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Laboratório de Física Experimental: da Poli à UFPB

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 6 de dezembro de 2023 às 9:19

Em 1973, ingressei no curso de graduação em Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da Universidade Federal da Paraíba. Para tanto, me preparei com afinco, fui aprovado no vestibular e iniciei os estudos no primeiro período letivo.

No início, enfrentei dificuldades financeiras decorrentes de minha origem social. Sofri, mas essas dificuldades serviram como motivação para superar os desafios.

Assim, com dedicação aos estudos, mantive na universidade o alto desempenho alcançado no segundo grau e, talvez, por isso, em 1974, consegui uma bolsa para atuar como Monitor de Física Experimental. Essa bolsa era paga com recursos da Fundação dos Voluntários Neerlandeses (Holandeses), por intermédio do Professor Gerardus Laurentius Maria Dassen (Geraldo Dassen).

No Laboratório, além de assumir as funções de Monitor de Física Geral I e Física Geral II, assumi, também, as funções de Chefe do laboratório de Física Geral III e de Coordenador de Pessoal.

Em 1974, as instalações do Laboratório de Física Experimental eram precárias, pois ocupava salas que não foram projetadas para atividades didáticas. Porém, o que não faltava à equipe de Monitores que se formou em torno do Prof. Geraldo Dassen era disposição para trabalhar em prol do laboratório.

Apesar de a precariedade das instalações físicas iniciais, o Laboratório era dotado de equipamentos, instrumentos de medição e acessórios didáticos de alta qualidade produzidos pela Phywe, fábrica localizada em Göttingen, Alemanha. Boa parte desse acervo pertenceu à Sala de Física do Seminário de Ipuarana, em Lagoa Seca-PB.

Com esse material, foram desenvolvidos experimentos de Mecânica, Termodinâmica, Acústica, Óptica, Eletricidade e Magnetismo, utilizando instrumentos de medição e acessórios didáticos, tais como: paquímetros, micrômetros, dinamômetros, balanças analógicas de precisão, molas, cronômetros (analógicos e digital), viscosímetros, calorímetros, béqueres, resistores, reostatos, capacitores, galvanômetros, amperímetros, voltímetros, multímetros, bobinas, osciloscópios, fontes de corrente contínua e de corrente alternada, prismas de vidro, lentes e espelhos.

Nesse contexto, entre 1975 e 1976, durante a gestão do Prof. José Silvino Sobrinho como Diretor do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) do Campus II da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi construído o Bloco BC e o Laboratório de Física Experimental passou a ocupar o primeiro andar do citado prédio.

O ambiente no Laboratório de Física era motivador. Nele, como Monitor tive ampla liberdade para propor e montar novos experimentos, redigir apostilas, participar da seleção e do treinamento de novos Monitores. Como Coordenador de Pessoal, participei ativamente da gestão do laboratório e da equipe administrativa.

Dessa equipe fizeram parte, dentre outros: Benemar Alencar de Souza, Carlos Almeida Pereira (Frei Carlos), Constantino Jacobs Cornelius Maria Bos (Técnico em Eletrônica), Francisco das Chagas Fernandes Guerra, Joberto Sérgio Barbosa Martins, José Marcos Gonçalves Viana, Moema Soares de Castro e Paulo Roberto Campos de Araújo.

Em 1977, ao concluir o curso de graduação, havia para mim duas opções: iniciar a carreira profissional como Engenheiro Eletricista em uma empresa do setor elétrico, ou aceitar o convite formulado pelo Prof. Geraldo Dassen para ingressar na carreira docente como professor do Departamento de Matemática e Física da UFPB, Campus II, Campina Grande.

Ponderei e decidi pela segunda opção. Por conseguinte, no segundo semestre letivo de 1977, passei a ministrar a disciplina teórica Física IV (Eletricidade e Magnetismo) e continuei atuando no Laboratório de Física Experimental.

O trabalho era árduo, mas a equipe responsável pelo laboratório, composta por jovens idealistas que amavam o que faziam, dava conta da responsabilidade. Para se ter ideia, no primeiro semestre letivo de 1978, o Laboratório de Física Experimental contava com 1.480 alunos matriculados, quarenta monitores e apenas seis professores.

Em síntese, atuar como Monitor, entre 1974 e 1977, e como professor de Física Teórica e Experimental, entre 1977 e 1979, além de ter sido uma honra, foi de grande importância na minha formação como professor e pesquisador: da Poli à UFPB (atual Universidade Federal de Campina Grande).

Ao Prof. Geraldo Dassen (in memoriam), minha profunda gratidão e apreço.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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