Fechar

logo

Fechar

Arimatéa Souza

terça-feira, 19/05/2020

Usina de crises

Sinopses do subterrâneo

A edição desta terça-feira da Coluna resgata dois fatos recentes e da maior relevância na cena política nacional, provocando o aprofundamento da crise política que fez do coronavírus um combustível para ampliá-la ainda mais, ao invés da esperada, racional e presumível trégua para o combate sistemático ao devastador e invisível inimigo, que mutila o que temos de mais precioso – a própria vida.

Garimpo

Primeiramente, trechos de uma longa entrevista dada no dia de ontem pelo médico e ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta ao jornal Folha de São Paulo.

Noves hora…

“Este último mês foi perdido, sem nenhuma ação positiva por parte do ministério. Tinha pedido para toda a minha equipe que permanecesse e ajudasse o ministro [Nelson Teich]. O natural numa situação dessa é o novo ministro colocar a visão dele e pedir para a equipe executar.

… Nada

“Mas o que assistimos foi a demissão de todo o segundo e o terceiro escalão do ministério, sem colocar ninguém no lugar. Isso é o pior dos mundos. O Ministério da Saúde está hoje uma nau sem rumo.

Reta…

“Entre os ministros, tentávamos arrumar a situação. Mas passava um dia, três dias, e novamente tínhamos uma situação contraditória [do presidente], seja de aglomeração ou ida a estabelecimentos comerciais.

… Final

“Ele claramente entendia que a crise econômica advinda da saúde era inaceitável, por mais que alertássemos que era uma doença muito séria e que o número de casos poderia surpreender (…) Nada do que está acontecendo hoje é surpresa para o governo federal.

Estimativa

“Em julho vamos estabilizar, quando deve ser o ápice da curva, e aí vai entrar em um platô para que, em agosto, comece a reduzir o número de casos e setembro a gente volte no ponto mais próximo de uma coisa mais amena.

Fase atual

“Estamos vivendo o primeiro terço disso, temos o segundo e o terceiro para concluir.

Estratégia…

“Pedíamos isolamento e distanciamento social. Não é que o isolamento vai evitar ter o vírus. Você só vai sair disso o dia em que as pessoas pegarem a doença e tiverem sistema imunológico [contra o vírus], ou que tiver uma vacina.

… Adotada

Mas você pode influenciar a velocidade com que isso vai acontecer. A mercadoria mais preciosa é tempo para montar um sistema minimamente organizado.

Cloroquina

“O que o presidente quer é que o ministério faça como se fosse uma prescrição, para que em todas as unidades de saúde, mesmo sem confirmação da Covid, seja entregue a cloroquina. Tudo baseado nessa coisa de que um médico falou: ‘acho que é bom’. Mas ninguém colocou no papel, ninguém demonstrou.

´Elixir…

“A ideia de dar a cloroquina, na cabeça da classe política do mundo, é que, se tiver um remédio, as pessoas voltam ao trabalho. É uma coisa para tranquilizar, para fazer voltar sem tanto peso na consciência.

… Milagroso´

“Se tivesse lógica de assistência, isso teria partido das sociedades de especialidades [não do presidente]. Por isso não tem gente séria que defenda um medicamento agora como panaceia.

Recuo

“O Donald Trump [presidente dos EUA] defendeu a cloroquina, mas voltou atrás e parou. Nos EUA, isso gera processo contra o Estado. Aqui no Brasil não, se morrer, morreu”.

Ex-aliado

A segunda entrevista impactante foi dada ao mesmo jornal pelo empresário Paulo Marinho, um dos mais importantes e próximos apoiadores de Jair Bolsonaro na campanha presidencial de 2018.

Ele é suplente do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente. Veja trechos.

Traço

“Eu não sei fazer essa futurologia em relação ao governo Bolsonaro. Mas estamos praticamente no meio do mandato e até aqui não aconteceu absolutamente nada. Foram dois anos perdidos.

