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A pobreza de ideias

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 17 de junho de 2018 às 20:01

A marca das discussões políticas às vésperas das eleições de 2018, tem sido a pobreza de ideias, e isso deixa uma extrema preocupação nos cidadãos ante o desolador quadro moral, político e econômico em que imerso o Brasil.

A cada roubalheira descoberta a contrapartida tem sido a soltura de ladrões pela mais alta corte de Justiça. Em nosso país, se inverte o registro da Bíblia do ladrão perdoado por Jesus Cristo após ter devolvido “em quatro dobros” o que tinha roubado; aqui, não! É perdoado sem nada pagar pelos delitos e apto a repetir os crimes.

No campo político o que se assiste é a discussão estéril entre candidatos sem propostas, defendendo ideologias esdruxulas, ou apenas interesses próprios ou partidários – de olho nos generosos fundos públicos distribuídos entre eles. E todos eles se apresentando como salvadores da pátria, amada apenas no nosso Hino Nacional.

Na economia, o desastre de um produto interno bruto cambaleante de há muito tempo, com taxas negativas de crescimento, os milhões de desempregados, e, o que é pior, com muita coisa sendo posta embaixo do tapete, como a roubalheira, o congelamento de preços que quebrou a Petrobras ou a concessão de benesses a grupos empresariais poderosos através de subsídios que, em última análise, só contribuíram para aumentar o déficit público e as desigualdades em nosso país.

No quadro local, talvez com menor intensidade, o quadro se repete e, certamente, o mais preocupante é que os pretensos candidatos não vêm demonstrando a menor preocupação com a Paraíba. Via de regra, são apenas manifestações de intenções desprovidas de sentido, revelando a inconsistência de conceitos ou o desconhecimento da realidade.

Aqui se repete a vela estratégia dos coronéis de antigamente, o compadrio, os conchavos, os interesses de grupos ou de famílias, como se a Paraíba tivesse donos, e não apenas um dono só, o seu povo.

Vivemos uma gangorra: de um lado o menosprezo por um projeto de integração, de uma economia estimulada pelo aproveitamento das potencialidades regionais, através de cadeias e arranjos produtivos locais, modelos bem-sucedidos em todo o mundo, que conduzem o homem a ser feliz no lugar onde escolheu para viver. O que vemos hoje, é o inchaço das cidades maiores e o esvaziamento das pequenas comunidades.

Ou então, o desejo manifesto de dar continuidade a uma forma ultrapassada de governo em que a alternância do poder é vista como um mal. Despreza-se o arejamento do pensamento, âmago do espirito da democracia, que só se faz com a prática de mudanças, ouvida a população. Chega de soluções de cima para baixo.

Vivemos numa Paraíba que já teve o quarto maior PIB do Nordeste; hoje somos o sexto entre nove estados. Com uma população de aproximadamente 2% do total nacional, temos uma participação de 0,9% de toda a riqueza que se produz no país em um ano.

A Paraíba tem um déficit nas suas transações comerciais com outros estados, e com outros países, que está acima de 20% do seu produto interno bruto.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, no período de doze meses, até abril deste ano, o saldo líquido entre admissões e demissões de empregados, na Paraíba, revela um aumento de apenas 184 novos postos de trabalho.

E as desigualdades dentro do próprio estado? Enquanto em João Pessoa, foram criados 1.400 novos empregos, em Campina Grande tivemos uma queda de 930.

Hoje a Zona da Mata, com cerca de 40% da população, concentra perto de 60% do PIB paraibano, diferentemente de há 50 anos, quando tínhamos um equilíbrio entre todas as regiões do Estado.

E o que é que os candidatos a governador têm dito a respeito dessas coisas, a serem verdadeiras? O que propõem

Vale a pena trazer aqui uma frase do imortal escritor e filosofo francês Voltaire, num diálogo entre o Doutor Pangloss e o sempre otimista Cândido: “Todos os acontecimentos, estão devidamente encadeados no melhor dos mundos possíveis”.

Nossos aspirantes a governador pensam assim? Estamos, na Paraíba, no melhor dos mundos possíveis?

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

falecom@fhc.com.br

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