Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sábado, 08/04/2017

Um torniquete na UEPB

Aval brejeiro

Ao transitar ontem por Campina Grande, o prefeito de Guarabira (e antigo filiado ao PSDB) Zenóbio Toscano afirmou que “um partido como o PSDB não pode deixar de ter um nome para disputar o Governo do Estado e também a vaga para o Senado”.

“Temos o nome de Cássio, que tem uma participação muito efetiva na política nacional. Mas pela administração que Romero tem feito em Campina Grande, e pela votação que obteve nas últimas eleições, é um nome que desponta dentro da política paraibana. Logicamente ele precisa ter uma visibilidade maior no Estado, para que hoje ou depois tenha condições de chegar ao Governo da Paraíba”, avaliou o guarabirense.

Perfil

Ainda de acordo com ZT, Romero “é um nome muito forte, limpo. Ele tem aquilo que o povo paraibano quer”.

Na vitrine

A semana chega ao fim com a UEPB novamente se tornando o tema central das discussões de natureza política e administrativa no Estado.

Gerencial

Numa audiência pública, ocorrida na Câmara campinense, o vereador Anderson Maia (PSB) afirmou que a instituição de ensino enfrenta “um problema de gestão, e não é a Câmara que vai resolver”.

Desfiguração

E emendou: “É um debate meramente político. Não tem interesse público algum”.

Inexperiente

Ao comentar a fala do socialista, o vice-reitor da instituição, professor Flávio Romero, frisou que a declaração “tem muito a ver com a sua imaturidade e falta de experiência administrativa. Ele sequer administrou um fiteiro na vida. E não se propõe a ir à UEPB verificar a situação”.

“Um comentário injusto e de desconhecimento”, adendou.

Cortes

“Dizer que o problema é administrativo é não acompanhar sequer as medidas recentes tomadas pela UEPB; o que fizemos para tentar ajustar o tamanho da UEPB ao tamanho do orçamento. Não foi reduzir gordura, foi reduzir as pernas mesmo”, acrescentou Flávio.

Duas escolhas

Na sua passagem pelo Legislativo campinense, o reitor Rangel Júnior também rebateu a critica de Anderson: “Esse tipo de comentário revela ignorância do que é a Universidade. Se não for isso, é pura ruindade”.

´No osso´

Rangel ainda disse aos vereadores que o nível de cortes “chegou num ponto onde não há mais onde tirar”.

Em tempo

No último dia 16 de março, a Reitoria da UEPB baixou uma Portaria estabelecendo “uma série de medidas administrativas para contenção de despesas na Instituição”.

Adaptação

O texto destaca “a necessidade de adequação do custeio, a fim de garantir a manutenção dos serviços e ações essenciais da Universidade”.

Bisturi

Entre as medidas adotadas estavam a suspensão, por um prazo mínimo de seis meses, do pagamento de horas extras, sob qualquer justificativa; da concessão de transporte para a participação de alunos em eventos acadêmicos ou técnico-científicos; concessão de diárias e de ajudas de custo aos servidores docentes e técnicos; a limitação da concessão de passagens aéreas e de diárias aos membros da equipe administrativa.

Supressão

“Fundir e/ou extinguir pró-reitorias e/ou outras unidades da administração superior e setorial como forma de diminuir a complexa hierarquização organizacional; e reduzir o número de cargos comissionados e de funções gratificadas”, estabelece outro trecho do documento.

Reversão

No último dia 5, a Reitoria recuou da intenção de anular a entrada de novos alunos para o período 2017.1.

Aliás, foi até anunciado o aumento das vagas oferecidas no referido semestre.

Confrontação

A Reitoria determinou ontem a revogação, “em sua totalidade”, da Portaria acima citada, “e a adoção de medidas legais junto ao Poder Judiciário, por parte da Procuradoria Geral da Universidade, objetivando a regularização dos repasses de duodécimo à Instituição”.

