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A memória de Petrônio Souto

Gisa Veiga. Publicado em 16 de agosto de 2017 às 11:56

Por Gisa Veiga (*)

O jornalista Petrônio Souto está presenteando seus seguidores nas redes sociais com fotos antigas de João Pessoa e suas deliciosas impressões daqueles momentos. Não esconde sua frustração em relação a algumas mudanças, mas também demonstra superação em várias outras, aceitando o inevitável: as exigências da vida moderna, o alargamento de vias para escoar o trânsito cada vez mais lento numa rotina cada vez mais veloz dos cidadãos, as alterações nas paisagens, a substituição de casas por espigões. Só não dá para aceitar disparates até criminosos como, por exemplo, a derrubada do antigo prédio da União que deu lugar à Assembleia Legislativa da Paraíba. Simplesmente imperdoável.

Mas, na onda saudosista de Petrônio – embora eu seja mais jovem que ele, vamos deixar claro, porque depois dos cinquenta qualquer diferença de anos ou até meses é fundamental -, lembro com doçura dos passeios à noite na calçadinha de Tambaú com minhas amigas, onde a paquera era a grande diversão domingueira. Recordo o trânsito tranquilo, a ausência de temor de assaltos, o Bairro dos Estados, onde eu morava, todo composto por casas residenciais. Quão deliciosos eram os veraneios na praia do Cabo Branco!

Tudo isso fica num passado delicioso de se recordar – a simplicidade das coisas, a ausência de tecnologia que hoje quase nos escraviza, a vida mais desacelerada e tranquila, as amizades que nos acompanhavam por toda a vida escolar. Feliz quem tem memórias assim.

Mas hoje nossa realidade é diferente. Quem vive sem smartphone? Nossa cidade mudou muito, está bem mais populosa, cresceu verticalmente e, embora quatrocentona, tenta se adaptar às novas demandas de seus moradores. Tudo certo, desde que se preserve o respeito ao cidadão comum, ao meio ambiente e às edificações tombadas pelo patrimônio histórico. Vigiar é sempre preciso.

Apesar da nova realidade, ainda persistem antigos hábitos, hoje bem estranhos para quem vem de cidades maiores. Por exemplo, há quem não entenda, em tempos de Google Maps, como as pessoas ainda ensinam endereços com referências do tipo: “Dobra ali no Posto de Afrânio”, ou “é pertinho do Bar do Zé” (que nem existe mais), ou ainda “fica na mesma rua de Seu Dedé” – o Supermercado Manaíra. Como se esses personagens fossem amigos íntimos de todos.

Essa saudade de Petrônio tão contagiante e gostosa de sentir não é meramente uma manifestação de banzo. É uma aula de história. Conhecer nosso passado, a trilha percorrida para hoje João Pessoa continuar bela, meditar sobre os erros e equívocos cometidos nesse caminho, até mesmo estimular a conservação de velhos hábitos, tudo isso é uma contribuição importante para preservação de nossa memória e auto-estima e, também, um fundamental alerta para o desenvolvimento sustentável e pela atuação responsável dos governantes atuais e futuros.

Parabéns, Petrônio. As caminhadas vespertinas na agora larga e moderna calçada do Cabo Branco estão lhe fazendo muito bem.

(*) Jornalista

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Gisa Veiga

Gisa Veiga é jornalista profissional (formada pela UFPB) e advogada (formada pelo Unipê), com experiência em jornalismo impresso, internet, televisão e assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa e apresentadora do programa Sobretudo, da TV Master.

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