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Arimatéa Souza

Discurso de saudação à posse de Arimatéa Souza na Academia de Letras

Da Redação. Publicado em 22 de junho de 2019 às 21:10.

Foto: Paraibaonline/ Leonardo Silva

Foto: Paraibaonline

Segue, na íntegra, o discurso de saudação ao novel acadêmico José de Arimatéa Souza, na Academia de Letras de Campina Grande, pronunciado pelo professor e acadêmico Ailton Elisiário – igualmente colunista do paraibaonline.com.br -, no dia 27 de maio de 2019.

INTRODUÇÃO

                Começo minha fala dizendo do meu contentamento em ter sido convidado pelo novel acadêmico para recepcioná-lo nesta solenidade, que o investe na condição de novo membro deste Silogeu. Não posso deixar, porém, de registrar, que deveria ser o confrade Moaci Carneiro a estar neste instante investido nesta função, por outros liames que o prendem ao recipiendário. Todavia, me sinto feliz em poder desincumbir-me de tão honrosa missão, igualmente prazerosa, em razão dos fraternos laços de amizade que nos unem desde os anos de nossa inocente adolescência no bairro da Liberdade. Alegre, pois, procedo a saudação de acolhida, que o faço em meu nome pessoal e dos meus pares.

                A Casa de Amaury Vasconcelos recebe hoje um jornalista dos mais respeitados e lido da Paraíba, mas não só um jornalista e sim, também, um escritor que se revela um pensador que trata com sensibilidade, talento e vigor, as questões de interesse público, notadamente as de natureza política, cônscio da responsabilidade profissional que tem e do importante papel de formador de opinião que exerce na comunidade.

                Tendo nos jornais escritos e falados os instrumentos adequados para a expressão dos seus pensamentos, Arimatéa Souza os utiliza com muito ardor, mas também com muito equilíbrio. O jornalismo é uma paixão insaciável que se digere e humaniza mediante o confronto com a realidade e ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso, pode persistir numa profissão tão voraz, cuja obra termina depois de cada notícia e torna a começar no minuto que se segue.

                É o caso de Arimatéa, que não se concede um instante de paz para, como servo do jornalismo, viver diuturnamente a palpitação interior da notícia, que a transmite com a força dura da realidade, mas que a molda com o sentimento de humanidade. No seu acreditar sempre na pessoa humana, guia-se, pois, pela lição agostiniana, que ensina: “É preciso amar o homem e não o seu erro. O homem é obra de Deus, o erro é obra do homem. Ama a obra de Deus e purifica as obras do homem”.

Foto: Paraibaonline/ Leonardo Silva

Foto: Paraibaonline/ Leonardo Silva

                Este sentimento que preside seus atos de vida, traduzidos numa comunicação cristã, nos trouxe Arimatéa ao nosso convívio. Nele não se encontra apenas o jornalismo investigativo, acha-se também o jornalismo literário, este que agrega elementos literários às notícias. Escritores e jornalistas participam do mesmo universo: o da narração, e aventuram-se pelo mesmo mundo: o das palavras. E é este tipo de jornalismo que nos une.

Esta observação é o bastante para que sejam introduzidos aqui os predecessores de Arimatéa Souza que, tal qual ele, também foram jornalistas e escritores. Uma breve introdução, pois a Arimatéa cabe de agora em diante cultuá-los, preservando-lhes a memória e a imortalidade.

PREDECESSORES NA CADEIRA

Manoel Tavares Cavalcanti

O seu patrono na Cadeira n° 17, Manoel Tavares Cavalcanti, alagoa-novense, formado em Direito pela Faculdade de Direito de Recife, foi professor de História Universal e do Brasil no Liceu Paraibano e na Escola Normal, em João Pessoa. Exerceu a atividade parlamentar, sendo deputado estadual em 1907 e 1908 e federal de 1909 a 1911 e de 1921 a 1929, deixando a política em 1930 quando eleito senador ficou impedido de ser empossado. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

                Na imprensa paraibana colaborou com os jornais O Comércio, de Arthur Aquiles; A União, do Partido Republicano; A Notícia, de Celso Mariz; O Norte, de Orris e Oscar Soares  e com as revistas Philippéa, de Coriolano Medeiros; Lyceum, dos alunos do Liceu Paraibano; Era Nova, de Severino Lucena e a revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, instituição da qual foi fundador em 1905, sendo um dos redatores de seu primeiro estatuto e autor do dístico latino da Casa. Sua obra principal, “Epítome de História da Paraíba”, dá como data de fundação da Paraíba o mês de novembro de 1585 e não o mês de agosto, tese defendida por Manoel Tavares.

