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Campina Grande - PB

A Grande Queda de Braço

11/12/2017 às 12:07

Fonte: Da Redação

Por Arlindo Almeida (*)

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

 

“Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”.

A guerra de propaganda travada entre a administração federal e entidades representativas de determinadas categorias do funcionalismo público, tanto a nível federal quanto estadual, na discussão sobre a Reforma da Previdência, mostra, de um lado a incompetência do Governo em se comunicar, e, do outro as associações de servidores, muito organizadas, aparelhadas, com recursos abundantes para agir e uma forte presença nas mídias sociais. E ninguém procura, por razões óbvias, ir ao cerne da questão.

O que é indisfarçável é que se procura a perpetuação dos privilégios que passam muito longe dos interesses dos trabalhadores abrigados pelo INSS.

No que toca à Previdência, ao passo que os trabalhadores da iniciativa privada têm uma aposentadoria média pelo INSS, de R$ 1.450,00, os servidores do Legislativo Federal recebem, em média, R$ 28.882,00, ou seja, vinte vezes mais.

Já os servidores do Judiciário, recebem em média R$ 22.336,00, ou quinze vezes mais. Em seguida vem o Ministério Público Federal (que está se julgando o quarto poder), com R$ 19.100,00, ou treze vezes.

Os servidores civis recebem em média R$ 7.716,00, ou cinco vezes mais, ficando acima do teto do INSS que é de R$ 5.531,00.

Não ouvimos, até agora, nenhuma voz se levantar contra os mirrados R$ 1.450.00 dos aposentados do INSS, parecendo que estes são menos brasileiros que aqueles.

O fato, é que sem nenhuma paixão movida pela ideologia que cega as pessoas ou serve de escudo para interesses inconfessáveis, mas que são como o gato escondido com o rabo de fora, o Brasil tem que pensar numa reforma séria, que, no longuíssimo prazo, venha a equalizar as coisas, tornando menor a diferença entre a grande maioria dos que trabalham e uma minoria que usufrui do imposto que toda a sociedade paga.

Tudo isso, também no âmbito da reforma da previdência, a premência de uma discussão profunda das desigualdades abissais entre as regiões do Brasil, que também se projetam sobre um cenário que nunca deveria ser esquecido: a expectativa de vida do brasileiro, que não estamos a ouvir alguém falar sobre isso. Com efeito a expectativa de vida do nordestino e do nortista em relação à média nacional é de 3 e 3,8 anos a menos, respectivamente; já em relação ao sul as diferenças são de 4,7 e 5,5 anos. A diferença entre Santa Catarina – 79,1 e Maranhão 70,6 anos, os extremos do Brasil, é de 8 anos e meio. A conclusão mais lógica é que o tempo de contribuição para a aposentadoria deveria respeitar essa evidência inquestionável.

Não se está aqui defendendo ou acusando o Presidente da República, que nem deveria estar mais naquele lugar, mas a viabilidade de um país que caminha e passos largos para se tornar uma nova Grécia, sepultando o seu sonho e a grande possibilidade de se firmar como uma das maiores potencias econômicas em breve tempo, com menos injustiças sociais.

A Reforma da Previdência, deveria necessariamente passar por uma ampla discussão e não ser votada de afogadilho, com o uso do pouco republicano recurso de comprar votos no Congresso. Ou então ficarmos a ouvir a confusão entre reforma da previdência e direitos do trabalhador.

Ah sim! A frase inicial sobre a mentira, é de autoria do criminoso nazista Paul Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Adolf Hitler.

Mas, pior do que a mentira repetida é a ocultação da verdade e muitos estão ocultando a verdade no Brasil de hoje.

 

*Economista.

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