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A estação da vida

Flávio Romero. Publicado em 11 de dezembro de 2016 às 12:34

Por Flávio Romero (*)

A vida é apenas uma breve passagem. Uma viagem com bilhete de retorno com data previamente determinada. O irremediável detalhe: não nos é permitido conhecer a data deste regresso.

Neste sentido, Fernando Pessoa, o mais festejado dos poetas portugueses, destaca que “para viajar basta existir”.

Na citada frase, reside a essencialidade da finitude da vida e do inevitável destino que iguala a todos, sem uma única exceção para fugir da regra.

Desembarcamos na estação da vida sem malas ou outros tipos de equipamentos. Na estação, ao nascer, só trazemos a insustentável leveza do nosso ser.

Com o passar do tempo, vamos adquirindo e enchendo malas com os múltiplos apetrechos que enfeitam a vida. Também guardamos nas malas os apetrechos que desejamos ocultar aos olhos da humanidade.

As malas possuem tamanhos e formas diferentes. Malas pequenas e grandes. Leves ou pesadas.

Na estação da vida, vamos empilhando, deliberada ou inconscientemente, as múltiplas malas da existência.

Repentinamente, o trem aporta na estação e somos chamados a ingressar. É a data do retorno ao lugar comum – insondável e desconhecido.

O espaço que nos foi reservado no vagão é ínfimo. Não acolhe todas as malas acumuladas na estação da vida.

Sem que sonde a nossa vontade, o auxiliar do trem seleciona entre as malas empilhadas na estação as que irão para dentro do vagão, nos acompanhando na viagem derradeira.

As malas mais pesadas, cheias de bens materiais acumulados, são as primeiras a serem descartadas.

Para onde se destina o trem, esses bens não têm nenhum valor.

Porém, uma das pesadas malas é selecionada pelo auxiliar do trem.

Ele informa que a citada mala, cheia dos sentimentos e valores negativos que acumulamos ao longo da existência, ficará estrategicamente ao nosso lado, pois no destino final, teremos que prestar conta do conteúdo na alfândega espiritual.

Finalmente, todas as malas leves, plenas de sentimentos e valores do bem que acumulamos ao longo da vida, são introduzidas no ínfimo vagão que nos foi destinada pelo condutor do trem.

É somente essa bagagem que nos é permitido levar. Estas malas passam livremente pela alfândega espiritual pela porta destinada aos viajantes que não têm nada a declarar.

Nessa reflexão, reside a razão da nossa existência: entender a efemeridade da vida na Terra.

Leonardo da Vinci, asseverou com muita propriedade que “quando eu pensar que aprendi a viver, terei aprendido a morrer”.

Compreender o mistério que envolve a nossa derradeira viagem passa, necessariamente, por aprender a viver, para aprender a morrer.

O trem chega ao seu destino.

Você desembarca.

Acendeu-se a luz verde?

Pode passar.

(*) Professor

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Flávio Romero

* Educador.

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