                Eurivaldo Caldas Tavares, da Academia Paraibana de Letras, em discurso proferido por ocasião das comemorações do centenário deste patrono, ressaltou sua luta pela educação integral do homem brasileiro, propondo em 1922 na Câmara dos Deputados a obrigatoriedade do ensino primário e em caráter facultativo o ensino religioso, este ministrado fora das horas de aula por sacerdotes de qualquer confissão religiosa e àqueles alunos que quisessem receber esse ensino e cujos pais não se opusessem a isto. Sua preocupação maior era com uma educação fundamental que formasse perfeitamente o cidadão, seguindo-se a essa a educação profissional.

Ernani Ayres Sátyro e Sousa

                O fundador da Cadeira n° 17 foi Ernani Sátyro, patoense, formou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito de Recife e exerceu a advocacia. Iniciou sua vida parlamentar em 1934 como deputado estadual, prefeito de João Pessoa em 1940, deputado federal de 1945 a 1969 e de 1979 a 1986, e governador da Paraíba de 1971 a 1975.

                Como escritor escreveu dois romances, “O Quadro Negro” e “Mariana”; um livro de poesias, “O Canto do Retardatário”, e uma coletânea de diversos escritos. Colaborou em vários jornais e revistas do país. Dez poemas seus figuram na Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, de Manuel Bandeira. Tem um livro inédito, o romance Dia de São José. Foi membro da Academia Brasiliense de Letras, da Academia Paraibana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba e, claro, desta Academia.

Foto: Paraibaonline/ Leonardo Silva

Foto: Paraibaonline/ Leonardo Silva

                Nosso confrade Evaldo Gonçalves muito escreveu sobre o “Amigo Velho”. Ao escrever “Auroras que jamais entardecerão” descrevendo o Amigo Velho, fez uma síntese de sua ação administrativa e parlamentar, tendo Ernani escrito em “Como se fossem memórias” o seguinte: “Até onde possa existir a biografia de uma pessoa viva, a minha já está feita na saudação de Evaldo Gonçalves. De certo modo, foi um bem maior do que o previsto na ideia inspiradora da homenagem: agora não há pressa em morrer, porque minha vida nos seus aspectos essenciais, já está narrada e interpretada no luminoso ensaio”.

                Assim, tendo Evaldo falado, Ernani confessado de que este disse tudo dele e por caber agora a Arimatéa, como segundo sucessor de Ernani, a nutrir-lhe a imortalidade acadêmica, me contenho nesta oração a, ainda com Evaldo, à expressão dita pelo Amigo Velho e que o define resumidamente muito bem: “eu todo estou em tudo quanto faço”. A expressão é forte e provocante para todo aquele que a ouve.

José Stênio de Lucena Lopes

                O segundo ocupante da Cadeira n° 17, Stênio Lopes, cearense, foi professor, educador e diretor do Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Na imprensa foi redator do Unitário, um dos órgãos dos Diários Associados no Ceará; em Campina Grande foi diretor superintendente da Rádio Caturité, colaborador desde a fase inicial do Diário da Borborema, com a coluna Rosa dos Ventos e editorialista do Jornal da Paraíba.

                Na literatura estreou em 1946 com “Roteiro de Eça de Queiroz”, vindo em 1949 “Antologia de Contos de Escritores Novos do Brasil” e em 1961 “Velha Fazenda, Velhos Costumes”. Outros trabalhos foram de estudos e pesquisas, dentre os quais em 1989 “Campina Luzes e Sombras”, onde concentra conhecimentos sobre a Rainha da Borborema, oferecendo enorme contribuição para a delineação dos destinos da cidade. Stênio diz que o governador eleito Ernani Sátyro o solicitou que produzisse um pequeno trabalho sobre Campina Grande para que ele soubesse o que se passava na cidade, estando o esboço contido no livro. Prefaciando este livro o saudoso confrade Ronaldo Cunha Lima disse: Stênio, “sem Sombras de dúvidas você derrama Luzes sobre Campina”.

                Já aposentado, em 2007 veio o romance “Caminhos”. Em 2014, no exercício da presidência desta Casa tive a alegria de em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba poder lançar “Campina Grande e seu Destino – uma Cidade de muitas Conquistas e uma Ameaça”, a última obra do pranteado confrade Stênio Lopes, que abriu a Coleção Acadêmicos, da Editora Universidade Estadual da Paraíba, que tem por finalidade lançar obras inéditas e resgatar obras antigas dos nossos Acadêmicos.

