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Arimatéa Souza

quinta-feira, 27/02/2020

Um inesperado arlequim

Tempo de reflexão

Habitualmente, o papa Francisco verbaliza o que se denomina de ´catequese´ em suas audiências públicas das quartas-feiras, na Praça São Pedro.

No dia de ontem, o começo do período quaresmal foi o tema de seu pronunciamento.

Vale a pena a reprodução de alguns trechos, pela atualidade e conveniência das reflexões.

É o que segue.

Virar a…

“A Quaresma é o tempo propício para abrir espaço à Palavra de Deus. É o tempo para desligar a televisão e abrir a Bíblia. É o tempo para se desligar do telefone celular e se conectar com o Evangelho. É o tempo de renunciar a palavras inúteis, conversinhas, fofocas, mexericos e se aproximar do Senhor.

… Chave

“É o tempo de se dedicar a uma ecologia saudável do coração, fazer uma limpeza nele. Vivemos num ambiente poluído por muita violência verbal, por muitas palavras ofensivas e nocivas, que a rede (social) amplifica.

Banalização

“Hoje, se insulta como se dissesse ´bom dia´. Somos submergidos de palavras vazias, publicidades e anúncios falsos. Nos acostumamos a ouvir tudo sobre todos e corremos o risco de cair num mundanismo que atrofia os nossos corações.

Convite

“Jesus nos convida a prestar atenção no que interessa, no que é importante, no essencial.

Inutilidades

“Olhemos para as nossas vidas: quantas coisas inúteis nos circundam. Seguimos mil coisas que parecem necessárias, mas na realidade não são. Nos fará bem nos libertar de muitas realidades supérfluas a fim de redescobrir o que interessa e reencontrar o rosto de quem está ao nosso lado.

Na essência

“Jejuar é saber renunciar às coisas vãs, supérfluas, para ir ao essencial. Jejuar não é apenas para emagrecer, jejuar é ir ao essencial, é buscar a beleza de uma vida mais simples”.

Remoção

O Pleno do Tribunal de Justiça removeu, pelo critério de antiguidade, para o Juizado Especial Criminal da Comarca de Campina Grande a magistrada Maria Aparecida Sarmento Gadelha, titular da 7ª Vara Cível da mesma Comarca.

O detalhe

Aparecida concluiu há algumas semanas o mandato como presidente da Associação dos Magistrados da Paraíba.

Vídeo

Antes do carnaval foi disponibilizado um comentário de minha autoria sobre ´quem ganha as eleições 2020 em Campina Grande?´ no canal Youtube.

Serviço

Veja aqui.

Da boca de…

“… Um País que se divide entre retroescavadeira e bala… Será que não existe uma maioria para perceber que os dois lados estão errados?…” (deputado Pedro Cunha Lima, PSDB/PB, sobre a crise na segurança pública do Ceará, que teve seu ápice político nos tiros sofridos pelo senador Cid Gomes, PDT/CE, após ele ter usado uma retroescavadeira contra os manifestantes).

O bloco…

A cada ano, tradicionalmente (e merecidamente) o Brasil para e vivencia quatro dias de intensa alegria e animação. É o carnaval, uma paixão nacional, assim como o futebol.

… Na avenida

Na verdade, configura-se uma espécie de catarse coletiva, um transbordamento e/ou extravasamento de emoções.

Sinal de alerta

Estamos virando, mais uma vez, a página dessa intensa festa.

Mas é oportuno resgatar – e alertar – uma preocupante iniciativa do presidente Bolsonaro nesse feriadão, objeto de imensa preocupação.

Fronteiriço

Repetidamente o nosso chefe de Estado tem flertado perigosamente com ações e/ou declarações que sugerem ou insinuam um abominável retrocesso histórico, que seria um retorno à ditadura militar.

Estímulo

No caso mais recente, Bolsonaro divulgou um vídeo, nas suas amplas redes sociais, defendendo a adesão popular a um ato público previsto para o dia 15 de março, cuja finalidade é protestar contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

“15 de março. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”, escreveu.

Personalismo

As imagens que embalam o vídeo (a facada que sofreu em 2018) potencializam a dramaticidade e a preocupação: “Ele (Bolsonaro) foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas.

Convocação

Mais: “Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”.

Mais lenha

Em outro vídeo postado horas depois pelo presidente, é indagado: “Por que esperar pelo futuro se não tomarmos de volta o nosso Brasil? Qual o futuro desejamos para nossos filhos e netos? Basta! O Brasil só pode contar com você (Bolsonaro). O que você pode fazer pelo Brasil? Todo poder emana do povo. Vamos resgatar nosso poder. Vamos resgatar o Brasil. Juntos somos mais fortes. Somos capazes, sim”.

Fato

É perceptível que o Congresso Nacional tem conseguido um protagonismo não visto em governos anteriores, ao ponto de alguns considerarem que vivemos um ´parlamentarismo branco´.

Desarticulação

Em boa parte, esse diagnóstico decorre da falta de articulação política do próprio governo, que não conseguiu sequer liderar a condução de sua principal pauta legislativa no ano passado – a reforma da Previdência.

No vácuo

Em política, não existem espaços vazios. Na paralisia do Executivo, as lideranças congressistas avançaram, ao ponto de terem levado adiante a ampliação das emendas parlamentares impositivas – de liberação obrigatória.

Senha

Não custa lembrar que, há alguns dias, o general Augusto Heleno (eminência do governo atual) acusou o Congresso de “chantagear” o Executivo “o tempo todo”.

Paridade

O que compete ao Executivo é cobrar e praticar o postulado constitucional: os poderes constituídos são harmônicos, mas independentes entre si.

A hipertrofia de um deles provoca, inexoravelmente, o definhamento dos demais, o que não deve ser tolerado.

Extremo

Para um País que já tem um orçamento público extremamente ´engessado´ por despesas obrigatórias, o imperativo das emendas impositivas, no volume proposto pelos parlamentares, é algo contraproducente.

Mas daí a se defender o aniquilamento do parlamento vai uma distância quilométrica.

Sem hesitar

Ao se dar conta da gravidade do que estava ocorrendo, ainda no feriado o ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso foi a primeira liderança nacional a reagir: “Estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar significa concordar. Melhor gritar enquanto se tem voz”.

Sem estatura para o cargo

Do alto de sua respeitabilidade, o ministro mais antigo do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello também se pronunciou sublinhando que está ficando evidente “a face sombria de um presidente da República que desconhece o valor da ordem constitucional, que ignora o sentido fundamental da separação de Poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso (nefasto) desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático!!!”.

Operação Calvário: a ´via crucis´ vai recomeçar....
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