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A meio caminho de Praga

Ailton Elisiário. Publicado em 21 de novembro de 2017 às 12:01

Por Ailton Elisiário (*)

De Berlim partimos para Praga, capital da República Checa, mas antes passando por Dresden, à margem do rio Elba. Dresden é a capital e residência histórica da Saxônia, denominada de Florença do Elba. Seu nome, porém, significa “terra do povo da floresta pantanosa”, numa alusão aos povos eslavos que ali se fixaram no Século VI.

Fizemos apenas uma parada técnica, mas com tempo suficiente para visitarmos algumas obras da cidade, muito rica em magníficos edifícios e tesouros de arte. Na rua Augustus há um mural de 102 metros de comprimento formado de 24.000 azulejos de porcelana que contam a história de 800 anos da dinastia Wettin, representada por margraves, duques, príncipes-eleitores e reis.

Vimos a ópera, a Semperoper, prédio construído por Gottfried Semper, entre 1838 e 1841 e reconstruído após ter ardido em chamas em 1945. E a Galeria de Arte do Zwinger, construída entre 1847 e 1854 pelo mesmo. À entrada dessa Galeria fomos recebidos por um artista de rua, tocando em seu trompete o hino nacional brasileiro. Que ótima sensação!

Duas majestosas catedrais, no entanto, tomam a atenção dos visitantes, a Hofkirche e a Frauenkirche, ambas do Século XVIII. A Hofkirche é católica e hoje se denomina Igreja da Santíssima Trindade. Foi construída de 1739 a 1755 pelo romano Gaetano Chiaveri no estilo barroco. Em sua cripta encontram-se 47 sarcófagos dos príncipes-eleitores e reis católicos saxões e o coração de Frederico Augusto I, o Forte, o rei que mais se destacou pelo seu amor à Arte.

A Frauenkirche é protestante e foi construída de 1726 a 1743 a partir dos projetos de George Bähr. Em 1945 ardeu num incêndio, sendo calcinada por completo. Reconstruída em toda sua originalidade, graças a uma extensa documentação e à tecnologia da informática, foi consagrada em 2005. O monumento de 1855 erigido a Martim Lutero existente à sua frente foi restaurado, permanecendo a igreja um memorial.

Chamou-nos muito a atenção o interior dessa igreja que dispõe de belíssimas obras de arte sacra, dando a impressão de que se está num templo católico romano. A igreja disponibiliza velas que vêm em pequenos recipientes redondos contendo a mensagem escrita em alemão e em inglês “Friede sei mit Euch” e “Peace be with You”, que traduzo por “A Paz esteja Contigo”.

Esta observação que faço é muito importante, pois entendo que com tais gestos ela demonstra a cooperação luterana no sentido da sedimentação do pluralismo religioso e da ação ecumênica no seio do cristianismo, contrariamente a tantos que não aceitam esta realidade e ainda permanecem fomentando a intolerância religiosa.

Num mundo de violência religiosa, em que muitas das guerras são provenientes do fanatismo e da intolerância, as igrejas luterana e católica se dão as mãos em busca da paz. Por isto que a Frauenkirche, que se ergueu das cinzas como uma fênix, é também um símbolo de reconciliação e de paz.

Embora tenha sido o berço do protestantismo, Dresden alcançou o auge do seu grande crescimento com o rei católico Augusto, o Forte, que havia se convertido. Quase que destruída em 1945 na Segunda Guerra Mundial, recuperou-se totalmente.

 Seguindo nosso percurso fomos entrar pelas 4 da tarde na cidade de Praga, o coração da Europa, objeto de próxima consulta ao diário de viagem. Estaremos, então, penetrando no leste europeu, de línguas e costumes bem diferentes.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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