...

Campina Grande - PB

A face imutável

01/08/2016 às 8:45

Fonte: Da Redação

RafaelHolanda-novaPor Rafael Holanda*

O tempo passa, e com ele caminhamos juntos para o mesmo trajeto que a natureza na sua mais sublime sabedoria nos mostra, e de onde muitos tentam fugir na certeza de que por trás de uma máscara cara e mal feita para enganar a velhice.

O tempo passa, e com ele começam a surgir as nossas dores pela infelicidade maior de sermos bípedes, quando na realidade seria mais anatômico se caminhássemos como os quadrúpedes que distribui de forma sensata toda força gravitacional.

O tempo passa, e cada dia da semana se torna difícil de lembrar, principalmente as memórias recentes, que se perdem em gavetas de computadores cerebrais, que se acham cheias, e sem condições de guardar qualquer coisa do momento, porém é capaz de retornar a infância e descrever a grande bronca que recebeu a trinta anos passados.

O tempo passa, e com ele segue as nossas vaidades, os nossos pudores que eram tão protegidos e, agora são desnudados por pessoas que não são da nossa intimidade, e nos limpam sem a menor sensibilidade ou cerimônias.

O tempo passa, e poder de ser o controlador das ações de casa se perde por labirinto, e muitas das vezes já não sabemos das despesas que eram tão nossas, e foram entregues a outra, e passamos de chefe para ser chefiado, de ordenador para ser mandado.

O tempo passa, e os pais se perdem no semblante do dia, e muitos já não reconhecem os filhos, e os confundem com parentes que já se foram a minha mãe já não sabe quem realmente sou há três anos, porém mesmo assim o nosso amor se torna mais firme do que quando tivemos o primeiro contacto.

O tempo passa, e vemos neles o que seremos amanhã, e se teremos a proteção que eles tem tido, pois muitos adotam a velhice dos sogros em detrimento a velhice dos pais, fazendo crê que Deus esquece, e mostrara que não deve existir tal procedimento.

O tempo passa, e a lembrança maior será quando a lacuna existir, quando o cheiro clássico dos seus pais desaparecerem da sala de estar ou quando a cadeira da mesa de jantar guardar apenas a grande saudade de risos e carinhos que eram trocados entre pais e irmãos.

Haverá o momento que muitos dirão que não sabiam que doía tanto uma mesa num canto um retrato na parede, uma rede no quarto ou um a mesinha com vários santos em que a nossa mãe usava para solicitar o Deus pela nossa proteção.

(*) Médico

[email protected]

 

Veja também

Comentários

Simple Share Buttons