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Arlindo Almeida: Nova ordem econômica

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 15 de abril de 2020 às 12:35

A gravíssima crise de saúde pública que enfrentamos neste momento, terá repercussões de longo prazo nos mais variados aspectos das relações entre os países, principalmente nos campos da economia, da tecnologia de forma ampla, da política, etc. Gradualmente se acentuará a tendência já constatada de deslocamento do eixo de poder para a Ásia, depois de séculos de domínio dos países ocidentais. Uma coisa é comum e certa: o poder mundial, em todos os quadrantes do mapa, representa uma tendência inata ao imperialismo que traduz a supremacia, o domínio em relação aos demais. O Imperialismo não tem ideologia, não respeita princípios, pouco fazendo para correção das desigualdades em todo o mundo. As economias mais fortes, quase sempre comandam a política e o mundo possui mais de 900 milhões de pessoas passando fome e quase nada é feito por quem poderia. 

A história da humanidade está repleta de impérios que outrora se autodestruíram por menosprezar, justamente, os princípios que deveriam nortear as relações humanas. O império de Alexandre, o Grande, durou pouco mais de dez anos, fundamentando-se em uma única pessoa; o império Romano durou bem mais, porém esvaiu-se deixando, é inegável, uma vasta herança cultural que perdura. Sem esquecer o estado soviético implantado na Rússia, caracterizado pelas maiores carnificinas e a ânsia de dominar todo o mundo, após longuíssimos anos de dominação cruel sob o império dos Tzares. Tudo foi por água abaixo. Marca comum em todos eles: desumanidade, tirania, se satisfazendo em fazer o mal, maltratando ou atormentando. E nunca procuraram o entendimento, a paz, única forma de afastar os problemas verdadeiramente relevantes. Somente o poder.

O império econômico mais recente, os Estados Unidos, começaram a construir o seu predomínio nos anos iniciais do século 20. Seguiu-se ao império britânico – quando orgulhosamente se dizia: onde o sol nunca se põe – quando ali foi inaugurada a chamada revolução industrial. Os Estados Unidos “surfaram essa onda”, e, mesmo com a Grande Depressão iniciada em 1929, continuaram dominando até bem pouco tempo. E o lado de entrada para o exercício desse poder, inegavelmente, foi o econômico.

As coisas estão se invertendo com incrível rapidez. As taxas de crescimento do produto interno bruto dos países apontam que nos asiáticos é maior que a média mundial. 

O eixo da economia mundial é, hoje, a Ásia. Exemplo da porcentagem de robôs industriais no mundo, em que 65% se concentram naquele continente (A China tem 50%).

A seguir, mostramos previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o PIB global, evidentemente antes da crise atual. Em 2020, o PIB da China cresceria 2,76 vezes mais que o dos Estados Unidos, e o da Índia 3,3 vezes.

No Brasil, que tem experimentado um processo rápido de desindustrialização, a dependência em relação à China fica evidente, somente falando em um dado,  no fornecimento de insumos para a indústria eletroeletrônica – a Zona Franca de Manaus, é exemplo disso – equipamentos para uso hospitalar e artigos de consumo no dia a dia que antes eram fabricados em nosso país. O interesse do país asiático é a compra de comodities (produtos básicos a serem convertidos em bens finais em processos industriais onde ocorre o maior valor agregado). Não só aqui, mas em todo o mundo.

Lembro bem de uma missão comercial da China que veio visitar, na década passada, o Centro de Tecnologia do Couro e do Calçado de Campina Grande, quando os membros da delegação foram claros em dizer que o maior interesse era vender sapatos e congêneres e não comprar.

A guerra contra o Covid 19, será motivo para muitas reflexões para as sociedades envolvidas.

Será que desejamos ficar saltando de domínio por outros países ao sabor de circunstâncias imprevisíveis? O mundo jamais será o mesmo, mas precisamos aprender bem a dura lição.

Uma pergunta para o mundo: Será que Império Chinês virá para dominar? 

E indagamos aos brasileiros: Queremos ser o país do futuro de que falava Stefan Zweig? Ou apenas um país exótico – esquisito, excêntrico, extravagante – como define Houaiss.

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