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Arimatéa Souza

sábado, 02/05/2020

Petardos de ´ex-aliados´

Mirando o Palácio

Duas entrevistas estão movimentando o mundo político neste final de semana. Ambas veiculadas pela revista Veja.

A primeira delas é a pioneira concedida pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro após ter deixado o cargo. Trata-se de uma clara sinalização do que por ai.

A segunda é a de um paraibano: deputado federal Julian Lemos (PSL), considerado no período da campanha presidencial de 2018 um dos ´braços´ de Bolsonaro.

Começando pelas declarações de Moro, o leitor de APARTE tem a seguir um resumo dessas declarações.

Limites

“O presidente tem muito poder, tem prerrogativas importantes que têm de ser respeitadas, mas elas não podem ser exercidas, na minha avaliação, arbitrariamente.

Confirmação

“Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar.

Reação

“Eu apresentei aquelas mensagens. Não gostei de apresentá-las, é verdade, mas as apresentei única e exclusivamente porque no pronunciamento do presidente ele afirmou falsamente que eu estava mentindo.

Inaceitável

“Embora eu tenha um grande respeito pelo presidente, não posso admitir que ele me chame de mentiroso publicamente. Ele sabe quem está falando a verdade. Não só ele. Existem ministros dentro do governo que conhecem toda essa situação e sabem quem está falando a verdade.

Outra mentira

“O presidente havia dito uma inverdade de que meu objetivo era trocar a substituição do diretor da PF por uma vaga no Supremo. Eu jamais faria isso. Infelizmente, tive de revelar aquela mensagem para provar que estava dizendo a verdade, que não era eu que estava mentindo.

Trajetória

“Seria incoerente com o meu histórico ceder a qualquer intimidação, seja virtual, seja verbal, seja por atitudes de pessoas ou de outras autoridades.

Sem temor

“Não tenho medo de ofensa na internet, não. Me desagrada e tal, mas se alguém acha que vai me intimidar contando inverdades a meu respeito no WhatsApp ou na internet está muito enganado sobre minha natureza.

Circunstâncias

“É importante deixar muito claro: nunca foi minha intenção ser algoz do presidente ou prejudicar o governo. Na verdade, lamentei extremamente o fato de ter de adotar essa posição. O que eu fiz e entendi que era minha obrigação foi sair do governo e explicar por que estava saindo. Essa é a verdade.

Ex-colegas

“No governo, acho que há vários ministros competentes e técnicos. O fato de eu ter saído do governo não implica qualquer demérito em relação a eles. Fico até triste porque considero vários deles pessoas competentes e qualificadas, em especial o ministro da Economia (Paulo Guedes).

Desejo

“Espero que o governo seja bem-sucedido. É o que o país espera, no fundo. Quem sabe a minha saída possa fomentar um compromisso maior do governo com o combate à corrupção.

Respostas

“Lamento ter de externar as razões da minha saída do governo durante esta pandemia. O foco tem de ser realmente o combate à pandemia. Estou dando entrevista aqui porque tenho sido sucessivamente atacado pelas redes sociais e pelo próprio presidente (…) Tudo o que estou fazendo é responder a essas agressões, às inverdades, às tentativas de atingir minha reputação.

Descumprimento

“Estou num período de quarentena. Tive 22 anos de magistratura. Deixei minha carreira com base em uma promessa não cumprida de que eu teria apoio nessas políticas de combate à corrupção. Isso foi um compromisso descumprido. Não posso voltar para a magistratura. Eu me encontro, no momento, desempregado, sem aposentadoria. Não quero aqui ficar reclamando de nada.

Futuro

“Minha posição sempre foi de sentido técnico. Vou continuar buscando realizar um trabalho técnico, agora no setor privado. Não tenho nenhuma pretensão eleitoral. Não me filiei a partido algum. Nunca foi meu plano. Estou num nível de trabalho intenso desde 2014. Quero folga. E não quero pensar em política neste momento.

Sem arrependimento

“Embora soubesse que minha ida para o governo seria controversa, o objetivo sempre foi continuar defendendo a bandeira anticorrupção, evitando retrocessos. Não, não me arrependo. Acho que foi a decisão acertada naquele momento.

Mesma trilha

“Assumi um compromisso com ele que era muito claro: combate à corrupção, ao crime organizado e à criminalidade violenta. Eu me mantive fiel a esse compromisso”.

Conterrâneo

Seguem trechos das declarações à Veja de Julian Lemos.

Filho do…

“O Carlos Bolsonaro é uma pessoa que não tem escrúpulos. Quando ele te bota como alvo, passa a atacar de forma injusta (…) Carlos é uma pessoa que tem problemas psicológicos. Eu sei que ele toma remédio”.

… ´Capitão´

“Várias vezes na transição o Carlos disse que iria embora e não voltaria mais. Enquanto o Jair não demitiu o Gustavo Bebianno (ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência), ele não sossegou. E quando o Bebianno saiu, a metralhadora veio para mim”.

´Procuradores´
“Se não fosse o PSL, o Jair cairia no PR (hoje, o PL). Eu e o Bebianno éramos uma espécie de procuradores do Jair, que queria a certeza de que não seria vendido no meio do caminho”.

PL

“Tivemos três conversas com o Valdemar Costa Neto (presidente do partido). Na quarta, o Jair foi. As negociações não avançaram porque o Valdemar disse que teria de avaliar algumas composições nos estados. Jair disse: ‘Se não ter como resolver, tudo bem’. Levantou-se e foi embora.”

Presidente…

“O PSL ficou submisso ao Jair Bolsonaro – algo que o PR não iria aceitar. A gente viu quais eram as garantias jurídicas que teria, e o Luciano Bivar (presidente do PSL) cumpriu todas as promessas. Todo o processo foi muito tranquilo”.

… Do PSL

“Jair chegou a oferecer a vice-presidência para o Bivar. Disse: ‘Você vai ser o meu vice’. Bivar rejeitou. Eu vi, fui testemunha dessa conversa. Ele também ofereceu ministérios a Bivar, primeiramente o dos Esportes, antes da fusão. Bivar foi extremamente ético.”

Despido

“O general Santos Cruz (ex-ministro da Casa Civil) é uma pessoa de personalidade, o que falta às pessoas que hoje trabalham com o presidente. O rei está nu e ninguém diz – porque não tem coragem de dizer”.

Ex-ministro

“Certa vez o Bolsonaro tentou nomear o sobrinho dele, o Leo Índio. O general Santos Cruz disse que não o faria, porque ele não tinha qualificação técnica para um salário de 15 mil reais. Ele colocava limites, principalmente no entorno do presidente, e isso fez com que ele caísse (…) Ele foi muito correto – esse é o defeito dele.”

´Gabinete do ódio´
“O gabinete do ódio, na realidade, não existe como um lugar físico. Eu soube que se tentou implementar uma espécie de gabinete paralelo para formar dossiês e descontruir pessoas – eu, por exemplo, fui vítima disso. Há vários administradores, entre eles o Tércio Arnaud [assessor especial da Presidência] e o Eduardo Guimarães [assessores do Eduardo Bolsonaro]”.

Modo de…

A página do Hélio Lopes (deputado pelo PSL-RJ), por exemplo, é administrada por eles. Ali eles arrebentam com qualquer um. Essas páginas, em épocas de campanha, podem fuzilar os adversários deles”.

… Agir

“Na campanha, eu os vi fazendo memes. Daí mandam para os cabeças e começam a atacar. O pior é que existem pessoas que não têm noção de que estão sendo manipuladas neste sentido.”

Sem muitas…

“Na transição, não havia nomes com o perfil que Jair queria. Só havia a certeza da nomeação do Paulo Guedes, Sergio Moro, general Augusto Heleno e Tarcísio Gomes (Infraestrutura). O restante foi chegando na hora. Quem primeiro citou o nome da Damares [Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos] fui eu, a conheço há muitos anos”.

… Opções

“Eu também trabalhei muito pelo Marcelo Alvaro Antonio [ministro do Turismo indiciado pela Polícia Federal] – e ele próprio sabe do trabalho que eu fiz para que ele fosse ministro. É uma grande dúvida o por quê de ele não ter sido demitido.”

Retaguarda
“Não é possível ter tanta ingratidão por pessoas como nós. Fui escudeiro dele até o final. Há três, quatro anos, eu chegava nos lugares e encontrava voluntários para ajudá-lo”.

Acesso direto

“Sempre chegava um ou dois dias antes nos estados para montar tudo e preparar a segurança. Dirigia para ele, o assessorava, e durante muito tempo a agenda era feita exclusivamente por mim e repassada ao gabinete dele”.

Preposto

“Eu era o 01. Eu provei muita comida dele antes comer. ‘Prova aí, Paraíba’, ele dizia. Eu provava mesmo. Água ele só tomava se fosse da minha mão. Se alguém desse alguma coisa, ele não comia. E eu acreditava mesmo que podia ter alguma coisa contra ele”.

Risco

“O Jair já chegou a me avisar: ‘Paraíba, tu tem risco de morrer, como eu tenho’. E tinha vezes que a gente ficava com medo mesmo, porque não tinha estrutura nenhuma”.

O que ficará

“Talvez as pessoas não enxerguem, mas esse sinal de deslealdade do presidente vai ser uma das marcas dele. E isso vai voltar para ele em algum momento”.

Caldo

“O volume de pessoas que foram traídas é grosso. E a indignação delas com esse tipo de atitude é profunda demais. São generais, amigos, pessoas que ajudaram de alguma forma e tinham ligação com ele. E ele não tem misericórdia dessas pessoas. Deixa a má fama pegar”.

Irreconhecível

“Da última vez que estive com ele, não reconheci. Está diferente até no jeito de falar. Quando a gente planta algumas coisas, o universo entende o recado. De alguma forma ou de outra, a angústia que o Jair gerou nessas pessoas vai se dirigir a ele. Mas o presidente fez um pacto com o Brasil, mas se resume à família. Ninguém mais importa.”

Só festa

O ex-deputado federal Armando Abílio, como havia sinalizado APARTE no começo da semana, anunciou ontem a impensável aliança política com o ex-deputado Arnaldo Monteiro visando a eleição do futuro prefeito de Esperança.

Junção

Ou seja, ex-adversários unidos contra um inimigo comum: o prefeito Nobinho Almeida.

É preciso cantar

“Guerreiros são pessoas

Tão fortes, tão frágeis

Guerreiros são meninos

No fundo do peito”

(Gonzaguinha)

Começa a pressão dos templos...
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