JORNALISMO LITERÁRIO

                Hoje Arimatéa Souza passa a ser o terceiro ocupante, sucedendo a Stênio Lopes. E volto a registrar não somente minha alegria de saudá-lo, mas de mais uma vez expor meus agradecimentos, como exposto está no meu livro de crônicas “Reminiscências Campinenses”, pois, foi pelas mãos de Arimatéa que passei a integrar o corpo de colaboradores do Jornal da Paraíba, quando ele era o seu editor chefe e lá permaneci por cerca de 20 anos até o seu fechamento. Como é sabido, escritores não dispõem com facilidade dos meios de comunicação para publicarem seus escritos. Eu tive, como até hoje tenho, através do Paraíba Online o espaço para a publicação das minhas crônicas, pela gentileza de nosso recepcionado.

                Esta oportunidade tem também nossa Academia, visto que Arimatéa em algum tempo disponibilizou espaço para a publicação dos discursos e trabalhos dos nossos acadêmicos e de matérias de interesse da instituição. A Academia tem sua revista que publica os discursos e escritos dos nossos confrades e confreiras. Sua última edição, porém, foi publicada em 2008. Senhor Presidente, está aqui excelente oportunidade para a Academia ter um canal de divulgação de suas atividades e dos trabalhos acadêmicos, alcançando o mundo inteiro e dando-lhe mais visibilidade, nesta era virtual em que as revistas impressas estão gradativamente cedendo lugar às revistas digitais.

                Mas, retomo a apresentação do nosso novel acadêmico continuando na elaboração de seu perfil. Filho de João Lopes de Souza e de Maria Magdalena de Albuquerque Souza, ambos falecidos, Arimatéa nasceu em Campina Grande, no dia 15.06.1964, sendo o caçula entre seus irmãos Edson Roberto, Luiz Gonzaga, Luiza Maria e Manoel Souza, estes dois últimos falecidos. Casou-se com uma mulher com nome de flor, Rosa Lúcia, que lhe deu dois filhos, Déborah Camilla e Tiago.

                Iniciou seus estudos na Escola Branca de Neve, no Bairro da Liberdade, de onde foi para o Colégio Integrado da Fundação Universidade Regional do Nordeste – FURNE, instituição que marcou sua formação intelectual e humana. Nesse colégio onde o Monsenhor Lourildo Soares era o diretor, Arimatéa se iniciou nos temas católicos. Cursou Contabilidade no Colégio Alfredo Dantas e ingressou no Curso de Economia da hoje Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, tendo deixado o curso para fazer Comunicação Social na Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, vindo a ser o orador oficial de todas as turmas concluintes em 1993.

                No seu discurso proferido há 26 anos parece retratar a situação de agora, porque tocava várias questões que se encontram na pauta de hoje, como os desvios dos recursos públicos, a necessidade de uma nova práxis política, a escassez de verbas para as universidades, a insuficiência financeira da UEPB, dentre outros assuntos. E agora, como dantes, que seja lembrada a cobrança feita por Arimatéa naquele discurso sobre a “hipoteca social” de que ele atribuiu ao papa Leão XIII na sua Encíclica “Rerum Novarum”, impingindo na consciência da minoria privilegiada dos estudantes de que a comunidade espera destes mais do que um enfeitado anel no dedo, ela quer que estes atuem em seu favor, ajudando-a a resgatar tantas mazelas que maculam milhares de nossos irmãos.

                Ainda quando fazia o ensino médio veio a trabalhar num escritório de contabilidade e numa agência bancária. Foi aprovado em concurso público para o INSS, para cuja instituição jamais foi convocado. Foi estagiário no jornal Gazeta do Sertão, onde posteriormente assinou sua primeira coluna. Foi membro do Conselho Diretor da FURNE e atualmente integra o Conselho Diretor da Fundação Assistencial da Paraíba – Hospital da FAP.

Na imprensa televisada, Arimatéa foi comentarista político das TVs Paraíba e Cabo Branco no jornal Bom Dia Paraíba. Atualmente é comentarista político da TV Itararé, atuando no telejornal Itararé Notícias e comandando o programa Ideia Livre Política e Economia. É editor do portal Paraíba Online, se fazendo presente ainda pelo Facebook, Whats App e Twitter.

                Na imprensa escrita destacou-se no Jornal da Paraíba, como seu editor chefe durante vários anos, sempre escrevendo através de sua Coluna Aparte, a mais antiga e tradicional coluna política paraibana, que guarda o slogan “A credibilidade faz a diferença”. Em 10.05.2016 Arimatéa passou a publicá-la no portal Paraibaonline.

Na imprensa falada atuou na rádio Campina FM por muitos anos, apresentando o jornal diário, tendo-a deixado em 11.09.2018. Em nota de esclarecimento de sua saída disse: “Encerro hoje uma convivência diária de muitos anos – em verdade, perdi a conta – com os ouvintes da Rádio Campina FM, no horário do meio dia. É hora de agradecer a deferência e o carinho dos ouvintes, como também a constante atenção e apreço dos diretores da emissora, nas pessoas de Marilena e Felipe Motta. (…) Saio deixando incontáveis amigos na Campina FM e pela porta da frente, a mesma utilizada há tantos anos para o novo desafio”. E como sempre costuma fechar a matéria, dessa vez ele invocou o cantor Leonardo na canção “Não aprendi a dizer adeus” destacando estes versos: “não aprendi a dizer adeus/ não tenho nada pra dizer/ só o silêncio vai falar por mim”.

Na Rádio Caturité – e aqui são também palavras do próprio Arimatéa – aportou em 1986 pelas mãos do padre José Assis Pereira Soares e na companhia do então seminarista e hoje padre José Vanildo de Medeiros, como também da estudante Aparecida Albuquerque, na apresentação do informativo semanal da PASCOM – Pastoral da Comunicação diocesana, aos domingos. Algum tempo depois foi incorporado à equipe de jornalismo e, meses depois, ao setor esportivo.

No Jornal de Verdade assimilou conhecimento e experiência com a convivência diária ao lado de Juarez Amaral (e sua vocação nata de repórter), a organicidade de Paulo Roberto Florêncio e, posteriormente com o encantamento sonoro do inesquecível Geraldo Batista. Não esqueceu jamais a espirituosidade desmedida do também inesquecível Joacir Oliveira, apelidado Cabeção, com quem chegou a apresentar o programa No Balanço da Cidade.

Nos festejos dos 65 anos da emissora em 07.04.2016 comentou: “As grandes realizações de uma comunidade e as suas conquistas perenes são frutos de construções coletivas. São mãos que se juntam em prol de uma causa comum; um mais um é sempre mais que dois, diz o verso de uma linda música do compositor mineiro Beto Guedes”.

Em 02.11.2018 viu a metamorfose de suas ondas AM para FM, sendo escolhido pela direção para noticiar tão importante migração. Naquela data ele anunciou a transformação revestindo a informação técnica com uma roupagem filosófica, dizendo: “esse ato é como o que sucede com a semente, que morre para que outra planta floresça em seu lugar, propiciando assim o renovado milagre da vida”. Participa ainda hoje do Jornal da Manhã, juntamente com Anchieta Araújo e Mônica Victor.

                Entretanto, o que o identifica fortemente, impingindo-lhe uma marca indelével no jornalismo, é a sua Coluna Aparte que criou em 1991 e a mantém até os dias de hoje. Em breves alocuções descreve e analisa os acontecimentos, atualiza todos os leitores em rápidos lances de olhar, em sintonia com a celeridade da vida, mas sem perder um certo aprisionamento do leitor à informação da sucessão dos fatos, pela indagação que ao final deixa no ar para sua especulação. Uma forma artificial de criar fidelidade de leitura à coluna pelo não esgotamento da informação dos fatos e aguçamento da curiosidade do leitor. Genial!

Foto: Paraibaonline/ Leonardo Silva

Foto: Paraibaonline/ Leonardo Silva

                Ao lado da Coluna Aparte os comentários sobre ocorrências reais que Arimatéa se permite estender, mesmo que concisamente, mas que em geral terminam com uma citação literária, servindo como que um alerta à reflexão filosófica trazida pela lição agostiniana a que antes me referi. Isto não vemos em outros jornalistas, é próprio de Arimatéa.

                Este aspecto precioso do trabalho jornalístico de Arimatéa é mais do que precioso para esta Academia, porque ele se apresenta como o elo de ligação entre o jornalismo e a literatura. Se, como afirma o escritor Juahrez Alves, “sem jornalismo não há revolução”, “sem literatura não há salvação”, como afirma o jornalista Dante Filho. Daí o jornalirismo que Arimatéa cuida, buscando sempre fazer a interação do jornalismo com a literatura.

