Fechar

Fechar

A árvore frondosa do cristianismo

Padre José Assis Pereira. Publicado em 16 de junho de 2018 às 11:56

Seguimos a cada Domingo fazendo a leitura continuada do Evangelho de São Marcos, esta Palavra é a melhor escola para aprender e aprofundar o seguimento de Jesus.

E Jesus ensinava, sobretudo, com “parábolas” assim Ele se fazia entender por todos, aproximava a mensagem do Reino de Deus à simplicidade da vida daqueles seus ouvintes.

O mesmo fez o profeta Ezequiel (cf. Ez 17, 22-24) falando a um povo que está no exílio; que não tem nem rei, nem Templo, nem sacerdócio e tem poucos motivos para a esperança. Nestas circunstâncias, o profeta lhes diz que será Deus mesmo que fará deste povo desterrado e desesperançado um povo livre e poderoso: “Eu mesmo tirarei um galho da copa do cedro, do mais alto de seus ramos arrancarei um broto e o plantarei sobre um monte alto e elevado… ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele pousarão tosos os pássaros”. São imagens simbólicas que não necessitam muita explicação porque são acessíveis para todos.

Os exilados na Babilônia perderam toda esperança. Tinham que suportar um povo estrangeiro que interpretava sua vitória como uma vitória de seus deuses sobre o Deus de Israel. Mas as grandes civilizações antigas, surgidas na Mesopotâmia e no Egito, estão agora sepultadas nas ruinas arqueológicas ou nos livros ao passo que o pequeno e exilado povo de Israel, tornou-se um grande povo de crentes, “um cedro majestoso”.

Nós, cristãos deste século XXI, podemos aplicar a nós mesmos este texto quando as circunstâncias pessoais, religiosas, sociais econômicas e políticas nos são adversas. Deus não nos abandona nunca, só quer que nós, impulsionados por nossa esperança cristã, trabalhemos por nossa parte para vencer todas as dificuldades que temos.

Mas a profecia de Ezequiel é messiânica, alusão a um senhorio universal a cujo amparo acudirá todos os povos. Esta imagem a encontramos de novo na parábola evangélica do grão de mostarda do evangelho de São Marcos (cf. Mc 4,26-34).

Marcos nos leva à Galiléia, junto ao mar, nos primeiros tempos do anúncio do Reino. Uma grande multidão segue Jesus, a fim de escutar a sua Palavra e Ele “ensinava muitas coisas por meio de parábolas”. Para fazer chegar a todos a sua proposta, Jesus utilizará este recurso. Entre as coisas que distinguiam Jesus dos outros mestres religiosos de seu tempo, figura o fato de Ele ensinar mediante parábolas. Uma linguagem figurada, pois a imagem ou comparação é muito mais rica em força de comunicação do que a exposição teórica; uma

linguagem viva, questionante, que aguça a curiosidade; um verdadeiro método pedagógico que

leva as pessoas a pensar por si, a tirar conclusões; Uma linguagem sugestiva, acessível, instrumento de diálogo, que mexe com todos.

Escutamos como aquela multidão que seguia Jesus duas parábolas. A primeira é a do semeador: “O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra: Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece…” (vv. 26-29) Nesta parábola a questão essencial não é o que o agricultor faz, mas o dinamismo vital da semente.

O resultado final não depende dos esforços e da habilidade de ninguém. O Reino de Deus possui em si mesmo um princípio de desenvolvimento, uma força secreta, que o leva até á sua plena realização. O Reino de Deus (a semente) é uma iniciativa divina: é Deus quem atua no silêncio da noite, no tumulto do dia ou na turbulência da história para que o Reino aconteça; e nenhum obstáculo poderá frustrar o seu plano. Desta forma, a parábola convida-nos à serenidade e à confiança no Deus que não dorme e que não deixará de realizar, a seu tempo e de acordo com a sua lógica, o seu plano para a humanidade.

Na segunda parábola do Reino Jesus encontra na semente mais um ponto de comparação: “O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra; Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra” (vv. 30-32).  A Igreja é a árvore frondosa que continua acolhendo pássaros que chegam de todos os lados. Mas o que mais importa não é a quantidade de novos galhos e sim a qualidade da semente, da Palavra, tão única que nada a pode suprimir. Assim nos tornamos semente dinâmica do Reino e efetivamente árvore frondosa que abriga muitos pássaros.

Jesus quer nos ensinar que não temos de temer que algo comece com aparente pouco tamanho ou valor reduzido u insignificante. Com o tempo pode chegar a ser grande. É uma parábola para ilustrar o previsível crescimento do Reino de Deus e evidentemente, é metáfora válida para profetizar sobre o crescimento da futura Igreja, do cristianismo. A bela imagem compara a Igreja a uma grande e alta árvore que em seus galhos, ou à sua sombra se aninham todo tipo de pássaros, pois nela se sentem seguros. Não se pode negar que dá um pouco de tontura pensar o que foi o grupo primeiro dos doze seguidores de Jesus e o que hoje é o contexto global dos cristãos.

No recente Anuário Pontifício 2018 e pelo Annuarium Statisticum Ecclesiae 2016, redigidos pelo Departamento Central de Estatísticas da Igreja Católica aumentou o número de cristãos batizados. Os fiéis católicos no mundo continuam a aumentar de ano em ano, embora com mais lentidão do que no passado.

A África é o continente com maior crescimento de batizados (17,6%) dos católicos de todo mundo mais de 228 milhões enquanto que a Europa registra uma diminuição (0,2%) de fiéis. Quase a metade dos fiéis, reside nas Américas (48,6%) sendo que (27,5%) só no Brasil que se confirma como o país com o maior número de católicos no mundo. Os católicos batizados passaram de 1 bilhão e 299 milhões.

Além da importância, tamanho e capacidades de nossa Igreja, não podemos esquecer os milhões de irmãos que se agrupam e vivem o pensamento de Jesus de Nazaré em outras igrejas cristãs.  O grão de mostarda dos doze discípulos de Jesus tornou-se uma grande árvore, cujos ramos chegam aos extremos confins da terra. E tudo pela força intrínseca daquela pequenina semente que é a Palavra de Deus que cresce nos corações.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Padre José Assis Pereira

* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

falecom@fhc.com.br

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube