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A Academia no Sítio São João

Josemir Camilo. Publicado em 1 de julho de 2017 às 9:02

Por Josemir Camilo de Melo (*)

A posse na casa de farinha, do referido museu vivo, foi abrilhantada com uma caravana literária, formada por treze escritoras e um escritor, pernambucanos, representando dois programas culturais e quatro entidades literárias, vindos do Recife para, também, conhecer o Maior São João. As entidades que se fizeram presentes foram: União Brasileira de Escritores (UBE), representada por Eugênia Menezes (prima de Ariano Suassuna); Academia Brasileira de Letras, seccional de Pernambuco, por Telma Brilhante; ALANE, Academia de Letras e Artes do Nordeste, por Melquíades Montenegro; e ALAS, Associação de Artes e Letras de Surubim, por Fátima Almeida, além da presença de Ariadne Quintella, escritora, jornalista, e revisora da CEPE (Companhia Editora de Pernambuco). Dois programas culturais fizeram-nos inveja: Jornadas Culturais da União Brasileira de Escritores (UBE- PE), coordenado por Fátima Almeida e Movimento em Defesa do Livro Pernambucano, por Elvira Oliveira. Todas estas entidades e programas nos presentearam com uma brilhante tertúlia, após a posse da nova diretoria, mergulhados no cheiro, no cenário e na memória de nossas raízes, como bem enfatizou Elvira Oliveira.

Aproveito este espaço para reproduzir parte do discurso da nova diretoria.

Neste clima festivo, minhas senhoras e senhores, confrades e confreiras, visitantes ilustres, saúdo a todos na pessoa de um velho companheiro de aulas, o prof. Melquíades Montenegro, de quando nos arriscávamos, em uma Kombi a irmos do Recife para dar aulas em Nazaré da Mata, à noite. Não tenho o dom da oratória, lembrando, nisto, o papel alternativo do nosso grande jurista, cujo centenário de morte se deu no ano passado, Afonso Rodrigues de Souza Campos, cuja biografia, de nossa lavra, já se encontra no prelo. Recorro apenas ao universo dos mortais, o discurso direto e despojado.

Os caros confrades e confreiras me colocaram às mãos não um pacote de presente, mas um pacote de desafios que, se esta diretoria os eliminar, a fênix amauryana (perdoem-me o neologismo) ressurgirá. No entanto, não pensemos que só a diretoria irá empreender o ingente trabalho de empurrar, ladeira acima, os desafios que esta Academia de Letras de Campina tem enfrentado.

Haverá, portanto, de ser um esforço coletivo, para que não ocorra a fatídica sentença prevista pelo nosso Regimento Interno, art. 35, que diz: “Academia de Letras de Campina Grande não será extinta enquanto tiver, pelo menos dez (10) membros efetivos”!

Para que isto não ocorra, torna-se urgente, para ontem, que das quinze cadeiras vacantes, os candidatos já eleitos para nove delas, assumam o imediato compromisso de tomar posses, ainda este ano. E, para as novas cadeiras vacantes, a Academia, neste evento, lança um edital para o preenchimento de três vagas, a saber: cadeira 16, antecessor, Ronaldo Cunha Lima; cadeira 24, José Laurentino; cadeira 35, Silvino Olavo.

Portanto, será política desta nova diretoria, não só dar prosseguimento em busca de sua sede, como a de lutar por apoio financeiro, principalmente assumindo o que anuncia o art. 16 do nosso Regimento Interno, para com os membros desta Academia, ou seja: uma “contribuição financeira regular”. Também a diretoria solicitará do poder legislativo mirim a tramitação de um projeto de lei que faculte à prefeitura municipal a inclusão de um percentual em seu orçamento para auxílio desta casa de cultura, já que um dos seus célebres vereadores do passado foi, senão, um dos maiores escritores e gramáticos da Paraíba, o nosso acadêmico, Anézio Leão. Outrossim, dentro do mesmo espírito e dirigido à mesma casa da cidadania campinense, solicitaríamos dela uma lei determinando as gráficas e editoras do município a fazerem depósito legal de um exemplar de sua produção na área das Letras, Artes e Ciências Humanas, à Academia de Letras de Campina Grande.

Outras atividades, como alguns membros desta diretoria eleita já vêm fazendo, são incentivar a produção, não só de obras literárias, mas a participação em eventos desta natureza, tanto na cidade, como em seu entorno, como lançamentos de livros, simpósios, congressos e similares. A diretoria se compromete a manter a edição da revista da Academia, senão impressa, pelo menos eletrônica e dinamizar sua página nas redes sociais. Buscará, quando devidamente apoiada por entidades beneméritas, lançar mini cursos, e concursos a fim de resgatar a memória literária e, mais amplamente, a cultural desta cidade e região. Cabe, agora, não só a esta diretoria, como aos postulantes eleitos, uma maior interatividade para com a cidadania campinense. Esperamos bons ventos.

(*) Professor, historiador, presidente da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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