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Arimatéa Souza

segunda-feira, 15/04/2019

Visão do Brasil

As opiniões de um ex-presidente

Com um final de semana de relativa (ou aparente) calmaria na política nacional e até regional, vale a pena reproduzir trechos de uma extensa entrevista dada pelo sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à renomada rede de TV inglesa BBC.

É o que segue.

Negação

“Você dizer hoje que não houve ditadura (em 1964), que não houve um movimento de controle da liberdade, é completamente desassisado. Por que se diz? Porque a política não é feita por historiadores, é feita por personagens ativos (presidente Bolsonaro), incentivando o medo.

Eleição do…

“Quem votou por A, B ou C no Brasil, não votou numa concepção orgânica, votou numa pessoa que emitiu sinais que captaram um sentimento.

… ´Capitão´

“Quem votou no Bolsonaro, por exemplo. Por que ele foi eleito? Ele falou de temas que sensibilizaram: violência e corrupção, basicamente. Temas que pegaram a onda. Mas ele não disse ´eu vou fazer um Brasil de tal a qual modo´. Tanto que agora ele não sabe o que vai fazer. Vai mudar o quê?

Democracia…

“Não estou com temor de que acabe a liberdade de imprensa. Não tem força para isso. Claro que vai depender da reação da sociedade, sempre. Não se pode fechar os olhos e dizer ´deixa então´. Tem que se opor, porque se não se opuser, as coisas vão se organizando.

… Em xeque?

“Não acho que estejamos na ameaça concreta de uma força organizada tomar conta do poder. O que não quer dizer que não seja um risco, porque você precisa ter alguém para apontar um caminho. Com muita confusão, as coisas ficam difíceis, porque o mundo está avançando.

Batalha

“Qual é a briga dos Estados Unidos com a China hoje? Não é só comunismo e democracia. É quem domina melhor a tecnologia, o que faço com ela.

Chances…

“Estamos perdendo oportunidades. Num mundo difícil, confuso, você tem que ter algum objetivo e estratégia. Se nos perdermos no que se chama de ´curto-prazismo´, não acontece nada.

… Perdidas

“O que vai ser daqui a dez anos? Daqui a vinte? O que eu quero fazer? Eu quero fazer o quê? […] Alguma coisa mais concreta para que você possa orientar o sentimento e o comportamento das pessoas em uma certa direção.

Adesão

“Vamos pegar uma coisa concreta. O setor econômico do governo parece ter um caminho, posso concordar ou não, mas é um caminho. Só que não vi esse caminho se transformar numa realidade congressual. E vivemos numa democracia, não adianta eu saber. Tem que fazer com que os outros estejam de acordo e votem do meu lado. Não vejo organização no Congresso para isso.

Ministro

“Fui ouvir o debate com o ministro da Economia (Paulo Guedes) no Senado. Bom, ele dizia coisa com coisa, né? Abstratamente. Agora, quando chegava o negócio da política, ele dizia ´mas não é meu terreno´. Como não é seu terreno? Ou tem o terreno da política ou não existe a transformação do governo num objetivo e num processo. Só se transforma num processo quando você atua sobre os outros e tem o consentimento, a adesão dos outros.

Sem sentido

“Nos outros setores, [fora o econômico] você não vê nada. Você uma coisa idílica… Escola Sem Partido. Não tem que ter partido em escola mesmo, não cabe, mas traduzem isso de uma maneira antiquada. Todo mundo tem ideologia mesmo, de um jeito ou de outro. Você influencia o aluno queira ou não queira, mas você não pode organizadamente inculcar uma ideia no aluno. Sou contra isso aí. Mas a ideia do Escola Sem Partido é outro partido. Então, você vai tirar o evolucionismo e botar o criacionismo… Tenha paciência!

Novo impeachment?

“(o risco) Sempre existe. Sempre fui, pessoalmente, muito renitente à ideia de impeachment.

Precedente

Lembro-me do caso do presidente Lula, por causa do mensalão. Quando o tema veio à baila, eu era contrário. Não porque tivesse dúvida quanto ao mau procedimento e ao combate do mensalão, mas refletia ´meu Deus, vamos colocar para fora da Presidência um homem que foi líder sindical, ganhou as eleições, que tem enraizamento popular´? Isso deixa uma marca na história.

