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12 homens e uma sentença

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 27 de fevereiro de 2019 às 12:55

Lançado nos Estados Unidos, em 13 de abril de 1957, sob o título original “Twelve angry men” e a direção do cineasta estadunidense Sidney Lumet (1924-2011), o filme “12 homens e uma sentença” pode ser enquadrado entre as obras-primas da sétima arte.

Tendo como tema um julgamento criminal, o filme é uma adaptação da peça feita originalmente para ser exibida na televisão, escrita por Reginald Rose e dirigida por Franklin Schaffner, levada ao ar em 1954.

O diretor do filme, Sidney Lumet, que atuou como ator desde criança, iniciou sua carreira na TV, e o filme “12 homens e uma sentença” marcou a sua estreia no cinema, obtendo três indicações para o prêmio Oscar: melhor diretor, melhor filme e melhor roteiro.

Depois de “12 homens e uma sentença”, Sidney Lumet dirigiu vários filmes, dentre eles: “Panorama visto da ponte (1962) ”; “Longa jornada noite adentro (1962) ”; “O homem do prego (1964) ”; “Serpico (1973) ”; “Um dia de cão (1975) ”; “Rede de intriga (1976) ”; “O mágico inesquecível (1978) ”; “Príncipe da cidade (1981) ”; “O veredicto (1982) ”; e “Antes que o diabo saiba que você está morto (2007) ”, seu último filme.

Tanto na peça quanto no roteiro do filme “12 homens e uma sentença” o drama se passa, quase exclusivamente, em um único cenário, a sala destinada ao confinamento dos jurados, com exceção de duas rápidas tomadas externas, com três minutos de duração: uma no início do filme, quando o enquadramento da câmara enfoca a escadaria e as colunas da entrada principal da corte de julgamento, e outra na cena final, quando o personagem Davis, interpretado por Henry Fonda, deixa o prédio do tribunal e desce a escadaria em direção à rua.

O tema do filme e da peça envolve a história do julgamento de um jovem pobre de dezoito anos, marginalizado, que teria assassinado seu pai e, em razão disso, estava sendo julgado por esse homicídio. No caso, de acordo com as leis vigentes nos Estados Unidos, o réu só poderia ser considerado culpado e condenado à morte na cadeira elétrica se todos os jurados assim decidissem por unanimidade.

No elenco do filme “12 homens e uma sentença”, além da interpretação marcante do ator Henry Fonda (Jurado 8), destacam-se as interpretações de Martin Balsam (Jurado 1); John Fiedler (Jurado 2); Lee J. Cobb (Jurado 3); E. G. Marshall (Jurado 4); Jack Klugman (Jurado 5); Edward Binns (Jurado 6); Jack Warden (Jurado 7); Joseph Sweeney (Jurado 9); Ed Begley (Jurado 10), George Voskovec (Jurado 11); Robert Webber (Jurado 12).

No primeiro diálogo apresentado no filme, o juiz, interpretado por Rudy Bond, explica ao corpo de jurados os procedimentos legais a serem seguidos, terminando a cena com um enquadramento em close no rosto do acusado, interpretado por John Savoca.

Em seguida, o corpo de jurados, composto por doze homens de variadas profissões e idades, é trancado na sala de julgamento.

Uma curiosidade colhida em “Adoro cinema” dá conta de que, enquanto as filmagens aconteciam, o diretor teria trocado as lentes da câmara por outras que deixassem o fundo mais perto dos personagens, criando uma sensação maior de claustrofobia.

No interior da sala, sob um escaldante verão nova-iorquino, o calor parece insuportável. Impacientes e incomodados com o clima quente, ao se pronunciarem inicialmente, onze estavam convencidos da culpa do réu, menos um, o arquiteto Davis, que manifestou dúvidas quanto à culpabilidade do acusado, dando início a um debate acalorado. Esta é a parte principal do filme, na qual os diálogos se tornam tensos e excitantes do ponto de vista intelectual

Os diálogos e as argumentações entre os jurados constituem os momentos mais densos e significativos do filme, pois neles estão contidos aspectos inerentes aos mais variados sentimentos humanos, tais como: preconceito, intolerância, raiva e certezas arraigadas que, por meio da argumentação racional e do poder da palavra, vão se transformando em dúvidas.

Para ilustrar, destaco uma das falas apresentada em meio aos debates entre os membros do corpo de jurados que, no contexto do filme, julgo emblemática: “É sempre difícil deixar o preconceito fora de uma questão dessa. Não importa para que lado vá, o preconceito sempre obscurece a verdade”.

São as reflexões e os debates entre os jurados que formam o ponto alto do filme, pois envolvem os telespectadores num clima de suspense crescente, fazendo com que eles se sintam copartícipes de uma decisão extremamente difícil e importante sobre a vida de uma pessoa: inocentar um culpado ou condenar um inocente.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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