Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sexta-feira, 19/05/2017

Tempestade que não cessa

Ocaso mineiro

Por tudo o que se viu e se ouviu, ontem, a carreira política do senador (afastado) Aécio Neves (PSDB-MG) foi ferida de morte, pelo menos na dimensão nacional que possuía.

Não por acaso, a maior parte dos parlamentares da sigla cobrou – e obteve – o seu afastamento da presidência nacional do PSDB.

 

Interino

A legenda passa a ser comandada, inicialmente de forma interina, pelo senador cearense Tasso Jereissati.

Chulo

Agora, o que mais tem chocado a maioria das pessoas que têm opinado sobre o senador ´tucano´ é o vocabulário que ele fez uso nos diálogos com o empresário da JBS, de uma vulgaridade ímpar, notadamente diante da representatividade que possuía.

Minar

Essas conversas também denotam, de maneira incontestável, a intensa mobilização de Aécio para boicotar a Operação Lava Jato.

O ´príncipe´

Via redes sociais, Fernando Henrique Cardoso tratou ontem do agravamento da crise política, em decorrência da delação do dono do grupo JBS.

Obediência

“A solução para a grave crise atual deve dar-se no absoluto respeito à Constituição. É preciso saber com maior exatidão os fatos que afetaram tão profundamente nosso sistema político e causaram tanta indignação e decepção”, ponderou FHC.

Urgente

Adiante em sua mensagem, o ex-presidente afirmou que “o País tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações. Pressa para ver na prática medidas econômico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros. E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos”.

Renúncia

Por fim, FHC sublinha que “os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia”.

“Servos”

Com a sua sobriedade habitual, o mais antigo ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, divulgou ontem uma nota com a imprensa, na qual ressalta que “somos todos servos da lei para que realmente possamos ser livres”.

Sem hesitar

“Neste particular momento – assinalou o decano do Supremo – em que o Brasil situa-se entre o seu passado e o seu futuro, os cidadãos deste país, as instituições nacionais e os membros integrantes dos Poderes do Estado devem prestar obediência irrestrita à Constituição”.

 

Conterrâneos

A pauta de audiências de ontem de Michel Temer – que acabou sustada devido à torrente de denúncias – contemplava a bancada paraibana: ele receberia o senador José Maranhão (PMDB) e os deputados Wilson Filho (PTB) e Benjamin Maranhão (SD), além do ex-senador Wilson Santiago, presidente do PTB na Paraíba.

´Sala de crise´

O senador Cássio participou de uma reunião da cúpula do PSDB, ontem, em Brasília, na casa de Aécio, para definir como encarar esse ´vendaval´ de denúncias.

Murchou

No capítulo dos diálogos que dizem respeito diretamente a Michel Temer, é forçoso registrar que as expectativas criadas com os áudios não se confirmaram quando esses conteúdos foram disponibilizados.

Pouco cidadã

É claro que a conversa entre Temer e o empresário Joesley (JBS) é ´minimamente republicana´ e tem como pano de fundo transmitir a garantia de que o ´homem bomba´ Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está sob controle, por força do combustível da propina.

Neutralizar

Mas a sensação espalhada na véspera apontava para uma ação bem mais incisiva de Temer visando neutralizar Cunha.

Trama

Todavia, pesa fortemente contra o presidente da República o fato de estar atuando pesadamente nos bastidores para solapar a ´Lava Jato´.

Vindita

Gravidade dos fatos à parte, o procedimento do empresário Joesley Batista soa muito estranho, em função do grau de ousadia que ele comporta.

Sente-se uma indisfarçável ação no campo da vingança.

Na ´UTI´

De qualquer forma, a gestão Temer continua a ´respirar por aparelhos´, tentando desesperadamente conter a sangria de sua fundamental base parlamentar.

Recordando

Filósofa Dilma Rousseff, quando ainda exercia a Presidência da República: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.

Outro capítulo

Ao que se informa nos bastidores políticos, neste final de semana deverão vir à tona revelações do Grupo JBS sobre outras ´figuras carimbadas´ dessa crise: Lula, Dilma Rousseff, e os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Serra (PSDB-SP).

Ainda bem que a Friboi poupou Fátima Bernardes e Dona Marisa...
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