O imposto de renda para o ganhador é de 30% sobre o prêmio líquido.

Muitos reclamam que um prêmio de “apenas” 31,2% é muito baixo, pelo excesso de retiradas para diversos fins. Mas é bom lembrar que o dinheiro do prêmio lotérico não é fruto do esforço pessoal, do trabalho, do suor do próprio rosto, mas sorte de quem joga. Quem nos dera ser aquinhoados com esses “mirrados” 31,2%!

Por fim, uma curiosidade. Mesmo em tempos de tanto aperto financeiro, registre-se que em 2017 R$ 326 milhões de prêmios não foram pagos pelo fato de que os ganhadores não se apresentaram em tempo hábil, e, de janeiro a junho deste ano mais R$ 150 milhões deixaram de ser pagos pelo mesmo motivo. Oh turma rica e desligada, sempre a reclamar da vida!

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