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A contestação de Agnello Amorim

Noaldo Ribeiro. Publicado em 16 de abril de 2018 às 10:19

Estava eu como Lázaro no sepulcro e eis que, não Jesus, mas a irresignação de Agnello Amorim me atingiu em cheio, retirando-me da inércia, erguendo-me do repouso tumular – que, ainda bem, por enquanto é apenas uma figura metafórica.

Na oportunidade anterior adjetivei sua caneta de linguaruda e pontiaguda, porém desconhecia que a mesma funcionava como uma bondosa varinha de condão capaz de ressuscitar defunto.

Até então os meus textos estavam sendo lidos por meia dúzia de generosos amigos. Seus reclamos à quebra do ineditismo do seu livro, Histórias Submersas – fez-me sair do mofo do túmulo, emergindo vivíssimo para os holofotes.

Minha consciência repousa em sono esplêndido, tranquilo, sem nenhuma faísca de culpa. Afinal, a queixa do Dr. Agnello foi atraída por ele mesmo. Esqueceu-se de uma antiga lição de uma personagem de um romance de Gabriel Garcia Marquez que alerta: “Nunca mostre pra ninguém os originais de seu livro, cedo ou tarde o seu conteúdo será afanado”.

Conhecendo-se a minha índole de querubim do bem, Agnello tem ciência que eu seria incapaz de furtar suas histórias, na verdade histórias da cidade. Apenas, tão somente apenas, incitei a expectativa dos leitores para em breve, incluindo Ronaldo do Sebo, devorar o livro em vias de entrar no prelo.

Pelo sim, pelo não, aproveito o esperneio do escriba e, conforme combinado com ele, adianto mais alguns casos que estarão possivelmente no livro, potencializando ainda mais a curiosidade daqueles que, nesses dias de mensagens telegráficas, resistem em ser leitores.

Aguardem, portanto, as aventuras do capitão Lantmam e seus dentes dançantes (o amante da Liberdade); A safra de revolucionários do PSB que tirou o sono de Vital do Rêgo e outros contos e crônicas fantásticas.

OBSERVAÇÃO: No dia 29\03 publiquei neste espaço coluna intitulada “A Caneta de Agnello Amorim”. Apesar de ter recebido a devida guarida, Agnello mostrou-se interessado em fazer algumas ponderações a respeito, sem propósito de digladiar e, sim, de convergir a partir de ajustes. Daí o texto acima e, honrosamente (creio também ser o sentimento do Paraibaonline), a concessão do espaço para sua bem-vinda réplica, sem dúvida mais uma pérola do Mago da Escrita.

Prezado Noaldo Ribeiro

Para alguém egresso do confinamento de um túmulo – mesmo que seja ele uma construção figurada – você está em ótimo estado, sobretudo quanto à escrita, leve, aprumada e reveladora da preocupação com os assuntos campinenses, o que, de resto é uma obrigação de todos nós – o que deveria ser também a daqueles a quem renumeramos para serem nós todos, em qualquer instância pública eletiva.

Foi você quem afirmou, por via mediática, que “Até então estavam sendo lidos por meia dúzia de generosos amigos. Seus reclamos à quebra de ineditismo do seu livro, Histórias Submersas – fez-me sair do mofo do túmulo, emergindo vivíssimo para os holofotes.”

Quanto sair do túmulo com ajuda da minha suposta reclamação, espero que a sua linguagem seja realmente metafórica, pois se tal fosse possível, a prática constante dos reclamos abalaria interesses que vão da mercancia fúnebre aos sagrados postulados do direito hereditário – que a maioria não se ofende em exercê-los, plenamente.

No que diz respeito a estar sendo lido “por meia dúzia de generosos amigos”, nada a opor pois são, certamente, aqueles que “resistem em ser leitores”, o que, verdadeiramente, é um incentivo ao ineditismo.

Doutra banda, estou realmente ultimando a revisão dos textos do livro Histórias Submersas, onde conto em forma de contos e crônicas aquilo que você disse ser “na verdade história das cidades”, que “nada tem de provincianos. Mesmo tendo como cenário a cidade de Campina Grande, Minha Borborema, as narrações poderiam ter ocorrido nos escombros das cidades iraquianas, na luminosidade da tentadora Paris ou em qualquer lugar.”

O título é uma metáfora hídrica inspirada no nosso Açude Velho – que o enorme Elpídio de Almeida, a ele se referindo, assegurou que “Servia para tudo e para todos, ao do lugar e aos de fora”.

A acusação que você fez ao genial Gabriel Garcia Marquez como autor da frase “Nunca mostre pra ninguém os originais do seu livro, cedo ou tarde o seu conteúdo será afanado”, corresponde aproximadamente ao conselho que foi dado ao autor de 100 ANOS DE SOLIDÃO, pelo dramaturgo e livreiro colombiano Dom Ramon Vinyes, e registrado por Gabito, em sua obra de cunho auto-biográfico VIVER PARA CONTAR: jamais mostre para alguém o rascunho do que estiver escrevendo.

A recomendação – pelo que entendi ao ler o livro VIVER PARA CONTAR – não se referia ao risco da apropriação do conteúdo da obra pelo leitor antecipado – o que lê na elaboração do escrito – mas o que significa essa leitura como abertura a toda sorte de palpite e intromissão quanto ao conteúdo e aos aspectos formais do que está sendo feito.

Não pretendo transformar isto aqui num ato de questionamento ou refutação, porém de esclarecimento sobre o que você veiculou em sua sempre lida coluna, no eficiente PARAIBA ONLINE, a qual me incorporo como o sétimo leitor, não tão generoso quanto os outros seis, porém seu amigo.

Aproveito a oportunidade para agradecer a sua contribuição à feitura do livro, posto que pelas revelações  feitas sobre os contos e crônicas de HISTÓRIAS SUBMERSAS, você conseguiu – pelo mérito da indiscrição – o crédito pelo índice do livro.

Como é minha intenção antecipar o destino final de HISTÓRIAS SUBMERSAS, pretendo lançá-lo no SEBO DE RONALDO, que terá muito tempo de vida para ir renovando seu curso ou trânsito – e com isso ganhando os O$$O$ do ofício.

Recomendo aos futuros leitores que adquiram o livro onde ele se encontrar e se forem amigos de Ronaldo do Sebo, não leiam HISTÓRIAS SUBMERSAS, pois a leitura, folhear de páginas e acomodação de cada exemplar concorrem para diminuir o seu valor de revenda.

Campina Grande, 10 de Abril de 2018

Agnello Amorim

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Noaldo Ribeiro

* Sociólogo.

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