Fechar

Fechar

A apoteótica festa da menina cheia de gosto

José Mário. Publicado em 20 de setembro de 2017.

Para o Dr. Tadeu Vitorino, boa-vistense ilustre, e Valneida, sua digna esposa.

Apoteótica, eis o adjetivo que, a meu ver, melhor cartografa a cerimônia de lançamento do livro Memórias Possíveis de uma Menina Cheia de Gosto, de autoria da professora universitária e escritora Maria da Conceição Araújo, ocorrida no lotado plenário da Câmara Municipal da cidade de Boa Vista, Casa de Antonio Pereira de Almeida.

Vocacionada para o ato/processo da criação literária, que ela reputa como absolutamente fundamental na fascinante e desafiadora arte da existência, Conceição Araújo tem, com sistemática regularidade, produzido uma série de livros sumamente importantes, sobretudo porque emanados das verdades íntimas e dos sentimentos autênticos que afloram da sua recôndita subjetividade.

Confiteur, Chá das Quatro e Luas de Abril, invenções de Conceição Araújo no território da lírica, evidenciam bem, dentre outros componentes detectáveis no plano temático, um inarredável apego telúrico, uma espécie de indesviável paixão pelas origens, fruto de uma urgente e ingente necessidade que a autora tem de ser fiel à clássica lição exponenciada por Leon Tolstói em suas pedagógicas reflexões literárias; e, assim sendo, cantar a sua aldeia, postulando, a partir dela, como se espera de toda arte verbal que se pretende genuína, as dimensões da universalidade.

Ancorada no porto de uma expressividade mais assumidamente confessional, Memórias de uma Menina Cheia de Gosto constitui-se numa espécie de narrativa lírica, em cujo espelho das palavras a cidade de Boa Vista se vê; se reconhece; e se emociona, na medida em que cada episódio narrado, cada recordação evocada, cada cena e cenário, descritos, cada personagem esculpida, tudo bem urdido e correlacionado, compõe um enredo que é tanto canto autobiográfico quanto reconstituição coletiva.

Por esse viés, a cidade de Boa Vista impõe-se como a grande personagem do afetuoso e comovente livro que Conceição Araújo escreveu, imortalizando, desse modo, o seu chão, a sua terra e a sua gente.

A solenidade, que acolheu o emblemático encontro literário, consorciou extensa durabilidade cronológica com indisfarçável e empática agradabilidade, contando, em seu cerne composicional basilar, com um diversificado número de discursos que, portando cada um deles a sua particular especificidade, enfocaram a importância do livro de Conceição Araújo. Todos eles foram belos e qualificados, com destaque para a extraordinária crônica de autoria da escritora boa-vistense Miraci Farias. Crônica lírica, erudita, e, ao mesmo tempo, dotada de alto poder de comunicação; e que, ao final da sua leitura feita pela autora, foi, com justo merecimento, alvo de calorosos aplausos por parte dos presentes. Pontuo a condução de Socorro Perico, que se houve, em sintonia com o presidente do Legislativo Mirim, com invulgar desembaraço.

De igual maneira, ganhou relevo o código musical representado, de um lado, pela maviosa flauta de Roniere Leite, que, com a sua valsa intitulada Cheia de Gosto, emocionou os presentes; e, de outro, por um belo coral de senhoras, que, sob a regência de um entusiasmado violonista, interpretou canções que o tempo não consegue apagar. Louve-se aqui, de igual maneira, uma senhora que, diria Gonzaguinha, soltou a sua voz e a fez contracenar com os inesquecíveis tempos de outrora, que não voltam mais.

Por último, incursionamos no mágico-mítico espaço da Fazenda Roçado Mato, propriedade do casal Egberto/Conceição Araújo, no qual os códigos da gastronomia farta e da convivência fraterna deram-se as mãos e compuseram um hino chamado querer bem.

 

Por José Mário da Silva

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

José Mário

falecom@fhc.com.br

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube