Papa Francisco: “Não existem cristãos de 1a ou de 2a classe

Da Redação

Publicado em 04/07/2022 às 20:10

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Foto: Ascom

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Retalhos da recente homilia do papa Francisco sobre os santos apóstolos Pedro e Paulo – bases do cristianismo -, por ocasião do dia consagrado a ambos – 29 de junho.

“Também nós, como discípulos do Senhor e como Comunidade Cristã, somos chamados a erguer-nos depressa para entrar no dinamismo da ressurreição e deixar-nos conduzir pelo Senhor ao longo dos caminhos que Ele nos quiser indicar.

“Sentimos ainda tantas resistências interiores que não nos deixam pôr em marcha. Às vezes, como Igreja, somos dominados pela preguiça e preferimos ficar sentados a contemplar as poucas coisas seguras que possuímos, em vez de nos erguermos a fim de lançar o olhar para horizontes novos, para o mar alto.

“Muitas vezes estamos acorrentados como Pedro no cárcere do ramerrão, assustados pelas mudanças e presos à corrente das nossas atitudes. Mas, assim, cai-se na mediocridade espiritual, corre-se o risco de ´ir sobrevivendo´ mesmo na vida pastoral, esmorece o entusiasmo da missão e, em vez de ser sinal de vitalidade e criatividade, a impressão que se dá é de tibieza e inércia.

“Como escrevia Padre Henri de Lubac, a grande corrente de novidade e de vida, que é o Evangelho nas nossas mãos, torna-se uma fé que ´cai no formalismo´ (…) religião de cerimônias e devoções, de ornamentos e vulgares consolações (…). Cristianismo clerical, cristianismo formalista, cristianismo mortiço e endurecido.

“Abramos as portas. É o Senhor quem chama. Uma Igreja sem correntes nem muros, onde cada qual se possa sentir acolhido e acompanhado, onde se cultive a arte da escuta, do diálogo, da participação, sob a única autoridade do Espírito Santo.

“Uma Igreja livre e humilde, que ´se ergue depressa´, que não adia, não acumula atrasos face aos desafios de hoje, não se demora nos recintos sagrados, mas deixa-se animar pela paixão do anúncio do Evangelho e pelo desejo de chegar a todos, e a todos acolher. Não esqueçamos esta palavra: todos. Todos!

“Esta palavra do Senhor deve ressoar, ressoar na mente e no coração: todos, na Igreja há lugar para todos. E muitas vezes nos tornamos uma Igreja de portas abertas, mas para despedir as pessoas, para condenar pessoas.

“Não existem cristãos de primeira ou de segunda classe, todos, todos são chamados.

“O anúncio do Evangelho não é neutral – por favor, que o Senhor nos liberte do destilar o Evangelho para torná-lo neutro: o Evangelho não é água destilada – não deixa as coisas como estão, não aceita a cedência às lógicas do mundo, mas acende o fogo do Reino de Deus lá onde, ao contrário, reinam os mecanismos humanos do poder, do mal, da violência, da corrupção, da injustiça, da marginalização.

“Desde que Jesus Cristo ressuscitou, agindo como linha divisória da história, ´começou uma grande batalha entre a vida e a morte, entre esperança e desespero, entre resignação ao pior e luta pelo melhor, uma batalha que não conhecerá tréguas até à derrota definitiva de todas as forças do ódio e da destruição´.

“Que podemos fazer juntos, como Igreja, para tornar o mundo em que vivemos mais humano, mais justo, mais solidário, mais aberto a Deus e à fraternidade entre os homens?

“Certamente não devemos fechar-nos nos nossos círculos eclesiais nem perder-nos em certas discussões estéreis. Estejam atentos para não cair no clericalismo, o clericalismo é uma perversão. O ministro que se faz clerical com atitude clerical seguiu por um caminho errado. Pior ainda são os leigos clericalizados. Estejamos atentos a esta perversão do clericalismo.

“Ajudemo-nos a ser fermento na massa do mundo. Juntos, podemos e devemos fazer gestos cuidadores a bem da vida humana, da tutela da criação, da dignidade do trabalho, dos problemas das famílias, da condição dos idosos e de quantos se veem abandonados, rejeitados e desprezados.

“Enfim, ser uma Igreja que promove a cultura do cuidado, do carinho, a compaixão pelos frágeis e a luta contra toda a forma de degradação, incluindo a das nossas cidades e dos lugares que frequentamos”.

*com informações da coluna Aparte, assinada pelo jornalista Arimatéa Souza

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