Reversão

“Toda sorte que ele teve na campanha eleitoral, foi o contrário no governo. Um governante pegar uma pandemia no meio de um mandato, que vai retrair a economia em 6%, 8%, é inimaginável.

Despreparo

“O capitão não tem capacidade pessoal de gerir um país em condições normais. E muito menos no meio de uma loucura como essa que nós estamos vivendo.

Cenário

“Então, são duas as alternativas: ou vamos viver crise atrás de crise ou alguma coisa vai acontecer contra ele, [consequência] de algum crime de responsabilidade que possa praticar ao longo desta crise. E o resto vai ser essa loucura.

Desmistificação

“A primeira coisa que percebi é que não se tratava de um mito. Outras pessoas do núcleo duro achavam isso. O Gustavo [Bebianno) – (ex-ministro da Casa Civil, que morreu há algumas semanas) – tinha pelo capitão uma admiração. Achava que ele era um estadista, um líder, o homem que iria colocar o Brasil em outro patamar.

Sem gestos

“Eu olhava o capitão, com aquele jeito tosco dele, e algumas coisas me chamavam a atenção. Por exemplo: ele era incapaz de agradecer às pessoas (…) Ele nunca dizia um obrigado. Eu nunca ouvi, durante o ano e meio em que convivi, ele expressar a palavra obrigado a alguém. Um gesto mínimo.

Inferioridade

“As piadas eram sempre homofóbicas. Os asseclas riam, mas elas não tinham nenhuma graça. E, no final, ele realmente despreza o ser feminino. Tratava as mulheres como um ser inferior.

Exceção

“Não tinha uma mulher na campanha dele. Nunca houve. A única, a distância, foi a Joice [Hasselmann, deputada federal], que ficava em São Paulo.

Passatempo

“Ele gostava mesmo era de conversar com os seguranças dele. Policiais militares, batedores. Ele se sentia em casa, ficava horas conversando, contando piada.

Palpite…

“(… de Bebianno, antes de morrer) ‘O capitão vai se enfraquecer de tal maneira que só vai ter a saída do golpe para se manter no poder. E ele é louco para fazer o golpe’. Ele (Bebianno) tinha certeza que isso ia acontecer.

´Passou a…

“Um delegado saiu de dentro da superintendência (da PF, no RJ). Na calçada – eu estou contando o que eles (Flávio Bolsonaro e um assessor) me relataram -, o delegado falou: ‘Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio.

… Fita´

“E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio [o filho do presidente era deputado estadual na época]. Uma delas é o Queiroz e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro [que ainda era deputado federal] em Brasília’.

Postergação

“O delegado então disse, segundo eles (Flávio e o assessor): ‘Eu sugiro que vocês tomem providências. Eu sou eleitor, adepto, simpatizante da campanha [de Jair Bolsonaro], e nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição [presidencial]’.

Desligamentos

“Ele [Flávio] comunicou ao pai [Jair Bolsonaro] o episódio e o pai pediu que demitisse o Queiroz naquele mesmo dia e a filha do Queiroz também. E assim foi feito”.

Na tela

O cenário eleitoral para este ano é o tema do programa Ideia Livre desta terça-feira na TV Itararé (canal 18.1 ou pela internet – tvitarare.com.br).

Começa às 22 horas, logo após o Jornal da Cultura.

Outra…

Partidos do chamado grupo ´Centrão´, existente na Câmara Federal, emplacaram mais uma pessoa no governo Bolsonaro.

… ´Mordida´

O PL (antigo PR) indicou Garigham Amarante Pinto, assessor do partido na Câmara, como diretor de Ações Educacionais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O detalhe

O orçamento anual do FNDE passa de R$ 29 bilhões.

É preciso cantar

“Ando devagar

Porque já tive pressa

E levo esse sorriso

Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte

Mais feliz, quem sabe

Só levo a certeza

De que muito pouco sei

Ou nada sei”

(compositor Almir Sater)

Em crise política não tem como chamar o SAMU...
Share this page to Telegram

Arquivo da Coluna

Arquivo 2019 Arquivo 2018 Arquivo 2017

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube