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A crise dos Combustíveis e a Cegueira Ambiental

Fábio Agra de Medeiros. Publicado em 10 de julho de 2018 às 8:56

O Brasil gastou fortunas para investimentos no Proálcool, incentivou políticas de energias e combustíveis renováveis, assinou acordos internacionais de diminuição de gases de efeito estufa e vários outros acordos intermediados pela ONU, no entanto, o que se vê é a continuação da busca insana pela produção cada vez maior de petróleo e seus derivados.

Carlos Rittl afirmou que investidores precisam saber se existem objetivos concretos de mudança da matriz energética brasileira. Os preços das energias renováveis modernas estão caindo assustadoramente. O mercado internacional vem provando que elas são viáveis e competitivas, basta que tenhamos incentivos e visão estratégica por parte dos governos. O etanol brasileiro é extremamente eficiente do ponto de vista de conversão de energia, mas vem sofrendo com o controle estatal de preços da gasolina. É preciso onerar o combustível mais poluidor e desonerar o menos poluidor. E também onerar o carro cujo motor emite mais gases poluentes e desonerar o que emite menos. A poluição ambiental provocada pelos combustíveis fósseis causa vários problemas ao planeta e a população tais como: aquecimento global com a liberação de dióxido de carbono, chuvas ácidas causadas pelo dióxido de enxofre, doenças respiratórias e reações alérgicas, desde as mais simples como asma até as mais graves como câncer de pulmão, atingindo a qualidade de vida das pessoas. Os acidentes com navios que transportam petróleo não são tão raros e causam impactos importantes na vida marinha.

É verdade também, que nossa matriz energética é melhor em comparação a mundial. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, temos um percentual de energias renováveis de 43,5% enquanto a nível mundial este percentual é de apenas 14,1%. É difícil saber os reais motivos de não avançar mais na busca da inversão do balanço, de uma vez por todas. O fato é que vimos recentemente os efeitos do  atrelamento dos preços dos combustíveis, ao câmbio do dólar e ao preço internacional do barril de petróleo. Será que se nossa matriz energética fosse, na sua maioria ampla, de fontes renováveis, os efeitos e prejuízos causados pela greve dos caminhoneiros seriam tão fortes?

O Brasil e boa parte da população mundial torcem e até exigem, em alguns casos, que os governos incentivem cada vez mais e exerçam sua influência para que a produção de energias renováveis avance cada vez mais, para o bem do planeta. No Brasil, em ano eleitoral, certamente o tema será debatido e os candidatos com mais visão ambiental e de futuro energético sustentável levarão vantagem. Cabe aos brasileiros escolher melhor seus representantes no executivo e legislativo, e que as escolhas tragam novos horizontes ambientais, pois temos um enorme potencial de crescimento nessa área estratégica.

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Fábio Agra de Medeiros

Professor Doutor da Universidade Estadual da Paraíba.

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