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A primeira seccional PEN da Paraíba – um marco de Campina Grande

José Mário. Publicado em 4 de abril de 2017 às 8:14

Por José Mário da Silva (*)

O Clube Pensamento/Estudo/Nacionalidade – Primeira Seccional PEN da Paraíba, com o imanente brilho que caracteriza as suas intervenções nas cenas e cenários de Campina Grande, retomou as suas atividades correspondentes ao primeiro semestre do ano em curso, na última segunda-feira dia vinte e sete do recém-findo mês de março. A cronologia adotada para a realização da aludida atividade foi, como de costume, o crepuscular cair das tardes campinenses, matizado pela bela coreografia barroca das luzes e sombras inerentes à transição dos tempos. O espaço foi o acolhedor, e largo, auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, parceira fundamental da nossa Primeira Seccional da Paraíba.

O temário foi único, oportuno e justo, nuclearizado por uma merecida homenagem que a Primeira Seccional PEN da Paraíba prestou à Mulher campinense, na verdade, a catorze mulheres, com qualificada atuação em diversificadas áreas do conhecimento. No momento em que, aqui, ali, alhures, a mulher ainda vai vivenciando a condição de “uma espécie ainda envergonhada”, conforme o emblemático e denunciatório verso de Adélia Prado presente em “Com Licença Poética”, poema inaugural do livro Bagagem, com o qual a admirável poeta mineira começou a escrever o seu nome na república das letras nacionais, nada mais salutar do que uma homenagem deste porte à mulher de nossa terra.

Homenagem que se consubstanciou não como concessão, mas, sim, como um categórico imperativo de reconhecimento ao ser/fazer da mulher na multifacetada e complexa sociedade contemporânea. Ancorada no porto da simplicidade e do lema da Informalidade em Busca do Conhecimento, a Primeira Seccional da Paraíba cumpriu, mais uma vez, a sua missão primordial de promover, com leveza e seriedade, a reflexão acerca daquilo que contribui, decisivamente, para o engrandecimento do ser humano.

E os pontos altos do conclave? Foram vários, sem dúvida. O código musical ficou por conta da sempre prestimosa e abrilhantadora participação da Banda de Música do Primeiro Batalhão da Polícia Militar do Estado da Paraíba, sediado em Campina Grande, regida pelo simpático e acessível tenente Vanderley, sempre anuente aos nossos chamamentos. A liderança sempre firme da mestra Elizabeth Marinheiro. Idealista e realizadora, em qualquer livro que se venha a escrever sobre a história de Campina Grande, a filha de dona Marié e seu Agripino haverá de ocupar superlativos capítulos, nos quais as palavras de ordem serão: competência, criatividade, comando, disciplina, trabalho coletivo, paixão pelo vivido, arte, conhecimento, ciência, ludismo, irreverência, enfim, uma diversificada gama de signos que, correlacionados e bem urdidos, transcendem as palavras; e, naturalmente, transbordam deste breve relato do que eu vi e senti no memorável encontro da Primeira Seccional PEN da Paraíba.

As mulheres homenageadas, código onomástico variado e orgulho de Campina Grande: Andréa Barros, Berenice Lopes, Bernadete Motta, Constância Crispim, Célia Tejo, Célia Guedes de Andrade, Lara Sales, Rilva Lucas, Salete Carolino, Salete Leal, Sandra Paula, Samelly Xavier, Valéria Valença e Valéria Cardoso.

O discurso de saudação do poeta/jurista Félix Araújo Filho foi um capítulo à parte. Filho de Félix de Souza Araújo, expoência que o Cariri cabaceirense cedeu a Campina Grande; e essa, ao Brasil e ao mundo, Félix Araújo Filho herdou, do seu superdotado pai, como diria Vital do Rêgo, a arte da tribunícia, o talento nato para fazer da palavra, em sua manifestação pública, ponto de chegada e de partida para os arrebatadores voos da inteligência a serviço da argumentação mais lúcida e convincente. Assim, de mãos dadas com a poesia e com os poetas, ele próprio produtor de qualificada poesia, Félix Araújo Filho a todos encantou com uma saudação substantiva, consistente, na qual o brilho da retórica superior ajustou-se à maravilha ao sólido conteúdo do que foi proferido. Em suma: lembrando o clássico livro do linguista Ducrot, O Dito e o Dizer, no discurso de Félix Araújo Filho, o que foi dito acumpliciou-se, admiravelmente, ao como foi dito, para o embevecimento da plateia que, ao fim da oração grandiosa, prorrompeu em consagrador aplauso.

A plateia, sempre presente e circunspecta, é a companheira solidária e fraterna da Primeira Seccional PEN da Paraíba. Por fim, o repasto gastronômico oferecido pela comunidade campinense constitui-se no momento lúdico de interação e congraçamento entre os presentes. Com a mestra e amiga Elizabeth Marinheiro, minha eterna referência em matéria de Teoria da Literatura aprendi, na já longínqua quadra histórica dos anos oitenta, mais precisamente no auditório do Colégio das Damas, numa das edições dos inesquecíveis Congressos Brasileiros e Internacionais de Teoria e Crítica Literária, que “código alimentar é intertexto e discurso estranho da ficção”.

(*) Docente da UFCG, membro da Academia Paraibana de Letras

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José Mário

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