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A força da democracia

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 10 de outubro de 2018 às 9:07

Os resultados do primeiro turno das eleições neste sete de outubro mostram a surpreendente força da democracia num país quase desesperançado.

O verdadeiro vendaval de renovação que se abateu sobre o Brasil volta a acender as luzes da esperança de que dias melhores virão. E não se pode falar de economia dissociando-a da política.

O expurgo de velhos e carcomidos políticos de todos os matizes ideológicos, em todo o território nacional, se fez sem a presença de tropas e tanques nas ruas, sem arruaça, com as pessoas portando um simples pedacinho de papel, arma mais potente que os mais atualizados meios de destruição construídos pelo homem: o título de eleitor.

Vale lembrar a frase do extraordinário Winston Churchill “A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela”. E a prova está nas eleições de 2018.

O brasileiro, deliberadamente pouco educado no saber votar, por força mesmo dos interesses dos coronéis da política, de repente sentiu-se como que liberto das amarras e deu uma lição. A faxina foi exemplar.

É justo registrar que só a democracia é capaz dessa façanha. Os adeptos da divisão, de um conceito de luta de classe, derrotado em todo o mundo por inconsistente, estarão a esta hora amargando a dura experiência. “Democracia e o Socialismo (científico) não têm nada em comum além de uma palavra: igualdade; Mas note a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo (científico) procura igualdade na restrição e servidão”, modernizando o pensamento de  Alexis de Tocqueville.

Indo para a economia. Precisamos inovar e procurar saídas para a grave crise a que submetidos. São imensos os problemas.

  1. alto nível de desocupação de pessoas – desempregados e desalentados.
  2. desequilíbrio das contas governamentais, com déficits sucessivos e dívida pública que já se aproxima de 90% do produto interno bruto
  3. seguridade social em risco, comprometendo a capacidade futura de honrar os compromissos
  4. juros os mais altos do mundo
  5. peso da máquina pública, incluindo aí as estatais federais, algumas delas dependendo do Governo para pagamento até das despesas com pessoal.
  6. sistema tributário ultrapassado, regressivo, em que quem ganha menos paga proporcionalmente mais. Os tributos indiretos, sobre o consumo, somam 56% do total arrecadado, sobre a renda 37% e 7% sobre o patrimônio.
  7. Graves desigualdades entre pessoas e regiões do país.
  8. Deficiências na educação, na saúde e na segurança.

Causa preocupação o que têm falado os dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais e as ideias dos seus principais assessores econômicos, que, certamente, irão ocupar funções relevantes do próximo governo.

Em primeiro lugar, são manifestações isoladas sobre temas específicos, sem sua contextualização na problemática geral. Nunca foi revelado um plano consistente para o conjunto do que deverá ser feito. O que se vê são promessas contraditórias, que não falam em economia de gastos e implicam em elevação de despesas, sem dizer as fontes e que respeitem as fragilidades das contas públicas.

Como se estabelecer um pacto entre os poderes da república quanto aos gastos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário e instituições vinculadas? Hoje ninguém controla as despesas do Judiciário e do Legislativo e o Executivo vive numa camisa de força orçamentária.

Quanto vai representar em queda de arrecadação a elevação da base para pagamento de imposto de renda? Uma alíquota única não vai aprofundar a desigualdades entre as pessoas com rendas diferenciadas?

Quanto vai custar a retomada das obras paralisadas por todo o país?

Quem tem alguma proposta exequível para enxugamento da máquina pública? Muitos dos eleitos já possuem seus candidatos para preencherem lugares no serviço público (sem concurso, evidentemente).

E um pouco de política. Como serão abordadas e como serão as negociações para as reformas na legislação? Rolo compressor ou diálogo? Ouvindo a sociedade ou empurrando de goela abaixo?

Como se pergunta na fábula, qual dos dois candidatos vai ter coragem de amarrar o guizo no pescoço do gato? Uma coisa é certa. É preciso que as coisas sejam feitas planejadamente, uma avaliação cuidadosa dos impactos, sem pressa exagerada, pois os vícios vêm de longe e os problemas não podem ser resolvidos imediatamente. Por fim, um pequeno teste de aritmética que se aplica a todos: É preciso encarar uma realidade cristalina:1+1 será sempre 2. Eu sou 1, você é 1; juntos somos dois. O Brasil necessita disso, a soma, a união de todos; sem esquecer que 1 menos 1 será sempre zero.  Precisamos todos pedir a Deus Sabedoria, como fez Salomão. E que saibamos fazer a soma, a união de todos os brasileiros.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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