 

Diálogo

“É uma coisa complicada do ponto de vista nacional. Por que alguns conseguiram? Eu fiquei oito anos, na verdade fiquei dez porque no tempo do Itamar eu tinha muito controle. O Lula ficou mais que oito, porque no tempo da Dilma ele tinha controle. Por quê? Porque, de maneiras diferentes, tanto eu como o Lula conhecíamos as forças da sociedade. Se você não entender a diversidade e necessidade de ter apoio, você perde a força. E quando é o impeachment? Quando não tem apoio.

Equívoco

“No Brasil se criou a ideia de que fazer acordo é crime, corrupção. Aí não tem como governar, só com a ditadura. Como é que faz?

Analogia

“Costumo fazer uma comparação grosseira, do cavalo e o cavaleiro. O Congresso e o Executivo é a mesma coisa. O Congresso fica te olhando lá: ´esse cara não sabe montar a cavalo, e se não sabe, vou dar um pinote´. E de repente dá um pinote e te tira. Então você tem que estar o tempo todo tentando convencer o Congresso e o povo de um certo caminho.

Embate midiático

“Eu era senador, então eu ia às bancadas todas do Congresso e discutia inclusive com a oposição, não tinha medo de bicho papão, os enfrentava. E eu falava na televisão.

Decodificação

“Vou dar um exemplo: eu fui convidado uma vez para falar sobre o plano Real no programa Silvio Santos. Cheguei lá no barracão na marginal do rio Tietê (SP), onde era o estúdio. Silvio estava em uma salinha fazendo maquiagem e me chamou lá. Ele me dizia: repete. Eu repetia. Ele falava ´ih, vai ser um desastre, não vão entender nada´.

Tradução

“Sílvio acabou a maquiagem e entramos em um salão do auditório. Ele me disse ´olha, minha audiência tem uma idade mental de 12 anos. Em média´. Ele foi lá e deu um show. Explicou muito melhor e mais apropriadamente do que eu seria capaz, para o auditório dele, o que era o Plano Real, a URV. Mas fui lá falar com ele. A questão de obter apoio implica em explicar.

Dentro de casa

“Você não imagina a dificuldade que eu tive com a reforma da Previdência, [com] minha irmã, meus irmãos. [Eles diziam:] ‘meu pai contribuía, tenho direito’. E o que eu dizia? Eu lavo as mãos? Alguém vai ter que botar a mão na massa.

Olhar crítico

“Eu nunca apoiei o Bolsonaro. Mas estou em uma situação difícil. O PT deu com os burros n’água, levou o Brasil a um desastre enorme. As ideias não mudaram. Eu não acreditava também no voluntarismo do Bolsonaro. Mas nunca apoiei. Não torço contra o Brasil, nunca. Não é que necessariamente vai fazer bobagem, vamos ver. Tomara que não faça. Se fizer, eu estou contra.

Lula preso

“Uma coisa é o sentimento pessoal: não gosto de ver pessoas que eu conheço na cadeia. Mas, no Brasil, as regras existem. Está preso porque foi condenado em segunda instância.

PSDB…

“Eu leio toda hora ´o Paulo Preto (condenado por corrupção) é operador do PSDB´. Não é verdade. Quem é o tesoureiro do PSDB? Não sei, não é uma figura importante, nem o Paulo Preto jamais foi ligado a um tesoureiro do PSDB. Pode ter sido usado por pessoas do PSDB, o que é diferente de constituir o elo entre a corrupção e o partido.

… Na berlinda

Agora, houve casos que comprometem o partido, a crítica recai, todo o sistema foi alcançado por essas críticas.

Temerário

“Qual vai ser o futuro dos partidos? Ou se renovam efetivamente e têm lideranças que expressam essa renovação ou vão continuar o que são: máquinas de fazer voto”.

Contaminação

Ainda FHC: “É um momento triste do Brasil. Necessário, porque a corrupção contaminou tudo, os partidos, as lideranças, a máquina pública, as empresas. Necessário. Tem abuso? Pode ter, mas qualquer [abuso] tem que ser coibido”.

O PSD/PB aceitará o prefeito Romero pacificamente?...
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