                Nos dias atuais o excesso de trabalho e a falta de tempo não facilitam a construção de textos com características literárias. Os recursos e espaços nos jornais impressos e mesmo falados ou informatizados não permitem abertura para textos mais longos. As justificativas para isso são as de que os leitores não gostam e não têm tempo para ler e assim, a imprensa perde a oportunidade de contar histórias de vidas que poderiam despertar nos leitores uma empatia e sua identificação com as experiências dos outros. Arimatéa se preocupa com esse engessamento, por isto que sempre pincela seus comentários com tintas de literatura, de filosofia ou de música.

                Carlos Magno Araújo, em “Amor à Palavra”, afirma que jornalismo e literatura estão próximos porque sobrevivem do mesmo meio que é a palavra e do mesmo fim que é a conquista de leitores. Mas, cada um ocupa seu espaço. Ele diz: “Tanto melhor será o jornalismo quanto mais houver de inspiração literária. E tanto melhor será a literatura quando nela couber o que de mais importante há no jornalismo: a sedução”. Vásquez Medel, autor de “Discurso literário e discurso jornalístico: convergências e divergências”, diz que desde o romantismo, jornalismo e literatura sempre caminham juntos e ressalta que começa a ser comum afirmar que em certos artigos, reportagens e crônicas publicadas na imprensa é possível encontrar a melhor prosa atual.

                Rildo Cosson, autor do ensaio “Romance-reportagem: o império contaminado”, explica que para a literatura existe uma apropriação ficcional da realidade que é diferente da apropriação factual demandada pelo jornalismo. E conclui que se o jornalismo é o império dos fatos, a literatura é o jardim da imaginação. E Gustavo de Castro, autor de “A palavra compartida”, observa que o jornalista traz no cotidiano o mundo para dentro do texto, enquanto o escritor traz o texto para dentro do mundo.

O tempo aqui não me autoriza a abordar todos os ângulos dessa temática. Porém, me autoriza a voltar a Santo Agostinho que no escrito “Sobre a obra cristã” anotou que tudo no mundo se divide entre coisas para serem usadas e coisas para serem gozadas. Ele disse: “Usar algo é empregá-lo com o propósito de se obter aquilo que se ama. Gozar algo é ligar-se a ele com amor, por causa dele mesmo. As coisas que devem ser gozadas nos tornam felizes”. Diante disso, Fabrício Marques, em “Jornalismo e literatura: convergências, divergências” termina seu ensaio dizendo que o jornalismo lida com as palavras como coisas a serem usadas e que o escritor lida com elas como coisas a serem gozadas.

Como se vê, a temática por si é complexa e não são simplesmente as pitadas literárias que Arimatéa aplica aos seus comentários jornalísticos a solução para a questão. Elas denotam, porém, sua preocupação com o problema ao mesmo tempo em que humanizam a informação. Esta imagem humanizada da realidade é exatamente o que faz a diferença no jornalismo literário de Arimatéa, o identificando com um estilo que o distingue dos demais jornalistas, que absorveram em seus textos a perda de espaço de recursos literários no jornalismo convencional.

CONCLUSÃO

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores: Em 03.09.2011 Arimatéa noticiava na Coluna Aparte o seguinte: “Crivo. Coloco hoje o meu nome à apreciação dos integrantes da Academia de Letras de Campina Grande, concorrendo à vaga aberta com a morte do saudoso professor e ex-editorialista do Jornal da Paraíba, Stênio Lopes. Também postula a Cadeira o professor Flávio Romero, Secretário de Educação da Prefeitura Municipal de Campina Grande”.

Hoje, felizmente é eliminado o espaço temporal indesejado que excessivamente estava separando a eleição da posse, não obstante a aceitação das sucessivas justificativas mesmo em contraposição aos estatutos. Diante do caso resolvido, esqueça-se então, tal acontecimento. Novos caminhos serão palmilhados a partir de agora. E isto significa abrir o campo para o jornalismo literário quedar-se livre à sua paixão.

Arimatéa Souza, recebê-lo, agora, em nossa Casa é motivo de grande contentamento para todos. Por isto, a Academia de Letras de Campina Grande está em festa. A chegada de novos sonhadores ao nosso meio nos alegra e engrandece.

Aqui encerro minha fala. Antes, porém, permita-me, Senhor Presidente, com ousadia de minha parte entregar a Arimatéa a Coluna Aparte do dia de amanhã, produzida por mim seguindo o estilo dele. Amanhã, os seus leitores terão conhecimento em detalhes desta cerimônia de posse, pela qual o imortaliza no Jardim de Academus.

Arimatéa, seja bem-vindo. Esta Casa é sua.

(Discurso pronunciado no Auditório do Fórum Afonso Campos, de Campina Grande).

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