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Arimatéa Souza

segunda-feira, 18/02/2019

Uma justa evocação

Gente que faz a diferença

Ao longo dos seus quase 30 anos (haveremos, mercê de Deus, de festejar o 30º aniversário em 2020) a coluna Aparte já homenageou diversas pessoas, por motivações múltiplas, mas com o fio condutor de gestos e comportamentos que fizeram a diferença dos referenciados perante o mundo no qual vivemos.

Desejo…

Repetidamente já pensei em dedicar uma das edições à professora e ativista cultural Eneida Agra Maracajá, uma mulher ímpar, com seus defeitos e virtudes, próprios da condição humana, mas que faz um bem danado a Campina Grande; ao estado de espírito da cidade e é sinônimo de alegria genuína pra sua gente.

… Retido

Da cogitação do texto especial advém um bloqueio quase que instintivo: é a sensação de que qualquer encadeamento que dê às palavras e às frases, sempre resultará um produto final muito aquém do que poderia ser lapidado pelo inesquecível companheiro de Eneida, que infelizmente nos deixou há anos: o burilado e sensível cronista Robério Maracajá, antigo meu companheiro de Jornal da Paraíba.

Aflorou

Essa digressão veio novamente à tona no final de semana com o desfile do Bloco da Saudade, em seu 28º aniversário.

Perseverança

Meio no improviso, meio na obstinação, Eneida comandou um sábado singular para Campina, mostrando que a cidade gosta e sabe realizar carnaval, e que ainda é possível desfilar à noite por suas ruas centrais de maneira pacífica e animada.

É só querer

Mais: é possível celebrar uma confraternização como nos ´velhos tempos´, na qual a silenciosa urbanidade não cede espaço à violência gratuita e inconsequente.

Elementar

O referido desfile igualmente mostrou o desapreço da cidade, enquanto poderes constituídos, por suas mais legítimas manifestações culturais.

Sem retaguarda

A infraestrutura passou longe do desfile, a começar pelo tímido policiamento no percurso e a falta de prévia desobstrução do destino final do desfile – o ´Beco 31´ (rua Monsenhor Sales).

Incontroláveis

Igualmente lamentável é a exacerbação (e falta de controle) dos vendedores ambulantes, que mais uma vez atrapalharam (e muito) a evolução do Bloco.

Um mínimo de regramento faria bem a todos.

 

Parcerias

É também oportuno destacar que as empresas locais devem agregar as suas marcas a essas manifestações populares.

Além do retorno positivo em termos de imagem, pode simultaneamente sem um indutor de negócios.

Suporte

Nesse aspecto, cabe ressaltar o apoio ´master´ dado pela Sicredi ao Bloco da Saudade, certamente pela compreensão da importância que tem o evento como esse para a comunidade, e diante da orgânica intenção que as cooperativas possuem de valorizar as iniciativas locais e regionais.

Chance

Na saída do desfile do bloco, Eneida realçou para os foliões presentes que “Deus nos dá a oportunidade de celebrar a alegria. O passado e o presente juntos, num momento dificílimo da realidade social, política e econômica deste País”.

Aqui e agora

“Um anjo inventou o carnaval pensando neste País. E pensou na nossa profissão: a esperança. E também entendeu que a gente não pode viver só de sofrer, só de agonia, de corrupção e de injustiça. Nós temos que celebrar a vida! Agora! O meu tempo é agora! É uma festa de paz!” – proclamou a sempre inquieta Eneida.

Atemporal

Um pouco acima nessa coluna, invoquei Robério. E é recorrendo aos seus belos escritos que arremato essa reverência a Eneida – melhor opção inexiste.

Preserve

“Não perca o encantamento. No seu mundo de adulto, ainda há o feitiço, o enlevo, a magia. Porque você cresceu, isso não quer dizer que tornou-se uma máquina somente cumprindo uma tarefa.

Fragilidade

“Você esqueceu muitas palavras, muitos sentimentos, esqueceu que, dentro da roupa ou do vestido, existe uma criatura tão frágil, tão pequena, tão vulnerável como aquela que dava os primeiros passos.

Arte de sorrir

“Você esqueceu como é doce o afago de uma mão que quer bem. Nunca mais deu uma gargalhada aberta, livre, louca, sem censura.

“Um rio”

“Nunca mais chorou de alegria. Você ainda sabe o que é uma alegria? (…) Você canta todos os dias? É fácil fazer a vida difícil. Porque você esqueceu que é tão de Deus como uma andorinha e o mar. Porque você esqueceu que a vida é um rio, não um túmulo”.

 

Robério vive!....

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