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Arimatéa Souza

Como cantou Gonzaguinha, a arte de redescobrir

Arimatéa Souza. Publicado em 8 de julho de 2022 às 22:20.

Foto: Marcello Casal/ABR

Foto: Marcello Casal/ABR

Devo inicialmente dizer ao eventual leitor que sou um admirador – de muito tempo – do gênero literário chamado de crônicas.

Ter sido apresentado aos escritos de inesquecíveis luminares desse segmento literário, como Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos foi decisivo para a afeição.

Mas houve um estágio de potencialização do fascínio, com o tempero da conterraneidade: degustar os escritos de F. Pereira Nóbrega, Luiz Augusto Crispim e do (posterior amigo) Robério Maracajá.

Esse caldo de contemplações poéticas me fez, timidamente, enveredar pelo gênero: na década de 1980 – quanto tempo faz! – foram dezenas de textos publicados em jornais regionais.

Sim, amigo leitor! Antes de atuar profissionalmente no universo político, minha marca ou característica mais conhecida, alinhavei linhas buscando enfoques e abordagens próprias para fatos, cenários e pessoas singulares.

O tempo, adubado pelo descuido, fez com que as traças devorassem ávida e impunemente os recortes de jornais que materializaram no papel tantas palavras, reflexões e sentimentos.

Há poucos dias, deparei-me com uma coleção de crônicas de Luiz Augusto Crispim. O sentimento de saudade pelo texto solto, leve, belo, descompromissado com a realidade factual, aguçou em mim o desejo de tentar retomar, periodicamente, a contemplação das coisas, da natureza e das pessoas em angulação inusual e essencialmente subjetiva.

O próprio Crispim, num de seus textos, pontua que escrever crônicas requer um alheamento, mesmo que momentâneo, do ritmo intensivo e inexorável da vida dita moderna – ao “moedor de carne”, na expressão recente do papa Francisco.

Também há poucos dias, localizei dois livros do excelente cronista pernambucano Paulo Fernando Craveiro, que por décadas conseguiu converter em assinantes do Diário de Pernambuco os que admiravam os seus escritos diários.

Enfim, eis aqui um voluntário a buscar levantar os olhos para o horizonte, que quando possível ou quando a inspiração se sobrepor, almejará harmonizar palavras que exprimam sentimentos ou enleve conceitos.

Eis um trecho da música de Gonzaguinha que inspirou o título desta crônica: “Vai o bicho homem fruto da semente/ Renascer da própria força, própria luz e fé/ Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós/ Somos a semente, ato, mente e voz”.

Em tempo. Este ´ensaio´ de retomada foi escrito neste dia 7 de julho, no momento em que me dei conta de que há 10 anos partia o amigo Ronaldo Cunha Lima, meu eleitor e incentivador para que ingressasse na Academia de Letras de Campina Grande.

Mais do que um político, intelectual, homem do povo ou poeta, Ronaldo era um estado de espírito: flagrantemente perceptível, rapidamente socializável e inebriante.

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