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A independência começou na Paraíba (?)

Josemir Camilo. Publicado em 7 de setembro de 2017 às 10:40

Por: Josemir Camilo

 

Um texto que li, do historiador Irineu Ferreira Pinto, me proporcionou a audácia de cunhar o título acima. Uma independência conflituosa, meio caótica, com muito gosto de sangue, mas que não foi disparado, praticamente, tiro nenhum. Apesar de uma tropa, com mais de 2.000 homens, comandados pelo sargento-mor das Ordenanças, Antônio Galdino Alves da Silva, do Pilar e o Capitão Manoel da Costa Lima e outras milícias armadas, sob o comando do Padre Ignácio Leopoldo e Antônio Pereira, que entraram na cidade da Paraíba, no dia 15 de março.

Estou me referindo à Revolução de 1817, na Paraíba, porque há um documento que foi assinado pelos revolucionários republicanos, proclamando a Independência dos brasileiros do jugo português.

Se a república é filha de Olinda (1710), se fazer conjuras às escondidas é mérito cívico dos mineiros (1789) e dos baianos (1798), e dos pernambucanos (Conjuração dos Suassunas (1801), além das conjuras no Areópago de Itambé, dirigido pelo paraibano, Dr. e ex-frade carmelita, o padre, Manoel de Arruda Câmara, o documento, em pauta, cita a Paraíba (1817).

Vai-se ver e não seria nada original se alguma liderança da mesma Revolução, em Pernambuco, tivesse dito, feito ou assinado a revolta, lá, como independência. Mas, o documento da Paraíba, está transcrito por Irineu Ferreira Pinto, em “Datas e Notas para a História da Paraíba”.

Quando estourou a Revolução Republicana, no Recife, em 6 de março de 1817, no dia seguinte, a capital da Paraíba já percebia rumores do que teria ocorrido, lá. Provavelmente, algum cavaleiro (monarquista ou revolucionário) disparara seu animal nas trilhas, no dia 6 de março, em direção Goiana e, uma vez sobreavisados os goianenses, esse mesmo cavaleiro, trocando de cavalo, deveria ter chegado à capital paraibana.

Alguns militares brasileiros já andavam escanteados de promoções, anteriormente, a exemplo do capitão Amaro Gomes Coutinho, sendo preterido em lugar de portugueses ou, pelo menos, de pessoas que declarassem extrema fidelidade ao Rei D. João (ainda não coroado). Militares e senhores de engenhos, estes querendo tirar a canga de impostos que o governo português obrigava os produtores de açúcar a pagar, pegaram em armas e depuseram o governo monarquista, instalando uma Junta Republicana

Assim que assumiu o poder, a Junta tomou as seguintes atitudes: aboliu os novos impostos que a Metrópole tinha criado sobre carne verde, lojas, taverna e similares. Extinguiu o uso de bandeiras portuguesas e insígnias reais; reduziu à metade os impostos na Alfândega; declarou igualdade entre estrangeiros e nacionais; e, mais do que uma simples troca de tratamento, instituiu o tratamento ‘vós’: cidadania.

Vingavam as ideias francesas. Este documento foi assinado pelos revolucionários, no engenho Pacatuba, em 24 de março de 1817. E, se não foi intervenção do historiador Irineu Ferreira Pinto, quando da transcrição, encontra-se em seu livro que os revolucionários teriam escrito: “1º da Independência”. Trata-se, aqui, do primeiro registro desta expressão comemorativa, antecipando-se à derivada de 1822.

E tudo não passou de 56 dias de experiência republicana (13 de março a 07 de maio de 1817), quando seus líderes, presos, foram enforcados, decapitados e as mãos decepadas.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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