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A degradação do centro urbano e outras questões

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 8 de maio de 2019 às 10:04

A experiência mundial mostra que os centros urbanos, locais das primeiras aglomerações humanas, de inegável importância histórica, sofrem gradativos processos de degradação, decorrentes mesmo das dinâmicas que se incorporaram à vida das cidades.

Os centros enfrentam processos de desgaste frente às mudanças que ocorrem no seu ambiente.  O surgimento de novas centralidades, que carregam consigo mais facilidades de acesso ao cidadão é indício do processo de degradação de centros: perfil do setor imobiliário, características de morfologia e paisagem, condições de acessibilidade, mobilidade e utilização do solo e valor a ele atribuído.

Em Campina Grande, o centro já não é tão dinâmico, ainda com grande fluxo de pessoas, mas a envelhecimento físico já é visível. São problemas de variadas ordens, a exigir das autoridades municipais medidas eficazes para sua solução, a começar com um planejamento que se adeque à realidade vivida, recuperando o que desgastado pelo tempo e pelo uso, respeitando a conformação urbanística sem desvirtuar o que foi construído pelas gerações passadas.

Assim, assistimos a questão imobiliária propriamente dita, não bem percebida pelos que adquirem imóveis na expectativa de auferição de grandes lucros e na constatação de muitos prédios comerciais com placas de “aluga-se” por muito tempo sem haver demandantes. Sem esquecer construções em péssimo estado de conservação, muitas inacabadas, perigo para transeuntes e veículos. E a proliferação de “estacionamentos” sem condição de funcionamento.

As calçadas estão em petição de miséria e não oferecem as mínimas possibilidades para a movimentação de pedestres: muitas em desnível, quase todas com piso irregular e buracos. Um “passeio” pelas ruas João Pessoa, João Suassuna, Irineu Joffily, Maciel Pinheiro, Marquês do Herval, Floriano Peixoto, e outras mais, confirma o que estamos dizendo.  Vendo, ainda, o estado da Rua Padre Ibiapina, sem calçadas, em que já deveria ter sido extinto o estacionamento, ou a Rua Miguel Barreto, interessante passagem das Boninas para a Rua João Pessoa.

E as marquises, onde existem, em mau estado de conservação?

E o asfalto de ruas, com buracos que são fonte de desgaste para veículos? E o sistema público de combate a incêndio? Os hidrantes funcionam?

É notório o caos no trânsito, principalmente nos horários de pico, quando pouco se vê a presença de funcionários da STTP, orientando e fazendo fluir o movimento de veículos, como se vê por todo o mundo.

A descentralização do centro urbano, com importantes ramificações por toda a cidade é um fator positivo, mas é necessária política pública que iniba a repetição dos mesmos problemas gerados na área central, trazendo mais comodidades para o cidadão. Como estão, por exemplo, as ruas e avenidas comerciais como Manoel Tavares, Assis Chateaubriand, Odon Bezerra, Campos Sales, Elpídio de Almeida, Juscelino Kubistchek, Almeida Barreto, Almirante Barroso?

Tem a Prefeitura algum projeto para solucionar de forma eficaz as questões dos dias presentes?  qual a matriz urbanística desenhada? A população precisa ser bem informada sobre essas coisas de tão grande importância.

Essa questão de diminuição relativa da importância do centro urbano em função da desejável descentralização das atividades humanas é apenas uma parte de tudo que nos interessa e esbarra numa pergunta. Campina Grande quer apenas isso ou revigorar sua posição como 2º maior PIB da Paraíba e o 15º do Nordeste? Outros municípios do Nordeste estão crescendo mais que Campina Grande.

O que desejamos para nosso futuro?

Em 2016/17, a empresa Macroplan, sob a direção do competente Economista campinense Cláudio Porto, realizou importante trabalho denominado “Campina 2035”, sob o patrocínio da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, tratando do nosso desenvolvimento no médio e no longo prazos, englobando, por natural, a abordagem feita neste nosso encontro semanal. Ali está posto:

Inexiste projeto para equacionar a degradação do centro urbano e o fortalecimento dos bairros para onde se espraiaram as atividades econômicas de Campina Grande. Por outro lado, O que foi feito do bem elaborado diagnostico da Macroplan? A Prefeitura tem algum setor que cuide disso? Ou o documento serve apenas como uma carta de navegação para ornamentar prateleiras, como em tantas outras oportunidades das quais temos notícia.

Vivemos hoje o dilema do oito ou oitenta. Nem projeto ou projeto inútil.

Um panorama perfeito para o que disse um anônimo nordestino: “É oito ou oitenta, cala ou grita, vai ou fica. Pois do incerto aqui na terra, já basta o tempo de vida”.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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