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A Academia, patronos e confrades em julho

Josemir Camilo. Publicado em 29 de julho de 2017 às 8:15

Por Josemir Camilo de Melo (*)

Pretendo, por um tempo, com ajuda dos demais confrades, divulgar nesta mídia, o onomástico por mês e dia de nascimento e morte da nossa ALCG, para que não se perca a memória dos nos precederam em gravar as letras e a cultura da Rainha da Borborema. Portanto, do que conseguimos pesquisar para o mês de julho, eis os que nos honraram com seus escritos: José Stênio Lopes, nascimento: 05/07/1916; Ronaldo José da Cunha Lima F: 07/07/2012; Ascendino Virgínio de Moura, falecimento: 12/07/1956; Josué Sylvestre da Silva 16/07/1937; Cândido Firmino de Mello Leitão 17/07/1886; Everaldo Alves Lopes Ferreira. 19/07/1929 (segundo, o confrade José Morais Lucas, nosso médico mais longevo); Cristino Pimentel 22/07/1897; Félix de Souza Araújo, 27/07/1953; Mauro da Cunha Luna 27/07/1897; José Lopes de Andrade 28/07/1914. Pela antiguidade das datas, percebem-se os nascimentos; as mais recentes, falecimentos.

Destes, um dos maiores nomes, que se tornou nacional, foi Cândido Firmino de Mello Leitão, grande cientista, biólogo, nos deixou várias obras sobre sua especialidade e até sobre História. Aluno do Prof. Clementino Procópio, foi, depois morar, no Rio de Janeiro, onde se formou em medicina; foi professor do Museu Nacional, e de outras instituições de ensino superior da então capital federal. Representou o país em vários congressos internacionais. Em sua área publicou a Vida Maravilhosa dos Animais, Zoogeografia; A Biologia no Brasil; A Vida na Selva; Biologia Geral; e História das Expedições Científicas. Além destes, nos legou a obra O Brasil Visto pelos Ingleses; e Visitantes do Primeiro Império.

Os mais comentados pelos confrades e confreiras das duas instituições culturais, irmãs, a ALCG e o IHCG, foram os poetas Ronaldo e Félix Araújo, dois forasteiros que foram adotados pela cidade e a adotaram até a passagem para a imortalidade. Do poeta que viu a guerra, comemorado mais recentemente, nos escreveu a presidente do IHCG, nos avisando com antecedência, bem como seu descendente, Félix Araújo Filho. Talvez por ter sido seu desaparecimento tão brutal e em longo tempo de sofrimento, como destacou o cronista, em seu livro, Cristino Pimentel, pois sofrera tentativa de assassinato em 13 de julho e veio a falecer no dia 27. Todos dos IHCG rendem, nesse dia, Homenagem ao grande Democrata, tribuno e Poeta. Já Ronaldo, o poeta, tem uma história mais recente, agora imortalizado na biografia que lhe fez o historiador José Octávio de Arruda Mello.

Félix ainda possui testemunhos vivos, como nos narra uma testemunha e hoje confrade na Academia, José Morais Lucas, que nos escreveu: “Homenagem justa a Félix de Souza Araújo, que tive o prazer de conhecê–lo pessoalmente. Eu criança de 12 anos que gostava de frequentar sessões da Câmara Municipal de Campina Grande, e ele vereador atuante e brilhante. Quando nos identificamos, pois, além de ser a única criança que frequentava às sessões noturnas daquela Casa Legislativa, em algumas ocasiões regressamos juntos para casa, pois ele residia na rua João Lourenço Porto, antiga rua da Floresta e eu muito próximo, mais precisamente na rua Álvaro Gaudêncio. O seu assassinato para mim foi uma grande surpresa e um choque muito grande”. Grande registro, memória viva do tribuno!

E, por fim, no dia 28 de julho, se comemoram 103 anos do nascimento do Patrono da Cadeira Nº 04 da ALCG, o queimadense, José Lopes de Andrade (28/07/1914-13/04/1980), que tem como atual ocupante, o confrade Bruno Gaudêncio. Além do magistério, exerceu o jornalismo, cujos estudos e crônicas tiveram publicação post-mortem, pelo historiador José Octávio de Arruda Melo e outros, Um Militante da Imprensa. Seu principal livro, Introdução à Sociologia das Secas, foi prefaciado por Gilberto Freyre, tal a envergadura de seus estudos regionais.

De seu próprio punho nos deixou obras como Mão de Obra Qualificada em Campina Grande, Função Comercial e outros Serviços da cidade de Campos, A Província está Esquecida, Forma e Efeito das Migrações do Nordeste, Campina Grande, Cidade Pólo, Secas e Açudagem; publicou, em francês, Le Nord´est du Brésil. Pelo seu desempenho intelectual, foi eleito membro da Academia Paraibana de Letras. Parabéns à família de José Lopes de Andrade e lamentamos não haver, ainda, uma biografia de tão dinâmico intelectual, professor e jornalista, um dos fundadores da URNe (hoje, UEPB).

(*) Professor, historiador, presidente da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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