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Campina Grande - PB

A faxineira

13/01/2018 às 8:20

Fonte: Da Redação

Foto: Ascom

Foto: Ascom

A faxineira da Escola Pedro Alexandre de Sousa, onde fui alfabetizado lá pelos anos de 1980, era baixinha, magra e excessivamente tímida, como todas as suas irmãs. Não sei precisar ao certo o seu nome de batismo, mas recordo claramente que, eu ainda criança, sempre a via passando pelas estradas em direção ao colégio.

O pai dela tinha conseguido, junto ao prefeito da época, que a filha trabalhasse como auxiliar de serviços gerais, mas pra todo mundo, ela era simplesmente a zeladora da escola.

Ela fazia a faxina logo cedo e voltava pra casa porque era em casa que ela tinha mais trabalho. Era casada com um dos homens mais dispostos daquelas redondezas.

Eu era menino quando vi aquele moreno forte cavar um cacimbão na pedra, em frente à minha casa, a pedido de meu avô. A picareta usada na escavação tirava fogo da rocha. Nada de água, mas ele não desistia.

Da união dos dois nasceram mais de uma dezena de filhos. Todo ano era um. Depois da luta diária, seguindo o costume das pessoas daquele sítio, ela, os filhos e o marido, se dirigiam para a casa da irmã que ficava ali pertinho.

Lá eles permaneciam conversando até certas horas da noite, enquanto aquela dezena de meninos ia pegando no sono pelos cantos de parede, calçadas, redes ou qualquer lugar mais ou menos confortável.

O fato é que antes de retornar pra casa o casal reunia a criançada para levar junto com eles. Quando os meninos não eram contados ali, antes de voltarem, a contagem era feita assim que entravam em casa. Tudo para se ter a certeza de que nenhum menino ficara pra trás.

Certa noite, ao chegar em casa, a conta não fechou. Faltava alguém. Foi ai que se deram conta de que um dos meninos não estava junto aos outros. Tinha desaparecido. Mas onde havia se metido. Procuraram, recontaram e nada.

O marido dela, então, resolveu voltar e procurar a criança perdida no lugar onde eles estavam. Não entrou, buscou a criança pelas calçadas e terreiros da casa do cunhado. Deixa que ali, pelos pés de parede, também descansavam alguns animais domésticos como cabras, ovelhas, galinhas e as porcas e seus bacurinhos.

Procura daqui, procura dali até que se deram conta do improvável: o menino estava dormindo solenemente junto aquela ninhada de porcos. E o desespero do filho sumido foi superado por aquele reencontro nada habitual.

Por Jurani Clementino

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