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Campina Grande - PB

A dor da morte

Governo anuncia ´festival´ de privatizações e inclui aeroportos de João Pessoa e CG - image data on https://paraibaonline.com.br17/06/2016 às 23:31

Fonte: Da Redação

Por Flávio Romero

Por que sentimos uma pujante dor diante da morte?

É uma dor forte, filha do desengano. A dor da morte iguala a todos. Não faz nenhuma distinção. É dor que entristece os pobres e os ricos e faz brotar as lágrimas em negros, pardos e brancos.

Aperta o peito dos religiosos e dos ateus.

É dor que dói em todos os idiomas.

Em qualquer época da história.

A dor da perda é a expressão mais verdadeira da penosa aniquilação do corpo físico. Penso que a dor é o elemento que mais caracteriza a repulsa que temos à ideia da morte. O tênue laço criado com frágil inconstância se desfaz.

Muitas vezes, com a ruptura deste laço, também morrem os sonhos e as ilusões. Se a morte é a única certeza, por que sucumbimos na dor ante esta regra inexorável?

A morte é uma espécie de cobrador que vem ao encontro de cada um de nós para cobrar uma dívida impagável. Infelizmente, é um cobrador que não aceite negociar. Aparece no momento que julga oportuno. Não segue nenhuma regra racional de temporalidade. Gaba-se de dominar a imprevisibilidade.

Ao cobrar a dívida, retirando o sopro da vitalidade, o cobrador leva com ele, muitas vezes, como uma espécie de juros, as doces esperanças e as chamas da fé dos que na Terra permanecem.

Ao fechar a porta, concluindo o seu desiderato, o cobrador frio deixa para trás uma dor que não some. Uma dor que consome.

A dor pela ausência do ente querido faz surgir questionamentos acerca do sentido da vida. Algumas vezes, a dor aumenta com resquícios de sentimento de culpa.

Cada um se culpa, por não ter feito muito mais pelo ser querido, que já não se encontra no plano físico.

Pensamos: “Eu poderia ter amado bem mais. Brigado bem menos. Compartilhado mais os múltiplos instantes da vida. Ter sido mais presente. Ter sido mais afetuoso”.

Diante da morte, tudo que pensamos em fazer no presente, faz parte do passado.

Infelizmente, a morte é um filme que não admite reprise.

Qual o lenitivo para esta dor?

Não tenho respostas.

Mas, se a morte é um filme sem reprises, a vida é a expressão mais sublime dos cenários nos quais gravamos novas películas.

A vida continua célere e desafiadora para os que continuam na Terra. É preciso envidar todos os esforços emocionais para que a vida não se torne monocrômica. É preciso salpicar de tonalidades multicoloridas os cenários daqueles que ficaram.

Felizmente, a dor é superada na medida do possível e aos poucos, inclusive pelo fortalecimento dos laços de amor e de solidariedade entre os que ficaram.

Fica, portanto, uma última reflexão:

Faça sempre pelo próximo o máximo que puder, inclusive por meio de gestos de carinho, de afeto e de bondade.

Desta forma, quando o cobrador bater à porta, o devedor que se despede da vida antes de nós, levará na mala, o legado do bem e do bom que lhes proporcionamos, em tempo.

Confúcio, poeta e filósofo chinês, com uma sabedoria profunda, afirmou: “Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos que resolver primeiro”.

Qual o primeiro problema que temos que resolver no instante presente?

Olhar para o ente querido que estar ao nosso lado e reafirmar o amor que sentimos.

Afinal, pode ser a última oportunidade de fazê-lo.

Ou você pensa diferente?

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