Repúdio

Em reunião realizada ontem, o Consuni (Conselho Superior Universitário), além de referendar as providências adotadas pela Reitoria, aprovou uma ´Moção de Repúdio´ ao governador Ricardo Coutinho.

 

 

Braços cruzados

Por outro lado, na última quinta-feira a ameaça se confirmou e houve a aprovação de mais uma greve dos docentes.

Ao que parece, a terceira num intervalo inferior a cinco anos.

Sem engajamento

Num universo superior a 1.200 professores, apenas 50 aprovaram a paralisação, algo já questionável preliminarmente, mas que também denota o quanto de alheamento existe na categoria acerca das rotinas da instituição e do próprio futuro funcional.

Só atrapalha

Os alunos estão a menos de um mês da conclusão do semestre letivo.

Existem aproximadamente 1 mil deles que vão concluir o curso nesse semestre.

Reincidência

Salta à vista a impropriedade dessa greve, uma insensatez renovada, porque já ficou evidente que na conjuntura atual a paralisação não é a melhor estratégia.

Parte frágil

Mas é também – e precisamente – um desrespeito, uma desatenção ao alunado.

Quem estuda na UEPB está virando (compulsoriamente) uma espécie de marionete nessa queda-de-braço entre Aduepb, Reitoria e Estado.

´Divórcio´

Para o futuro da UEPB é imensamente preocupante o fosso (crescente) que se abre entre a sua comunidade acadêmica e a sociedade paraibana. Antes da largada, a greve já recolhe a antipatia da opinião pública.

“Pode ser um caminho sem volta”, chegou a observar o Reitor.

Risco

Sem bases solidas e sem vínculos estreitos junto à sua comunidade, qualquer instituição corre o risco de murchar e de reduzir o seu horizonte aos seus muros.

Governo…

Diante da ´Moção´ acima referida; da opção de litigar com o Poder Executivo na esfera judicial; e da nova greve, a reação governamental veio na tarde de ontem.

… Na ofensiva

E foi dura, verbalizada pelo secretário de Comunicação, Luís Torres, e referendada certamente pela Governadoria.

Leia topicamente.

Sem poda

“É preciso registrar, em primeiro lugar, que não houve nem haverá redução do duodécimo assegurado pelo governo do Estado para a UEPB. A instituição continua tendo o direito a receber R$ 24 milhões por mês, como parte do duodécimo.

Provisão

“Acontece que, deste valor, R$ 2 milhões já estão sendo destinados direto da fonte para uma conta específica como reserva financeira para pagamento do 13o salário dos professores e funcionários da instituição, em cumprimento, inclusive, ao que prevê a Lei da Autonomia.

Gastança

“Lamentavelmente, ao longo dos últimos anos, a atual diretoria da UEPB consumia no mês o valor total do duodécimo e não assegurava a reserva do 13o, desrespeitando, assim, as próprias obrigações da autonomia, prejudicando todos os funcionários, tirando-lhes a segurança e o direito de receber o benefício.

Aumento

“Independentemente das variações da economia, o 13o da UEPB está assegurado. A isto se chama boa gestão. Mesmo diante dos indiscutíveis números referentes ao repasse do duodécimo, que aumentou cerca de 70% ao longo desses seis anos.

“Ineficiência”

“O mais é a velha e já ultrapassada tentativa de se transferir, infelizmente, a ineficiência do controle financeiro por parte da atual diretoria para o governo do Estado”.

´Curadoria´ econômica

Por fim, uma provocação adicional de Luís Torres, com sugestão velada de renúncia à direção universitária: “Em 2010, a UEPB fechou o ano tendo recebido R$ 180 milhões. No ano passado, recebeu R$ 307 milhões. E mesmo assim não dispunha dos recursos para o pagamento do 13o salário. A isto se chama má gestão”.

– Mas tem solução. A equipe econômica do governo se coloca à disposição da atual diretoria da UEPB a fim de auxiliá-la na condução administrativa e financeira da instituição – arrematou o titular da Secom/PB.

Os ´novatos´ estão com toda força na Câmara campinense...
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